Loteamentos esfriam no Brasil, mas cidades médias ganham força
Relatório GRI/Brain/AELO mostra queda em lançamentos e vendas no 1T26, com estoque menor e foco em interiorização.







O mercado de loteamentos no Brasil entrou em 2026 em ritmo mais cauteloso, mas sem sinal de excesso de oferta. No 1º trimestre de 2026, foram lançados 22,2 mil lotes no país, queda de 23% frente ao 1º trimestre de 2025, segundo o relatório “Loteamentos & Comunidades Planejadas”, publicado pelo GRI Institute em 11 de junho de 2026 com dados da Brain Inteligência Estratégica para a AELO.
As vendas também recuaram: somaram 31,8 mil lotes no 1T26, baixa de 16% na comparação anual. O VGV nacional ficou em R$ 8,4 bilhões no trimestre, abaixo dos R$ 9,4 bilhões registrados entre janeiro e março de 2025. Ao mesmo tempo, o estoque disponível caiu para 155,9 mil lotes, redução de 6% contra o 4T25 e de 12% em um ano. O prazo de escoamento ficou em 14,7 meses.
Mercado imobiliário no Brasil ajusta lançamentos e estoques
O dado central do relatório é o paradoxo entre desaceleração e ajuste. A queda dos lançamentos e das vendas indica um mercado menos aquecido no início de 2026, mas a redução do estoque sugere que o setor não acumulou oferta em excesso. No acumulado de 12 meses até março de 2026, os lançamentos chegaram a 119 mil lotes.
A distribuição regional mostra forte concentração no Sudeste. A região respondeu por 47% dos lotes lançados no Brasil no 1T26, seguida pelo Centro-Oeste, com 23%, e pelo Norte, com 8,6%. Nas vendas, o Sudeste concentrou 46% do total nacional, enquanto o Centro-Oeste ficou com 17%.
Loteamentos abertos sustentam tese de cidades médias
Os loteamentos abertos representaram 63,5% dos lançamentos nacionais no 1º trimestre de 2026. O preço médio nacional desse tipo de produto foi de R$ 597 por metro quadrado, com queda de 0,3% em relação ao trimestre anterior. Já os loteamentos fechados tiveram preço médio nacional de R$ 1.059 por metro quadrado, retração trimestral de 8%.
Esse perfil ajuda a explicar por que a interiorização e as cidades médias aparecem como tese para 2026. Sem criar uma leitura além dos dados, o relatório mostra que o produto aberto, mais presente nos lançamentos e com preço médio inferior ao fechado, ganhou peso em um momento de ajuste do mercado imobiliário de imóveis em loteamentos.
São Paulo e Campinas lideram o mapa dos loteamentos
No Estado de São Paulo, foram lançados 27 empreendimentos e 7,2 mil lotes no 1T26, queda de 19% ante o mesmo período de 2025. As vendas paulistas chegaram a 10,3 mil lotes no trimestre, recuo de 21% na comparação anual.
Campinas se destacou dentro do mercado paulista: respondeu por 11 empreendimentos e 2,7 mil unidades lançadas no 1T26. O desempenho reforça a relevância regional já observada em levantamento anterior divulgado por Secovi-SP, AELO e Brain, segundo o qual a região de Campinas liderou o mercado paulista em 2024, com 18,3 mil lotes lançados, VGL de R$ 4,327 bilhões, 17,7 mil unidades vendidas e VGV de R$ 4,144 bilhões.
Preços em loteamentos abertos e fechados
Nas 81 cidades paulistas pesquisadas desde abril de 2020, foram lançadas 214,5 mil unidades. Desse total, 52,1 mil permaneciam em comercialização, com taxa de disponibilidade de 24,3%. Do estoque paulista, 62,9% estavam em loteamentos abertos e 37,1% em loteamentos fechados.
Em São Paulo, o preço médio ponderado dos terrenos em loteamentos abertos atingiu R$ 703 por metro quadrado no 1T26, alta de 5% contra o trimestre anterior. Nos loteamentos fechados paulistas, o preço médio chegou a R$ 1.261 por metro quadrado, avanço trimestral de 4%.
As regiões administrativas paulistas com preço médio por metro quadrado acima da média estadual em loteamentos abertos foram São José dos Campos, Região Metropolitana de São Paulo, Campinas e Itapeva. Em loteamentos fechados, ficaram acima da média paulista a Região Metropolitana de São Paulo, Ribeirão Preto, Campinas e Franca.
Juros, inflação e renda entram no cálculo dos imóveis
O pano de fundo macroeconômico segue importante para a decisão de compra de imóveis e para novos projetos. O Copom reduziu a Selic para 14,50% ao ano em 29 de abril de 2026, com corte de 0,25 ponto percentual. No Boletim Focus divulgado em 8 de junho de 2026, o mercado financeiro projetava Selic de 13,5% ao fim de 2026.
Na inflação, o IPCA de abril de 2026 foi de 0,67%, acumulando 2,60% no ano e 4,39% em 12 meses. O INCC-M, indicador ligado a custos da construção, subiu 0,77% em maio de 2026 e acumulou 6,82% em 12 meses.
O mercado de trabalho também compõe esse quadro. A taxa de desocupação brasileira foi de 5,8% no trimestre encerrado em abril de 2026, com 6,3 milhões de pessoas desocupadas. O rendimento real habitual de todos os trabalhos ficou em R$ 3.732 no mesmo período.
Leitura para 2026: ajuste sem excesso de oferta
O retrato do 1T26 é de esfriamento nos lançamentos e nas vendas de loteamentos no Brasil, mas acompanhado por queda de estoque e prazo de escoamento de 14,7 meses. Para incorporadores, investidores e compradores, o ponto de atenção está na combinação entre preço, localização e liquidez, especialmente em cidades médias e regiões do interior que seguem relevantes no mapa dos loteamentos.
Fontes
- GRI Institute/Brain/AELO - Loteamentos & Comunidades Planejadas
- InvestSP - Campinas lidera mercado de loteamentos no Estado
- Banco Central do Brasil - Copom reduz Selic em 29/04/2026
- Agência Brasil - Boletim Focus projeta Selic para 2026
- IBGE - IPCA de abril de 2026
- FGV - INCC-M de maio de 2026
- IBGE - Desemprego no trimestre encerrado em abril de 2026



























