Justiça libera torre de 624 imóveis no Centro do Rio
Residencial Connect Square, da Patrimar, teve liminar revogada no Buraco do Lume e reacende debate sobre Reviver Centro.







A Justiça do Rio de Janeiro revogou em 26 de maio de 2026 a liminar que suspendia a licença municipal do Connect Square, residencial da Patrimar previsto para o Buraco do Lume, no Centro do Rio. A decisão, atribuída à juíza Neusa Regina Larsen de Alvarenga Leite, da 14ª Vara de Fazenda Pública, libera o andamento de um projeto com 624 unidades compactas, lojas no térreo e sem vagas de garagem.
O empreendimento fica em área ao lado da Praça Mário Lago, região historicamente disputada no Centro do Rio. A ação que havia paralisado a obra foi movida pelo deputado federal Chico Alencar, do PSOL, com questionamentos sobre o licenciamento ambiental e a retirada de árvores no terreno.
Justiça no Rio de Janeiro vê licença regular para imóveis no Buraco do Lume
Na decisão que derrubou a suspensão, a Justiça informou não identificar irregularidades no licenciamento. Segundo a cobertura publicada pela ADEMI-RJ com base no Diário do Rio, a sentença citou pareceres técnicos segundo os quais não haveria remoção de espécies da Mata Atlântica, além de medidas como transplante de árvores, redução de gabarito e preservação de exemplares de pau-brasil.
A liminar anterior havia sido concedida em 30 de abril de 2026 pelo juiz plantonista Marco Antonio Bution Perin. Naquele momento, foram suspensos os efeitos da licença da Prefeitura e da portaria da CET-Rio relacionada à remoção de 58 das 71 árvores existentes no local, conforme reportagem do Tempo Real RJ.
O ponto central da disputa envolve a relação entre política urbana, preservação ambiental e retomada de projetos residenciais no Centro. Para o mercado imobiliário, o caso é relevante porque combina escala, localização estratégica e enquadramento no Reviver Centro.
Connect Square terá 624 unidades no mercado imobiliário do Centro
O Connect Square é apresentado como empreendimento da Patrimar integrado ao programa Reviver Centro. O projeto foi descrito como uma torre residencial com até 24 andares, 624 unidades compactas, entre estúdios e apartamentos de dois quartos, quatro lojas no térreo e nenhuma vaga de garagem.
Há, porém, um ajuste importante no histórico do projeto. Reportagem do Diário do Rio publicada em 27 de abril de 2026 informou que a proposta foi reduzida para 20 andares, mantendo 624 apartamentos, sem garagem e com lojas no térreo. O mesmo texto apontou que o desenho original previa 24 pavimentos e 720 unidades, mas foi reduzido após solicitações do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade para preservar a ambiência urbana e limitar o gabarito à altura do Edifício Garagem Menezes Cortes.
Na página oficial da incorporadora, consultada em 4 de junho de 2026, a Patrimar classifica o Connect Square como “breve lançamento” no Centro do Rio. A empresa informa studios e apartamentos de 1 e 2 quartos, unidades tipo com varanda e metragens de 23 a 59 m².
Endereço, transporte público e ausência de garagem
A Patrimar informa o endereço do empreendimento como Avenida Graça Aranha, 429, Centro, Rio de Janeiro/RJ, e o lounge de vendas como Rua São José, 54, também no Centro. A empresa afirma que o terreno fica próximo ao Largo da Carioca e conta com oferta de metrô, VLT e ônibus.
A ausência de vagas de garagem é um dos elementos que aproximam o projeto da lógica de adensamento residencial associada ao transporte público. No caso do Connect Square, a aposta comercial se apoia em unidades compactas em uma região servida por modais urbanos, característica que pesa na discussão sobre reocupação do Centro do Rio.
Reviver Centro dá contexto à nova torre no Rio de Janeiro
O Reviver Centro foi instituído por legislação sancionada em 14 de julho de 2021 pelo prefeito Eduardo Paes. Na ocasião, a Prefeitura do Rio informou que projetos residenciais ou mistos com pelo menos 60% de unidades residenciais teriam isenção de taxas de licenciamento de obras e redução de ITBI para a primeira compra.
O programa busca estimular a presença de moradia em uma área tradicionalmente marcada por uso comercial e institucional. Segundo relatório municipal de março de 2026, o Reviver Centro registrava 74 licenças emitidas, com 7.818 unidades totais, das quais 7.733 residenciais e 85 não residenciais. O mesmo levantamento apontou 451.132,83 m² de área total construída licenciada.
Esses números ajudam a dimensionar o peso do Connect Square dentro do ciclo recente de novos imóveis no Centro. Com 624 unidades, o empreendimento representa um projeto de grande escala em um território onde a política pública tenta reorganizar a ocupação urbana.
Terreno tem versões diferentes sobre área informada
A cobertura jornalística descreve o terreno do Buraco do Lume como área de cerca de 6 mil m², com ocupação prevista de pouco mais de 2,5 mil m² pela torre. Já a página oficial da Patrimar lista “2.517,03 m² de terreno” para o Connect Square.
A diferença entre as informações reforça a necessidade de leitura cuidadosa dos documentos e das fontes públicas sobre o licenciamento. O que está confirmado nas fontes disponíveis é que a Justiça revogou a liminar, não identificou irregularidade no licenciamento segundo a decisão noticiada e citou medidas técnicas relacionadas à vegetação e ao gabarito.
O que a decisão sinaliza para o mercado imobiliário
A liberação judicial não encerra o debate público sobre o uso do Buraco do Lume, mas recoloca o empreendimento no centro da agenda imobiliária do Rio de Janeiro. O caso reúne interesses de incorporadoras, política urbana, preservação ambiental e o objetivo municipal de ampliar moradia no Centro.
Para compradores, investidores e moradores, o Connect Square tende a ser acompanhado como um termômetro do Reviver Centro. A combinação de unidades compactas, térreo comercial, localização próxima ao transporte público e ausência de garagem mostra como parte do mercado imobiliário está tentando reposicionar o Centro do Rio como endereço residencial.



























