nr1.lat Blog
Crescimento urbano Sao Paulo

Demolições em São Paulo expõem disputa por indenização no Centro

Obras da futura sede do governo paulista avançam em Campos Elíseos, mas moradores temem desvalorização antes das indenizações.

Ouça esta matéria Leitura automática · voz natural
Velocidade
Ver comentários dos leitores

As primeiras demolições para a futura sede administrativa do governo paulista começaram em Campos Elíseos, no centro de São Paulo, e abriram uma disputa sobre indenizações, avaliação de imóveis e impacto no mercado imobiliário local. A intervenção ocorre na quadra 48, no entorno do Parque Princesa Isabel, apontada como a única área da região que será totalmente desocupada para o Centro Administrativo.

Segundo a Folha, os edifícios residenciais Henrique e Princesa também estão previstos para demolição. Moradores afirmam que ainda não concluíram negociações individuais de indenização, enquanto a CDHU diz que os imóveis já atingidos pelas demolições estavam desapropriados, com imissão na posse em favor do Estado e alvará de demolição emitido.

Demolição em São Paulo avança na quadra 48

Três edifícios localizados na Rua Helvétia e na Alameda Barão de Piracicaba tiveram teto e paredes derrubados em 12 de agosto de 2026, de acordo com o Metrópoles. Os trabalhos continuaram no dia seguinte, 13 de agosto de 2026.

A CDHU informou à Folha que os imóveis demolidos haviam sido lacrados pelo Ministério Público em operações conduzidas pelo Gaeco contra o crime organizado. A Operação Salus et Dignitas, deflagrada em 6 de agosto de 2024 pelo MPSP e pelo Gaeco, mirou crimes e violações de direitos ligados ao PCC na região central de São Paulo e mobilizou mais de mil agentes públicos.

O avanço das demolições ocorre dentro de um projeto maior de reconfiguração urbana. O Decreto estadual nº 68.410, de 27 de março de 2024, declarou de utilidade pública, para fins de desapropriação, imóveis necessários ao Projeto PPP Campos Elíseos, no município de São Paulo.

Imóveis, indenização e mercado imobiliário no Centro

O ponto de maior tensão envolve a avaliação dos apartamentos antes do pagamento das indenizações. Moradores dos edifícios Henrique e Princesa disseram à Folha que temem desvalorização dos imóveis porque as demolições começaram no entorno sem negociação individual concluída.

O edifício Henrique foi inaugurado há 70 anos, tem dez andares e abriga moradores que relatam não ter recebido propostas de indenização antes do início das demolições ao redor. No edifício Princesa, Silvio Monteiro de Lima, geógrafo de 56 anos e proprietário de um apartamento há 20 anos, afirmou à Folha que sua unidade de 60 m² valeria cerca de R$ 300 mil e que teme nova depreciação.

A preocupação dos moradores é que a própria obra pública altere as condições do entorno antes da avaliação indenizatória. Em uma região já marcada por disputas fundiárias, essa percepção pesa diretamente sobre a forma como os proprietários enxergam o valor de seus imóveis e a segurança das futuras negociações.

Histórico de desapropriações e o chamado fator favela

O advogado Alex Lamartine Franco, representante de moradores dos condomínios, afirmou à Folha que, em desapropriações na região em 2017, a Cohab tentou aplicar o chamado “fator favela”, com ofertas 66,66% menores por metro quadrado. A lembrança reforça a desconfiança de parte dos proprietários sobre os critérios que poderão ser usados agora.

nr1.lat — encontre o proprietário e os débitos de qualquer imóvel cadastrado

A CDHU declarou que as tratativas envolvendo os edifícios Henrique e Princesa serão conduzidas pela concessionária. O consórcio MEZ-RZK Novo Centro, porém, afirmou que ainda não havia assinado contrato com o governo e, por isso, não tinha respaldo legal para iniciar negociações.

O Metrópoles informou que a empresa Habitem foi designada pela CDHU para executar as demolições já iniciadas, antes da assinatura do contrato estadual com a MEZ-RZK. O portal também afirmou ter questionado o governo sobre a escolha da Habitem, sem resposta até a publicação.

PPP do Centro Administrativo e impacto urbano

O consórcio MEZ-RZK Novo Centro venceu, em 26 de fevereiro de 2026, o leilão da PPP do Novo Centro Administrativo, com desconto de 9,62% sobre a contraprestação pública mensal máxima de R$ 76,6 milhões. O contrato previsto é de 30 anos.

O projeto prevê investimento estimado em R$ 6 bilhões, sete edifícios, dez torres, cerca de 22 mil servidores, restauro de 17 imóveis tombados e ampliação superior a 40% das áreas verdes do Parque Princesa Isabel. Antes disso, em 29 de maio de 2025, o governo paulista havia aprovado o edital e a modelagem final do Centro Administrativo Campos Elíseos, com investimento então estimado em mais de R$ 5,4 bilhões.

Na modelagem divulgada pela Prefeitura de São Paulo no programa Todos pelo Centro, havia previsão de 38 mil empregos diretos e indiretos durante as obras e 2,8 mil vagas formais no comércio e nos serviços locais. Em 27 de março de 2024, o prefeito Ricardo Nunes assinou projeto de lei para transferir ao Estado a posse do Parque Princesa Isabel e do complexo do Terminal Princesa Isabel, dentro da estratégia para viabilizar a transformação da região central.

Justiça suspende medidas em prédios da Alameda Barão de Piracicaba

A disputa ganhou novo capítulo em 17 de agosto de 2026, quando a Justiça de São Paulo determinou liminarmente que a gestão Tarcísio suspendesse eventual medida para tomar posse de dois prédios antigos ocupados por famílias de baixa renda na Alameda Barão de Piracicaba.

Os dois imóveis citados na decisão ficam nos números 153 e 165 da Alameda Barão de Piracicaba. O governo estadual confirmou à Folha ações judiciais de desapropriação desses endereços.

Para o Centro de São Paulo, a obra combina promessa de revitalização urbana, reorganização de áreas públicas e valorização imobiliária com conflitos sobre posse, indenização e permanência de moradores. A questão central, agora, é se o processo de desapropriação conseguirá avançar sem aprofundar a insegurança de quem ainda vive nos imóveis previstos para sair do mapa.

#São Paulo#demolição#imóveis#mercado imobiliário#indenização#Campos Elíseos#IPTU#Centro Administrativo

Fontes

Compartilhar Facebook X Telegram

Comentários

Carregando comentários…

Entre para participar

Cadastre-se para comentar, responder e curtir.