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Rio de Janeiro fixa terra nua em até R$ 9.085/ha

Tabela de VTN de 2026 expõe diferença de 4,39 vezes entre áreas rurais e orienta parâmetros do ITR no estado.

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O Estado do Rio de Janeiro publicou em 9 de junho de 2026 a tabela oficial do Valor Médio por hectare da Terra Nua, o VTN, para os 92 municípios fluminenses, com posição de mercado em 1º de janeiro de 2026. A Resolução SEAPA nº 19, de 3 de junho de 2026, fixa valores que vão de R$ 2.070 por hectare a R$ 9.085 por hectare, dependendo do município e da aptidão da terra.

A diferença entre o maior e o menor valor chega a R$ 7.015 por hectare. Na prática, o teto da tabela equivale a 4,39 vezes o piso, um retrato do fosso de referência para imóveis rurais no mercado imobiliário fluminense.

VTN no Rio de Janeiro orienta ITR e avaliações de imóveis rurais

Segundo a Receita Federal, os Valores de Terra Nua são parâmetros usados na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, o ITR. A tabela estadual também organiza uma referência administrativa para avaliar a terra isoladamente, sem confundir o valor do solo com estruturas ou atividades implantadas.

A resolução explicita que o VTN exclui construções, instalações, benfeitorias, culturas permanentes e temporárias, pastagens cultivadas e melhoradas e florestas plantadas. Ou seja, o valor publicado busca medir a terra nua, não o preço de uma fazenda equipada nem de um imóvel rural em plena operação produtiva.

Campos e Quissamã lideram a tabela de terra nua

O maior valor registrado na tabela fluminense é de R$ 9.085 por hectare para lavoura de aptidão boa em Campos dos Goytacazes, código IBGE 3301009, e em Quissamã, código IBGE 3304151. Os dois municípios aparecem no topo da referência estadual para essa categoria de uso.

Os dados ajudam a contextualizar o peso agrícola dessas áreas. Campos dos Goytacazes tinha 483.540 habitantes no Censo 2022. Na Produção Agrícola Municipal de 2024, o município registrou R$ 211,782 milhões em valor de produção de lavouras temporárias, com R$ 170,868 milhões vindos da cana-de-açúcar e R$ 35,220 milhões do abacaxi.

Quissamã, por sua vez, tinha 22.393 habitantes no Censo 2022. Na PAM 2024, o município registrou R$ 3,803 milhões em valor de produção de lavouras temporárias, dos quais R$ 2,595 milhões vieram da cana-de-açúcar e R$ 1,157 milhão da mandioca.

Menor VTN fica em áreas de silvicultura, pastagem natural e preservação

Na outra ponta, o menor valor identificado na tabela é de R$ 2.070 por hectare. Esse patamar aparece para silvicultura/pastagem natural e para preservação da fauna ou flora em Engenheiro Paulo de Frontin, código IBGE 3301801, e Trajano de Morais, código IBGE 3305901.

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A comparação entre os extremos mostra que a aptidão da terra e a localização municipal alteram significativamente a referência oficial. A tabela não informa, por si só, o preço final de uma transação imobiliária, mas estabelece um parâmetro público para a terra nua em cada recorte municipal e produtivo.

Município do Rio de Janeiro tem referência própria para imóveis rurais

No município do Rio de Janeiro, código IBGE 3304557, a tabela fixa R$ 6.895 por hectare para lavoura de aptidão boa. Para lavoura de aptidão regular, o valor é de R$ 5.745 por hectare; para lavoura de aptidão restrita, R$ 5.175 por hectare.

Nas demais categorias do município, a referência é de R$ 5.465 por hectare para pastagem plantada e de R$ 4.595 por hectare tanto para silvicultura/pastagem natural quanto para preservação da fauna ou flora. O município tinha 6.211.223 habitantes no Censo 2022.

Mercado imobiliário rural e produção agrícola no estado

No conjunto do Estado do Rio de Janeiro, a Produção Agrícola Municipal de 2024 registrou R$ 1,300 bilhão em valor de produção de lavouras temporárias. Os maiores valores foram tomate, com R$ 460,064 milhões, cana-de-açúcar, com R$ 321,757 milhões, e abacaxi, com R$ 283,610 milhões.

A tabela de VTN de 2026, assinada em Niterói por Felipe da Costa Brasil, secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, cobre os 92 municípios do estado, número que coincide com a lista oficial de municípios fluminenses mantida pelo IBGE.

Para proprietários, investidores e analistas de imóveis rurais, o ponto central é a transparência: o VTN não substitui uma avaliação completa de mercado, mas torna público um parâmetro oficial de terra nua usado em declarações e procedimentos administrativos. Em um estado com grande disparidade entre municípios e aptidões, a nova tabela mostra onde a referência oficial da terra rural é mais alta, onde é mais baixa e qual é a distância entre esses extremos.

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