Mansão de R$ 220 mi vira condomínio no Leblon
Imóvel no Jardim Pernambuco será demolido para dar lugar ao Estância Pernambuco; leilão reúne obras e milhares de lotes.







Uma mansão negociada por R$ 220 milhões no Jardim Pernambuco, no Leblon, Rio de Janeiro, será demolida para dar lugar ao condomínio de luxo Estância Pernambuco. O caso ganhou novo capítulo com o esvaziamento do imóvel: em um quarto trancado, foi encontrada uma escultura atribuída a Constantin Brancusi, com lance inicial informado de R$ 400 mil, além de uma tapeçaria original de Jean-Michel Basquiat.
O segundo leilão associado ao acervo da casa foi marcado para 9 de junho. Segundo o Estação Rio, o evento reuniria cerca de 1.600 itens ainda em catalogação pelo leiloeiro Ernani. Em consulta recente, a plataforma LeilõesBR Prime listava o “Leilão Estancia Pernambuco, segunda parte”, da Ernani Leiloeiro Oficial, com agenda entre 9 e 23 de junho, às 15h, e total de 2.029 lotes.
Imóveis de luxo no Leblon: de mansão familiar a condomínio
A casa pertencia à família Amaral, fundadora do Supermercado Disco, e foi negociada com a construtora Mozak por R$ 220 milhões, conforme o Estação Rio. O terreno tem 11 mil m², segundo a Exame, que apresentou o Estância Pernambuco como um condomínio de até oito mansões exclusivas com design personalizado.
Há, porém, divergência pública sobre o número final de unidades. A Exame publicou, em dezembro de 2024, a previsão de até oito mansões. Já a Veja Rio informou, em texto de dezembro de 2025 atualizado em março de 2026, que Isaac Elehep, presidente da Mozak, disse que o projeto passaria de oito casas para dez casas.
Estância Pernambuco terá casas milionárias no Jardim Pernambuco
O projeto arquitetônico do futuro condomínio foi associado a Thiago Bernardes. A Exame informou que os terrenos começavam em R$ 19,5 milhões. A imobiliária Realler listou o Estância Pernambuco como empreendimento da Mozak em construção, com casas de 700 m² a 2.000 m², cinco quartos, cinco suítes, entrega em maio de 2027 e preço a partir de R$ 27 milhões.
Também há diferenças nas previsões de prazo já publicadas. A Exame informou, em dezembro de 2024, que a expectativa inicial era de primeiros moradores em 2027. A Veja Rio informou depois que a previsão de entrega do Estância Pernambuco era o primeiro semestre de 2028.
A mesma reportagem da Veja Rio registrou que, após mudança do desenho comercial, as casas partiriam de cerca de metade dos R$ 50 milhões inicialmente orçados para oito unidades. O dado reforça como a formatação do empreendimento ainda aparece em versões diferentes nas informações públicas disponíveis.
A mansão do Leblon antes da demolição
A casa atual foi descrita pela Agência O Globo, via Tribuna do Sertão, como uma construção em estilo inglês, com aproximadamente 2,5 mil m² de área construída, seis suítes, 18 banheiros, 15 vagas de garagem, salas de estar e jantar, estúdio de música, sala de reunião, biblioteca, sauna, churrasqueira e piscina semiolímpica.
O imóvel também foi descrito com sótão de madeira, elevador em um dos três salões sociais e galeria com pé-direito duplo de quase sete metros. O jardim foi atribuído a Burle Marx e abriga o heliponto particular descrito pela reportagem como o único do Rio homologado até 2032 pela Agência Nacional de Aviação Civil.
Segundo a mesma cobertura, a propriedade ocupa 22% da área total do terreno, fator apontado como condição que permite dividir a área em novos lotes. Essa característica ajuda a explicar por que uma residência única, ainda que excepcional, passou a ser vista como base para um novo produto imobiliário de alto padrão.
Leilão, arte e acervo: o outro valor da propriedade
O esvaziamento da mansão revelou uma camada adicional de valor: o acervo. A escultura atribuída a Constantin Brancusi, artista romeno nascido em 1876 e morto em 1957, teve lance inicial informado de R$ 400 mil. A cobertura também apontou a localização de uma tapeçaria original de Jean-Michel Basquiat no imóvel.
O primeiro leilão ligado ao acervo da mansão já havia sido descrito pelo site Ze Ronaldo como comemorativo dos 120 anos da Ernani Leiloeiros, com mais de 2 mil lotes e cerca de 10 mil peças, incluindo pinturas, esculturas, mobiliário de época, pratarias, porcelanas, imagens sacras, cristais, tapetes, luminárias e biblioteca. A Veja Rio informou que o leilão anterior incluiu obras de Portinari, Beatriz Milhazes e Guignard, além de louças e taças.
Mercado imobiliário, imóveis e IPTU no Leblon, Rio de Janeiro
O caso se insere em um dos endereços mais caros do mercado imobiliário carioca. Em maio de 2026, o Leblon tinha preço médio de R$ 27.068 por m², segundo levantamento da MySide com base no Índice FipeZAP. No mesmo mês, o preço médio da cidade do Rio de Janeiro era de R$ 10.982 por m², com variação mensal de 0,40% e alta de 4,02% em 12 meses, conforme a MySide/FipeZAP.
Para compradores, investidores e observadores de transparência pública, empreendimentos desse porte no Leblon dialogam com temas como preço dos imóveis, valorização urbana, uso do solo e custos patrimoniais, entre eles o IPTU. No caso do Estância Pernambuco, os dados já publicados mostram uma transição rara: uma mansão de R$ 220 milhões, com heliponto e acervo artístico expressivo, dando lugar a um condomínio de altíssimo padrão no Jardim Pernambuco.
Fontes
- Estação Rio, 01/06/2026
- Agência O Globo via Tribuna do Sertão, 01/06/2026
- LeilõesBR Prime, junho/2026
- Exame, 13/12/2024
- Veja Rio, 12/12/2025, atualizada em 02/03/2026
- Realler Imóveis, consulta em 2026
- Ze Ronaldo, 27/11/2025
- MySide/FipeZAP, bairros mais caros do Rio, maio/2026
- MySide/FipeZAP, valor do m² no Rio, maio/2026



























