Rio de Janeiro põe R$ 22,1 bi em obras até 2028
Plano da Prefeitura combina capital público e privado em mobilidade, urbanização, segurança e contenção de enchentes, com efeito no radar imobiliário.







A Prefeitura do Rio de Janeiro publicou em 9 de junho de 2026 um Plano de Investimentos de R$ 22,1 bilhões até 2028, apresentado pelo prefeito Eduardo Cavaliere ao Conselho da Cidade. O pacote reúne projetos estratégicos de modernização urbana, infraestrutura, segurança pública municipal e serviços à população, com recursos públicos e privados.
Para o mercado imobiliário, o plano importa menos como promessa genérica de obra e mais como um mapa de frentes de intervenção. Mobilidade, urbanização de grandes territórios populares, parques urbanos e prevenção a enchentes indicam bairros e corredores que podem ganhar nova leitura por compradores, incorporadores e proprietários de imóveis nos próximos anos.
Mercado imobiliário no Rio de Janeiro parte de preços elevados
O ponto de partida é um mercado já caro. O Índice FipeZAP de maio de 2026 registrou preço médio de venda residencial de R$ 10.982 por metro quadrado no Rio de Janeiro, com variação mensal de +0,40%, alta acumulada de +1,39% em 2026 e avanço de +4,00% em 12 meses. A amostra considerada foi de 196.694 anúncios.
Nos bairros mais representativos do levantamento, Leblon aparecia com R$ 27.068 por metro quadrado e alta de +8,2% em 12 meses; Ipanema, com R$ 25.719 e +5,3%; Lagoa, com R$ 17.353 e +1,4%; Barra da Tijuca, com R$ 14.233 e +5,6%; e Copacabana, com R$ 13.181 e +6,8%. Também constavam Botafogo, Flamengo, Laranjeiras, Recreio dos Bandeirantes e Tijuca.
Mobilidade concentra R$ 6,3 bi e mexe com o mapa de imóveis
A maior rubrica setorial do plano é a mobilidade urbana, com R$ 6,3 bilhões. A Prefeitura lista renovação da frota com 5 mil novos ônibus, ampliação do BRT, novos terminais de integração, ciclovias, motofaixas e reorganização do transporte público.
O secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, apresentou como metas a bilhetagem 100% eletrônica com o Jaé, a renovação total da frota em circulação e a entrega dos 5 mil ônibus até 2028. Em 25 de maio de 2026, a Prefeitura informou que 95% dos passageiros dos ônibus municipais já pagavam passagem por cartão ou aplicativo e que o dinheiro em espécie deixaria de ser aceito nos ônibus a partir de 30 de maio de 2026.
Esse conjunto é relevante para imóveis porque transporte costuma reorganizar tempos de deslocamento, acesso a centralidades e percepção de bairro. A pesquisa disponível não mede valorização futura, mas mostra que a administração municipal está direcionando recursos para a malha cotidiana da cidade, não apenas para áreas tradicionalmente associadas ao mercado de luxo.
Urbanização no Rio de Janeiro mira Rocinha, Maré, Alemão e Rio das Pedras
Infraestrutura e urbanização somam R$ 3,5 bilhões no plano geral. Entre os projetos citados estão Praça Onze Maravilha, Biblioteca dos Saberes e intervenções na Rocinha, Maré, Complexo do Alemão e Rio das Pedras.
Na Rocinha, o PAC Periferia Viva prevê R$ 350 milhões em obras de infraestrutura urbana, mobilidade, meio ambiente e qualidade de vida. O plano contempla intervenções em aproximadamente 280 mil metros quadrados, abertura de novas ruas e vias, obras de água, esgoto, drenagem e urbanização, além de um terminal de transporte de aproximadamente 3 mil metros quadrados.
No Complexo da Maré, o PAC Periferia Viva tem investimento previsto de R$ 171 milhões. A Prefeitura informou implantação do Parque Linear da Maré, reforma da sede da Gerência Executiva Local na Baixa do Sapateiro e obras de urbanização no território. Segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura, 11 mil domicílios serão impactados e 265 ruas receberão drenagem, rede de água, esgoto, asfaltamento e calçada em áreas como Nova Maré, Baixa do Sapateiro, Timbau e ruas ao longo da Avenida Ribeiro Dantas.
Enchentes, encostas e parques entram na conta imobiliária
A prevenção a enchentes receberá R$ 1,3 bilhão em obras estruturantes em Jardim Maravilha, Acari, Realengo e em projetos de contenção de encostas. O Plano Verão 25/26, apresentado em 23 de outubro de 2025, totalizou R$ 5,4 bilhões em investimentos desde 2021 no preparo da cidade para chuvas e calor, com R$ 2,8 bilhões no ciclo 25/26 e 151 obras em andamento ou contratação.
Em Jardim Maravilha, o PAC tem R$ 340 milhões, segunda fase de obras, dique de 3,4 quilômetros, reservatórios abertos para conter o Rio Cabuçu-Piraquê e previsão de impacto direto em aproximadamente 30 mil pessoas. Em Realengo, o PAC soma R$ 123,5 milhões, inclui um piscinão com capacidade aproximada de 20 milhões de litros, prazo de 24 meses para a obra do reservatório e previsão de beneficiar cerca de 205 mil moradores.
Na Bacia do Rio Acari, o plano prevê mais de R$ 430 milhões em limpeza, desassoreamento e obras do PAC, com 3,8 quilômetros de intervenções entre Acari e Jardim América, benefício direto a cerca de 80 mil pessoas e abrangência de nove bairros da Zona Norte: Acari, Costa Barros, Coelho Neto, Irajá, Barros Filho, Fazenda Botafogo, Jardim América, Pavuna e Colégio.
O PAC das Encostas reúne R$ 258 milhões, cerca de 330 intervenções quando somados recursos federais e municipais, benefício estimado a mais de meio milhão de pessoas e frentes em locais como Complexos do Lins, Penha, Alemão, Pavão-Pavãozinho, Cantagalo, Rio das Pedras, Jacarepaguá, Vila Valqueire e Tijuca.
Segurança, inovação e serviços completam o plano
O plano prevê R$ 1,6 bilhão para segurança pública municipal, dos quais R$ 1 bilhão vão para a Divisão de Elite da Guarda Municipal, chamada Força Municipal, com meta de 4.200 agentes nas ruas até 2028. A expansão da Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança Pública, a CIVITAS, terá R$ 600 milhões e meta de 20 mil câmeras inteligentes em operação.
A área de inovação e futuro terá R$ 5,1 bilhões para Governo Digital, Rio AI City e programas de geração de oportunidades e qualificação profissional. O pacote também inclui R$ 694 milhões para educação, R$ 216 milhões para saúde, R$ 318 milhões para habitação, R$ 268 milhões para urbanismo, R$ 1,4 bilhão em conservação urbana e R$ 156 milhões para programas sociais.
Há ainda R$ 534 milhões para criação e ampliação de parques urbanos, incluindo Terra Prometida, Fazenda Baronesa, Realengo e Oeste. Em Realengo, a Prefeitura formalizou em 18 de outubro de 2025 a compra de terrenos do Exército por cerca de R$ 50 milhões para duplicar o Parque Realengo Susana Naspolini, de 76 mil metros quadrados para 150 mil metros quadrados.
O efeito final sobre preços de imóveis dependerá da execução das obras, dos prazos e da resposta do mercado. O que já está documentado é a escala do plano: R$ 22,1 bilhões até 2028 em áreas que interferem diretamente na experiência urbana do Rio de Janeiro.
Fontes
- Prefeitura do Rio - Plano de investimentos de mais de R$ 22 bilhões
- Prefeitura do Rio - Pagamento por Pix e cartões nos ônibus
- Prefeitura do Rio - PAC Periferia Viva Rocinha
- Secretaria Municipal de Infraestrutura - PAC Periferia Viva Complexo da Maré
- Prefeitura do Rio - Plano Verão 25/26
- Rio-Águas - PAC Jardim Maravilha
- Rio-Águas - PAC Realengo
- Secretaria Municipal de Infraestrutura - Bacia do Rio Acari
- Secretaria Municipal de Infraestrutura - PAC das Encostas
- Prefeitura do Rio - Duplicação do Parque Realengo Susana Naspolini
- FipeZAP - Índice residencial de venda, maio de 2026



























