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Investimento Rio De Janeiro

Dataprev troca Botafogo por aluguel de R$ 220 mi no Rio

Estatal fechou locação no Edifício Ventura, no Centro do Rio, em contrato de 126 meses; escolha reacende debate sobre custo e venda de imóvel próprio.

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A Dataprev assinou em 5 de maio de 2026 um contrato de locação de imóvel no Rio de Janeiro no valor total de R$ 220.350.951,68 com a VT Tower Fundo de Investimento Imobiliário – FII, segundo publicação estruturada do Diário Oficial da União pelo Atlas Público. A BandNews FM informou que o imóvel escolhido é o Edifício Ventura, no Centro do Rio, após avaliação de seis edifícios.

O contrato, formalizado por dispensa de licitação nº 747/2026, tem vigência de 126 meses, equivalente a 10,5 anos, e prevê carência de seis meses no pagamento do aluguel. A contratação foi fundamentada no art. 29, inciso V, da Lei nº 13.303/2016, de acordo com o Atlas Público.

Aluguel no Centro do Rio supera opções avaliadas

O ponto central da controvérsia está na comparação entre imóveis. Na cotação inicial obtida pela BandNews FM, o Rio Office Tower foi orçado em R$ 851 mil por mês; o Vista Carioca, em R$ 1,159 milhão; e o Eco Sapucaí, em cerca de R$ 1,2 milhão. A Torre Almirante apareceu em aproximadamente R$ 1,4 milhão por mês; o Visconde de Inhaúma, em cerca de R$ 1,5 milhão; e o Edifício Ventura, em R$ 2,121 milhões mensais.

Após negociação para locação de um andar a menos, o contrato no Ventura teria sido fechado em R$ 1,3 milhão mensais, segundo a BandNews FM. Ainda assim, com condomínio, IPTU e obras de adequação dos quatro andares alugados, o custo mensal deve chegar a R$ 1,8 milhão, informou a emissora.

Relatórios apontaram custo-benefício e atração de talentos

A BandNews FM informou ter acessado relatório produzido por corretor para auxiliar a Dataprev. Nesse documento, o Rio Office Tower aparece como melhor custo-benefício, enquanto o Edifício Ventura é recomendado por benefícios de atração e retenção de talentos.

A mesma apuração registrou que outro laudo encomendado pela estatal apontou o aluguel negociado no Edifício Ventura como abaixo da média de mercado. Esse laudo tomou como base 12 ofertas de salas e andares comerciais, todas no próprio Ventura, segundo a BandNews FM.

Imóvel próprio em Botafogo entra no debate

A mudança também se conecta ao futuro do prédio próprio da Dataprev em Botafogo. A empresa mantém instalação na Rua Prof. Álvaro Rodrigues, 460, no Rio de Janeiro, conforme a página oficial de endereços da estatal.

Em RFI nº 05/2024, o BNDES identificou o ativo como Edifício Waldir Pires, com 22.782 m² de área construída, torre única, subsolo, térreo, pavimentos de garagens, 13 pavimentos e pavimento de equipamento, totalizando 20 pavimentos. A mesma RFI informou que o projeto de rentabilização do imóvel deveria identificar alternativas de transferência da propriedade ou da posse do bem e necessariamente prever operação imobiliária para ocupação de novo imóvel pela Dataprev.

Segundo a BandNews FM, documentos indicam que a viabilidade da mudança depende da venda do prédio próprio em Botafogo, avaliado pela Caixa Econômica Federal em R$ 115,5 milhões em 2019, com valor mínimo aprovado pelo conselho de R$ 112 milhões. A emissora também informou que, segundo o órgão federal, ainda não havia processo de venda em andamento porque a medida dependia da conclusão das obras de readequação no novo prédio no Centro e em outro imóvel da estatal no Cosme Velho.

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Mercado imobiliário corporativo do Rio de Janeiro

A escolha ocorre em um momento de retomada gradual do mercado imobiliário corporativo no Rio de Janeiro, especialmente no Centro. O Metro Quadrado informou que o contrato da Dataprev no Ventura Corporate Towers envolve cerca de 10 mil m² distribuídos por seis andares interligados, três na torre leste e três na torre oeste. A publicação também informou que o Ventura fica na Avenida Chile, ao lado das sedes da Petrobras e do BNDES.

O edifício foi entregue em 2010, desenvolvido pela Tishman Speyer em parceria com Camargo Corrêa e Método Engenharia, segundo o Metro Quadrado. A Brookfield adquiriu 78% do Ventura em 2022, e o restante pertence à UFRJ. No primeiro trimestre de 2026, antes da locação da Dataprev, a vacância do Ventura girava em torno de 26%, com cerca de 14 mil m² disponíveis em cada torre.

Vacância, aluguel pedido e grandes ocupantes

A Cushman & Wakefield registrou, no mercado de escritórios classe A CBD do Rio de Janeiro no primeiro trimestre de 2026, vacância total de 25,40%, absorção líquida de 11.335 m² e aluguel pedido médio de R$ 79,14 por m² ao mês. No submercado RJ Centro, foram registrados 31 edifícios, inventário de 735.272 m², área disponível de 171.393 m², vacância de 23,31%, absorção líquida de 10.024 m² e aluguel pedido médio de R$ 83,90 por m² ao mês.

A Newmark Brasil informou que, no primeiro trimestre de 2026, o mercado de escritórios corporativos de alto padrão do Rio teve absorção líquida de 21.000 m², absorção bruta de 38.700 m², vacância de 23,9% e aluguel pedido médio de R$ 79,87 por m² ao mês. A consultoria também apontou que os maiores aumentos de área ocupada se concentraram nos submercados Centro, Barra da Tijuca e Zona Sul, com transações lideradas pelos setores de serviços e governo.

O movimento já vinha aparecendo no fim de 2025. A JLL informou que o mercado corporativo do Rio encerrou o quarto trimestre daquele ano com vacância de 27,3%, queda de 1,6 ponto percentual ante o trimestre anterior e de 4,7 pontos percentuais na comparação anual. No mesmo trimestre, o Centro concentrou movimentos relevantes de ocupação, com Hapvida Saúde, Lockey Box e Rioluz em edifícios da região.

Transparência pública e custo dos imóveis

A Dataprev é uma empresa pública vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. Segundo o ministério, a estatal fornece soluções de TIC para políticas sociais e processa mensalmente 37 milhões de benefícios previdenciários, além de BPC, Abono Salarial e Seguro-Desemprego.

Por isso, a locação no Centro do Rio combina dois temas de interesse público: a reorganização patrimonial de uma estatal e a recuperação do mercado de imóveis corporativos na cidade. O contrato reforça a volta de grandes ocupantes ao Centro, mas mantém em aberto o debate sobre custo, IPTU, adequações, comparação com alternativas e a venda ainda não iniciada do imóvel próprio em Botafogo.

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