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Crescimento urbano Rio De Janeiro

Bennett vira condomínio e expõe boom no Rio de Janeiro

Projeto no antigo colégio do Flamengo terá 360 apartamentos e virou símbolo da nova pressão imobiliária sobre a chamada Zona Sul B.

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O antigo Colégio Bennett, na Rua Marquês de Abrantes, 55, no Flamengo, fechado desde 2020, deve dar lugar ao Symphony, condomínio residencial de alto padrão da NewView em parceria com o BTG Pactual. O projeto, informado pela Veja Rio em 15 de maio de 2026, prevê 360 apartamentos em dois prédios de 13 andares, em parte de um terreno de 15.000 m², com unidades de 40 m² a 110 m², coberturas de até 230 m² e preços entre R$ 960 mil e R$ 4 milhões. A entrega está prevista para 2029.

Mais do que um lançamento imobiliário isolado, o caso Bennett se tornou um retrato da disputa por imóveis e terrenos em uma faixa da Zona Sul do Rio de Janeiro que voltou ao radar das incorporadoras: Flamengo, Catete, Laranjeiras e Glória, área chamada pela reportagem da Veja Rio de “Zona Sul B”.

Mercado imobiliário no Rio de Janeiro mira Flamengo e Laranjeiras

Segundo dados da GeoBrain citados pela Veja Rio a pedido da Ademi, o Flamengo recebeu três lançamentos entre 2024 e 2026, somando 285 unidades. Desse total, 243 já tinham sido vendidas. O preço médio do metro quadrado dos novos empreendimentos no bairro chegou a R$ 22.500/m².

O movimento ocorre em um mercado aquecido, mas desigual. O Índice FipeZAP de Venda Residencial registrou, em abril de 2026, preço médio de R$ 10.939/m² no Rio de Janeiro, com alta mensal de 0,34%, alta acumulada de 0,99% em 2026 e avanço de 4,00% em 12 meses. No mesmo informe, Leblon aparece com R$ 26.446/m² e Ipanema com R$ 25.819/m² entre os maiores preços médios por bairro no Rio.

Esse contraste ajuda a explicar por que incorporadoras buscam bairros com infraestrutura consolidada fora dos endereços mais caros. Leonardo Mesquita, presidente da Ademi, declarou à Veja Rio que o Plano Diretor de 2024 flexibilizou regras sobre tamanho mínimo de apartamento e exigência de garagem, viabilizando projetos em bairros antes menos atrativos economicamente.

Antigo Bennett: tombamento, árvores e questionamentos do MPRJ

O terreno do Bennett foi leiloado em 29 de julho de 2024 por R$ 60 milhões, segundo notícia republicada pela Ademi-RJ a partir do Diário do Rio/O Globo. A aquisição foi atribuída ao grupo imobiliário New View.

A área, porém, não é um terreno comum. O Decreto Municipal nº 38.253, de 9 de janeiro de 2014, tombou provisoriamente o Pavilhão São Clemente, a antiga cavalariça, a guarita e o gradil do imóvel da Rua Marquês de Abrantes, 55. O mesmo decreto declarou imunes ao corte as árvores existentes no lote.

Em 21 de janeiro de 2026, a 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Meio Ambiente da Capital expediu a Recomendação nº 01/26 ao prefeito do Rio, no âmbito do Inquérito Civil MA 9800, MPRJ nº 202400798549. O documento tratou do licenciamento do corte de árvores e do empreendimento da ENF SPE São Clemente S.A., SPE ligada a BTG Pactual e TGB Imóveis.

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Na recomendação, o MPRJ afirmou que, no fim de dezembro de 2025, a “quase totalidade” das árvores integrantes do conjunto paisagístico tombado foi cortada pela empresa empreendedora, em violação ao art. 2º do decreto municipal de 2014. O órgão recomendou a suspensão temporária de corte de vegetação, demolição, obra ou intervenção modificadora no imóvel até análise de processos administrativos por peritos do GATE Ambiental.

Obra no Flamengo teve paralisação judicial e retomada

A Justiça do Rio determinou em janeiro de 2026 a paralisação imediata da obra no antigo Colégio Bennett, com multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento, segundo decisão atribuída ao juiz Wladimir Hungria, da 5ª Vara de Fazenda Pública da Capital. A decisão também proibiu novos cortes, supressões, podas drásticas ou remoções de árvores no terreno e no entorno, incluindo vias públicas e áreas verdes adjacentes.

Em 23 de abril de 2026, a Veja Rio informou que o MPRJ voltou a pedir a paralisação das obras e solicitou o replantio da vegetação retirada. Em 15 de maio de 2026, a mesma revista informou que a obra havia sido recentemente retomada e manteve a previsão de entrega para 2029.

Novos imóveis reforçam crescimento da chamada Zona Sul B

O Symphony não é o único sinal de força desse novo eixo. Em Laranjeiras, o Soul Rio Gago Coutinho, projeto da RJDI em parceria com a Schipper Construções, vendeu 90% das unidades no lançamento realizado em 28 de março de 2026 e alcançou VGV de R$ 81 milhões, segundo O Dia.

A Veja Rio também registrou o avanço do Céu Laranjeiras, retrofit do Grupo CTV em edifício comercial da Rua Moura Brasil. O projeto alcançou 65% de vendas em poucos meses; os studios partem de R$ 515 mil, e a entrega está prevista para 2028.

O resultado é uma mudança visível no mapa do mercado imobiliário do Rio de Janeiro. A escassez de terrenos em áreas tradicionais, os preços elevados de bairros como Leblon e Ipanema, a infraestrutura de Flamengo e Laranjeiras e as novas regras urbanísticas empurram a incorporação para endereços que combinam demanda, localização e possibilidade de novos produtos. No Bennett, essa virada aparece com força: um antigo colégio fechado desde 2020 dá lugar a centenas de apartamentos, enquanto patrimônio, árvores e licenciamento seguem no centro da disputa pública.

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