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Radar 2026: Fortaleza, Curitiba e Brasília redesenham imóveis no Brasil

Relatório mostra otimismo seletivo no mercado imobiliário, com juros altos, repasse de custos e nova força regional em lançamentos.

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O mercado imobiliário no Brasil entrou em 2026 em uma fase descrita como de otimismo seletivo, segundo análise publicada pela Exame em 2 de julho com base no Radar da Construção, elaborado pelo Ecossistema Sienge, CV CRM e Grupo OLX, com participação da Nomad. O estudo combina indicadores de custos, preços de lançamentos e intenção de compra para mostrar que Fortaleza, Curitiba e Brasília ganharam peso no mapa dos imóveis em um ambiente de crédito mais caro e maior risco para incorporadoras.

Na fotografia macroeconômica usada pelo Radar, a Selic projetada era de 12,50% ao ano, com inflação de 4,31%, PIB de 1,85% e câmbio de R$ 5,40. O cenário mais recente do Boletim Focus do Banco Central, de 3 de julho de 2026, apontava IPCA de 5,30%, PIB de 1,99%, câmbio de R$ 5,20 e Selic de 14,00% ao ano para 2026.

Mercado imobiliário no Brasil: juros altos elevam o custo de errar

A página oficial do Sienge descreve o Radar da Construção como uma análise semestral que cruza dados macroeconômicos, custos de produção, preços de lançamentos e intenção real de compra do consumidor. Segundo o InfraROI, a primeira edição foi lançada durante o Construsummit 2026, em Florianópolis, e combina indicadores como INCC-FGV, IPMC-Sienge, IDI-Sienge, ILI-Grupo OLX e dados do Anuário DataZAP.

O ponto central do relatório é que a decisão sobre praça, produto e timing ficou mais sensível. Com juros elevados, inflação pressionando orçamento e custos de obra oscilando, o espaço para erro diminui. A consequência aparece nos preços dos imóveis novos: o ILI DataZAP registrou alta média de 10,06% nos lançamentos imobiliários em 12 meses, acima do INCC acumulado de 6,17% citado no mesmo recorte do Radar.

Preços dos imóveis e custos de construção pressionam lançamentos

O preço médio geral dos lançamentos nas regiões monitoradas chegou a R$ 12.849,63 por metro quadrado, conforme a Exame. A leitura do Radar indica que parte da pressão de custos foi repassada aos imóveis lançados, mas esse movimento ocorreu de forma desigual entre materiais e mercados.

Nos 12 meses encerrados em maio de 2026, o IPMC-Sienge apontou alta de 30,72% no fio de cobre e de 14,96% no cimento, segundo o InfoMoney. No mesmo recorte, aço caiu 0,63% e argamassa caiu 2,30%. Já a FGV informou que o INCC-M acumulado em 12 meses era de 6,82% em maio de 2026 e de 6,71% em junho de 2026.

Fortaleza lidera imóveis econômicos no Radar 2026

Entre as cidades monitoradas, Fortaleza aparece como um dos destaques mais fortes do Radar. A capital cearense liderou o segmento econômico pelo quinto trimestre consecutivo e registrou valorização trimestral de 62,60% nesse segmento, segundo a análise da Exame.

O preço médio dos lançamentos em Fortaleza alcançou R$ 12.936,31/m². No levantamento do ILI DataZAP citado pelo InfoMoney, a cidade também teve valorização anual de 52,73% nos lançamentos monitorados. O desempenho reforça a leitura de que o crescimento dos imóveis em 2026 não está concentrado apenas nos mercados tradicionalmente mais caros.

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Curitiba, Brasília e Centro-Oeste ganham espaço no mercado imobiliário

Curitiba apareceu no médio padrão logo atrás de São Paulo e também figurou entre as líderes do padrão econômico, com preço médio de lançamentos de R$ 13.914,94/m². O resultado coloca a capital paranaense em posição de destaque em mais de uma faixa de produto.

Brasília, por sua vez, liderou o segmento de alto padrão no Radar e subiu para a quinta posição do IDI no padrão econômico, segundo a Exame. O desempenho da capital federal ajudou o Centro-Oeste a ocupar duas das três primeiras posições no alto padrão, sinalizando uma redistribuição regional da procura e da atratividade para lançamentos.

Outras praças entram no radar dos imóveis

Maringá e Itajaí entraram no top 10 do médio padrão por alta procura ativa. Goiânia manteve posições de destaque nesse mesmo segmento. Florianópolis ficou em 12º lugar no IDI econômico, mas teve valorização anual de 26,13% e preço médio de R$ 17.706,51/m².

O Rio de Janeiro teve o maior preço médio por metro quadrado entre as regiões monitoradas, com R$ 19.445,44/m², segundo a Exame. Também liderou a valorização anual dos lançamentos monitorados pelo ILI DataZAP, com alta de 68,51% em 12 meses, conforme o InfoMoney. São Paulo, no mesmo período citado pelo InfoMoney, teve preços praticamente estáveis.

Consumidor pesquisa mais e compara imóveis usados

O comportamento do comprador ajuda a explicar por que o Radar fala em seletividade. Segundo o Anuário DataZAP citado pela Exame, 82% dos consumidores estavam nas etapas iniciais da jornada de compra: 30% em descoberta e 52% em busca ativa. O mesmo recorte informou que 91% consideravam imóveis usados e 16% avaliavam lançamentos na planta ou em construção.

O comprador médio em 2026 tinha renda domiciliar mensal de R$ 7.371,54, concentração nas classes B e C e tempo médio de três meses de busca pelo imóvel. A Exame também informou que 48% dos compradores realizavam a primeira compra.

Fechamento: crescimento seletivo nos imóveis do Brasil

O Radar 2026 mostra um mercado imobiliário brasileiro em crescimento, mas sem espaço para leituras homogêneas. Fortaleza, Curitiba e Brasília puxam movimentos relevantes em segmentos distintos, enquanto custos, juros e comportamento do consumidor tornam mais rigorosa a escolha de onde lançar, para quem vender e a que preço. Para incorporadoras e compradores, o mapa dos imóveis no Brasil ficou mais regional, mais comparativo e mais dependente de precisão.

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