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MCMV já responde por 49% das vendas de imóveis novos no Brasil

Levantamento da CBIC em 221 cidades mostra 54.510 unidades do Minha Casa, Minha Vida vendidas no 1º trimestre de 2026.

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O Minha Casa, Minha Vida voltou a ocupar posição central no mercado imobiliário do Brasil. No 1º trimestre de 2026, o programa respondeu por 49% das vendas de imóveis residenciais novos no país, com 54.510 unidades comercializadas, dentro de um total de 110.722 unidades vendidas no período.

Os dados fazem parte do levantamento da CBIC/CII, realizado pela Brain Inteligência Estratégica e divulgado em 25/05/2026. A pesquisa cobriu 221 cidades, incluindo as 27 capitais e suas regiões metropolitanas, e mostra um mercado que manteve vendas em alta na comparação anual, apesar do patamar elevado da Selic ao fim do trimestre.

Minha Casa, Minha Vida sustenta vendas de imóveis no Brasil

As vendas totais de imóveis residenciais novos cresceram 4,1% frente ao 1º trimestre de 2025. Em relação ao 4º trimestre de 2025, porém, houve queda de 2,6%, sinal de acomodação no início do ano.

O dado mais relevante é a força do MCMV dentro desse desempenho. Quase uma em cada duas unidades vendidas no mercado residencial novo no Brasil esteve ligada ao programa, que somou 54.510 vendas no trimestre. O resultado ajuda a explicar por que as vendas cresceram mesmo em um ambiente de juros ainda restritivo.

No fim do 1º trimestre de 2026, a Selic estava em 14,75% ao ano, após decisão do Copom de 18/03/2026 que reduziu a taxa de 15,00% para 14,75%. Depois do fechamento do trimestre, em 29/04/2026, o Copom reduziu novamente a taxa, para 14,50% ao ano, com vigência a partir de 30/04/2026.

Lançamentos caem, mas mercado imobiliário mantém tração

O paradoxo do trimestre está nos lançamentos. Enquanto as vendas subiram na comparação anual, os lançamentos residenciais somaram 97.802 unidades no 1º trimestre de 2026, queda de 4,9% ante o 1º trimestre de 2025 e recuo de 32,1% ante o 4º trimestre de 2025.

Dentro desse total, o MCMV respondeu por 48.648 unidades lançadas, enquanto os demais padrões somaram 49.154 unidades. A divisão mostra que o programa também segue relevante do lado da oferta, não apenas das vendas.

O Valor Geral de Vendas do mercado residencial novo foi de R$ 65,9 bilhões no 1º trimestre de 2026. O montante representa alta real de 0,5% ante o 1º trimestre de 2025 e queda de 6,1% ante o 4º trimestre de 2025, em valores atualizados pelo INCC-DI.

Centro-Oeste lidera avanço nos lançamentos de imóveis

A leitura regional revela diferenças importantes no mercado imobiliário. Na distribuição dos lançamentos totais, o Centro-Oeste passou de 4.916 unidades no 1º trimestre de 2025 para 6.799 unidades no 1º trimestre de 2026, alta de 38,3%, o maior avanço regional informado no levantamento.

No 1º trimestre de 2026, os lançamentos totais somaram 3.126 unidades no Norte, 19.789 no Nordeste, 6.799 no Centro-Oeste, 50.005 no Sudeste e 18.083 no Sul. Na composição por padrão, o MCMV representou 83% dos lançamentos no Norte, 64% no Nordeste, 48% no Centro-Oeste, 54% no Sudeste e 17% no Sul.

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Nas vendas totais por região, o Norte comercializou 3.422 unidades, alta de 11,1% ante o 1º trimestre de 2025. O Nordeste vendeu 22.202 unidades, alta de 3,0%; o Centro-Oeste, 6.199 unidades, alta de 10,9%; o Sudeste, 55.996 unidades, alta de 5,2%; e o Sul, 22.903 unidades, queda de 0,05%.

Oferta de imóveis e peso do MCMV nas regiões

A oferta final disponível somou 350.891 unidades no 1º trimestre de 2026, alta de 8,2% ante o 1º trimestre de 2025 e queda de 3,5% ante o 4º trimestre de 2025. Dentro desse estoque, o MCMV tinha 129.687 unidades disponíveis, enquanto os demais padrões reuniam 221.204 unidades.

Na oferta final por região, o MCMV representou 52% no Norte, 42% no Nordeste, 31% no Centro-Oeste, 46% no Sudeste e 17% no Sul. O escoamento da oferta final do programa foi estimado em 7,6 meses no 1º trimestre de 2026.

No acumulado de 12 meses encerrado em março de 2026, foram vendidas 438.012 unidades residenciais novas no Brasil. Desse total, 223.670 ficaram no Sudeste, 93.366 no Sul, 83.916 no Nordeste, 23.851 no Centro-Oeste e 13.209 no Norte.

Regras do MCMV e contexto econômico

O peso do programa ocorre em meio a mudanças de enquadramento e ampliação de faixas. O Ministério das Cidades informou em página atualizada em 17/04/2026 que o MCMV Classe Média atende famílias com renda até R$ 13 mil, financia imóveis de até R$ 600 mil, tem taxa nominal de 10,00% ao ano e prazo máximo de 420 meses.

O mesmo ministério publicou em 01/04/2026 que as faixas urbanas do MCMV passaram a admitir renda mensal de até R$ 3.200 na Faixa Urbano 1, de R$ 3.200,01 a R$ 5.000 na Faixa Urbano 2 e de R$ 5.000,01 a R$ 9.600 na Faixa Urbano 3.

Outros indicadores também apontam a relevância do segmento. Os indicadores Abrainc-Fipe divulgados em abril de 2026 mostraram alta de 19,3% nos lançamentos imobiliários no acumulado de 12 meses encerrado em janeiro de 2026, com avanço de 20,8% no MCMV e de 11,1% no Médio e Alto Padrão. Nas vendas em unidades, houve alta de 4,1% no mesmo período; o MCMV subiu 11,8%, enquanto o Médio e Alto Padrão caiu 17,6%.

Nos preços, o Índice FipeZAP de Venda Residencial registrou alta de 0,51% em abril de 2026, avanço acumulado de 1,53% em 2026, alta de 5,63% em 12 meses e preço médio de R$ 9.769 por metro quadrado. Já o PIB do Brasil cresceu 1,1% no 1º trimestre de 2026 ante o 4º trimestre de 2025, e a atividade de construção avançou 2,9% na mesma comparação, com ajuste sazonal.

O retrato do trimestre é de um mercado imobiliário em que o MCMV funciona como principal eixo de sustentação das vendas de imóveis novos no Brasil. A combinação entre demanda concentrada no programa, oferta regionalmente desigual e juros ainda altos ajuda a explicar por que o setor vendeu mais, mesmo lançando menos.

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