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Caixa cresce no mercado imobiliário do Brasil, mas provisões por risco de calote disparam no 1º tri

Banco atinge R$ 966,2 bilhões em crédito imobiliário e 68% do setor, mas lucro recorrente cai 34,4% pressionado por regras do BC e inadimplência.

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A Caixa Econômica Federal consolidou sua liderança no mercado imobiliário do Brasil com resultados expressivos em volume de crédito, mas o balanço do primeiro trimestre de 2026 revelou um cenário paradoxal. Em 14 de maio de 2026, o banco divulgou um lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões, uma queda de 34,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

A pressão sobre a rentabilidade não veio da falta de novos negócios na venda e financiamento de imóveis, mas sim de uma forte elevação nas despesas contra possíveis calotes. A despesa de provisão para perdas associadas ao risco de crédito disparou para R$ 6,518 bilhões no primeiro trimestre, uma alta de 211,5% ante o início de 2025.

Expansão e liderança no mercado imobiliário no Brasil

Mesmo com o lucro em queda, a Caixa manteve seu motor de crescimento ligado. A carteira total de crédito da instituição alcançou R$ 1,410 trilhão em março de 2026, registrando um crescimento de 11,3% em 12 meses. O principal pilar dessa expansão continua sendo o financiamento de imóveis.

O crédito imobiliário representou 68,5% de toda a carteira do banco, atingindo um saldo recorde de R$ 966,2 bilhões, uma alta de 13,9% em relação a março de 2025. Desse montante financeiro, R$ 589,7 bilhões foram viabilizados com recursos do FGTS, enquanto os recursos próprios da Caixa somaram R$ 376,5 bilhões.

O ritmo de aquisição de novos financiamentos também acelerou fortemente. Segundo o balanço oficial, as contratações imobiliárias somaram R$ 64,2 bilhões no primeiro trimestre de 2026, um avanço expressivo de 30,6% frente ao mesmo trimestre do ano anterior. Com essas cifras, a Caixa atingiu 68,0% de market share (participação de mercado) no setor de financiamentos imobiliários totais.

O peso das novas provisões e o risco de crédito

O forte recuo no lucro está diretamente ligado à adoção de uma nova regra do Banco Central do Brasil. A Caixa atribuiu o salto nas provisões à implementação da Resolução CMN nº 4.966/2021, que entrou em vigor em janeiro de 2025. O novo modelo substituiu o antigo padrão focado em perdas incorridas pela exigência de reservas baseadas em perdas esperadas atreladas ao risco de crédito.

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Com a mudança, o saldo total de provisão da carteira da instituição financeira escalou para R$ 66,7 bilhões em março de 2026. A inadimplência total da carteira (atrasos acima de 90 dias) refletiu a piora econômica em alguns segmentos, chegando a 3,71% - uma alta de 1,22 ponto percentual em 12 meses. O destaque negativo ficou para o agronegócio, cuja inadimplência subiu drasticamente para 18,29% em março de 2026, uma elevação de 13,99 pontos percentuais contra o ano anterior.

Inadimplência de imóveis e o cenário das famílias

Apesar da alta geral, a inadimplência dentro do mercado imobiliário segue mais controlada. Os calotes nos financiamentos habitacionais na Caixa ficaram em 1,60% em março de 2026, um aumento leve de 0,18 ponto percentual em um ano.

O número espelha um cenário nacional de alerta para os mutuários. Dados do Sistema Financeiro Nacional (SFN) revelam que a inadimplência geral das famílias brasileiras alcançou 5,3% no mesmo período. Mais preocupante é o nível de endividamento, que fechou fevereiro de 2026 em 49,9%, com as famílias comprometendo 29,7% da própria renda com o pagamento de dívidas.

Retomada de imóveis e renegociação para mutuários

Com o comprometimento de renda das famílias em patamares elevados, a Caixa mantém estratégias de recuperação e canais de auxílio. Quando a renegociação falha, a instituição pode proceder com a retomada dos imóveis. Pelas regras da Lei nº 9.514/1997, o devedor ainda possui o direito de preferência para recomprar o bem pelo valor total da dívida até o primeiro leilão ou, se o imóvel não for vendido, até o segundo leilão.

Atualmente, o banco dispõe de um canal público para escoar essas garantias por meio de venda online, compra direta, e leilões (1º e 2º), movimentando o mercado. Para tentar evitar essa fase extrema, a Caixa oferece aos mutuários sob estresse financeiro opções de renegociação registradas no Sistema de Informações de Créditos do Banco Central, como a Incorporação de Prestações em Atraso e a Pausa Seguro-Desemprego, que permite a suspensão do pagamento das prestações por seis meses para clientes em condições definidas pelo banco.

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