Crédito imobiliário no Brasil tem 2º melhor maio da série
Financiamentos do SBPE somaram R$ 17,17 bilhões em maio de 2026, apesar da Selic ainda em 14,25% ao ano.







O crédito imobiliário no Brasil com recursos das cadernetas do SBPE somou R$ 17,17 bilhões em maio de 2026, o segundo melhor resultado para um mês de maio na série histórica da Abecip. O volume avançou 1,1% em relação a abril de 2026 e cresceu 51,5% ante maio de 2025, segundo dados divulgados pela entidade em 30 de junho.
O desempenho chama atenção porque ocorreu em um ambiente ainda marcado por juros elevados. Em 17 de junho de 2026, o Copom reduziu a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano, na terceira queda seguida de 0,25 ponto percentual no ciclo atual. Mesmo assim, a taxa básica continuou em patamar alto para famílias que dependem de financiamento para comprar imóveis.
Crédito imobiliário no Brasil avança no ano
Nos cinco primeiros meses de 2026, os financiamentos imobiliários com recursos da poupança SBPE chegaram a R$ 76,5 bilhões. O valor representa alta de 23,9% sobre igual período de 2025, de acordo com a Abecip.
A quantidade de imóveis financiados também cresceu. Entre janeiro e maio de 2026, foram financiados 229,1 mil imóveis pelo SBPE, avanço de 29,2% em relação ao mesmo intervalo de 2025. Apenas em maio, foram 48,1 mil aquisições e construções de imóveis financiadas, número 13,2% menor que o de abril, mas 46% superior ao de maio de 2025.
A Abecip informou ainda que a quantidade de 48,1 mil imóveis foi a quarta maior para um mês de maio em sua série histórica. O dado reforça a leitura de que o mercado imobiliário manteve ritmo relevante no mês, apesar do custo do crédito ainda pressionado pela Selic.
SBPE ainda mostra queda no acumulado de 12 meses
O avanço recente não elimina a fraqueza acumulada em uma janela mais longa. No período de junho de 2025 a maio de 2026, os financiamentos para aquisição e construção somaram R$ 171,1 bilhões, queda de 3,9% ante os 12 meses anteriores.
Em número de unidades, os 12 meses encerrados em maio de 2026 tiveram 509,4 mil imóveis financiados com recursos da poupança SBPE. O resultado representa recuo de 1,1% frente aos 12 meses anteriores, segundo a mesma base da Abecip.
O resultado de maio veio depois de dois meses fortes. Em abril de 2026, o SBPE registrou R$ 16,98 bilhões em financiamentos, o melhor resultado para um mês de abril na série histórica. Em março de 2026, o volume havia chegado a R$ 18,5 bilhões, alta de 56,9% ante fevereiro e quarto melhor resultado mensal da série.
Selic, poupança e inflação entram na conta dos imóveis
A Selic elevada afeta diretamente o ambiente financeiro do mercado imobiliário. Pela regra do Banco Central, quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a remuneração dos depósitos de poupança é composta por 0,5% ao mês mais TR.
Do lado da inflação, o IPCA foi de 0,58% em maio de 2026, acumulou 3,20% no ano e chegou a 4,72% em 12 meses, segundo o IBGE. O índice acumulado em 12 meses subiu de 4,39% em abril para 4,72% em maio de 2026.
A poupança SBPE teve captação líquida positiva de R$ 2,3 bilhões em maio de 2026, ante captação negativa de R$ 128,6 milhões em maio de 2025. Ainda assim, de janeiro a maio de 2026, a captação líquida acumulou saldo negativo de R$ 29,2 bilhões. A perda foi menor que o saldo negativo de R$ 39,1 bilhões registrado no mesmo período de 2025.
O saldo das cadernetas do SBPE atingiu R$ 760,7 bilhões em maio de 2026, alta de 0,92% ante abril e de 0,51% ante maio de 2025. Na série histórica de 32 anos acompanhada pela Abecip, a captação líquida de maio ficou positiva em 17 anos.
Recursos livres recuam no financiamento imobiliário
Enquanto o SBPE avançou, as operações de financiamento imobiliário com recursos livres tiveram retração em maio de 2026. Elas somaram R$ 1,05 bilhão, queda de 30,6% ante abril e de 35,4% na comparação com maio de 2025.
De janeiro a maio de 2026, os financiamentos imobiliários com recursos livres somaram R$ 8,24 bilhões, queda de 2,5% frente ao mesmo período de 2025. Em maio, esse funding financiou 2,8 mil imóveis, baixa de 63,6% ante abril e de 66,2% ante maio de 2025.
Minha Casa, Minha Vida amplia faixas em 2026
Outro dado relevante para o crédito habitacional veio do Conselho Curador do FGTS. Em 24 de março de 2026, o conselho aprovou reajuste das faixas do Minha Casa, Minha Vida, elevando a renda máxima da Faixa 4 para R$ 13 mil.
O mesmo ajuste aumentou o teto de valor dos imóveis da Faixa 3 de R$ 350 mil para R$ 400 mil e da Faixa 4 de R$ 500 mil para R$ 600 mil. A Caixa informa que a modalidade Minha Casa, Minha Vida Classe Média permite financiar casas ou apartamentos novos, usados ou na planta com valor de até R$ 600 mil.
O quadro geral é de recuperação parcial e desigual. O SBPE teve o segundo melhor maio da série em volume financiado, mas o acumulado de 12 meses ainda segue negativo. Para famílias, bancos e incorporadoras, a evolução do mercado imobiliário no Brasil continuará ligada ao custo do dinheiro, à captação da poupança e às condições dos programas habitacionais.
Fontes
- Abecip - Data Abecip maio de 2026
- Abecip - Data Abecip abril de 2026
- Abecip - Data Abecip março de 2026
- UOL - Copom reduz Selic em junho de 2026
- Banco Central - Remuneração dos depósitos de poupança
- IBGE - IPCA de maio de 2026
- Agência Brasil - Conselho do FGTS reajusta faixas do Minha Casa, Minha Vida
- Caixa - Minha Casa, Minha Vida Classe Média



























