Balneário Camboriú lidera preço do m² no país, mas Itapema se aproxima
Diferença do metro quadrado entre as duas cidades catarinenses é de apenas R$ 6, enquanto a valorização de imóveis na região sofre forte desaceleração em 2026.







O topo do mercado imobiliário brasileiro está mais disputado do que nunca. De acordo com o mais recente Índice FipeZAP, referente ao mês de abril de 2026, a cidade de Balneário Camboriú permanece com o metro quadrado residencial mais caro do Brasil. No entanto, sua tradicional liderança está ameaçada: o preço médio de venda na cidade chegou a R$ 15.185/m², enquanto a vizinha Itapema encostou de forma inédita e marcou R$ 15.179/m². Uma diferença ínfima de apenas seis reais separa hoje os dois principais polos de alto padrão do litoral catarinense.
O levantamento da Fipe, uma das principais referências do setor, utiliza dados robustos de amostras de anúncios veiculados em grandes portais como Zap, Viva Real e OLX. O estudo, que acompanha apartamentos prontos em até 56 cidades brasileiras — incluindo 22 capitais —, evidencia um forte domínio da região Sul no topo do ranking. Hoje, o estado de Santa Catarina concentra nada menos que quatro das cinco cidades mais valorizadas do país, indicando um comportamento único desse polo imobiliário.
Mercado Imobiliário: O Domínio de Balneário Camboriú e Itapema
A corrida pela valorização dos imóveis mostra uma concentração clara. Atrás da intensa disputa entre Balneário Camboriú e Itapema, a capital capixaba Vitória ocupa o terceiro lugar geral, com preço médio de R$ 14.818/m². Fechando o top 5 do metro quadrado nacional, aparecem mais dois conhecidos municípios catarinenses: Florianópolis, em quarto lugar, custando R$ 13.208/m², e Itajaí, no quinto posto, a R$ 13.166/m².
Para se ter uma dimensão da força desse recorte regional, São Paulo, a principal e mais rica metrópole financeira do país, figura apenas na sétima colocação, apresentando um custo médio de R$ 12.019/m².
A vertiginosa aproximação de Itapema em direção ao primeiro lugar ocorreu ao longo dos primeiros meses do ano. Em janeiro de 2026, Balneário Camboriú sustentava a dianteira da amostra com R$ 15.030/m², seguida por Itapema custando R$ 14.944/m². Entre janeiro e abril, o metro quadrado em Itapema registrou um acréscimo nominal de R$ 235, superando a alta de R$ 155 verificada em Balneário Camboriú no mesmo intervalo. Essa dinâmica explica a diferença de apenas seis reais vista em abril.
Desaceleração: Preços de Imóveis Perdem Tração em 2026
Apesar de o litoral catarinense seguir ostentando o status de metro quadrado mais oneroso do país, a verdadeira virada trazida pelo novo relatório está na forte desaceleração do ritmo de alta. Os imóveis na região perderam tração real de preço quando comparados ao desempenho registrado no ano anterior.
No acumulado do primeiro quadrimestre (janeiro a abril) de 2026, Balneário Camboriú registrou valorização de apenas 1,30%. O número destoa fortemente da alta de 4,53% acumulada exatamente no mesmo período de 2025. Itapema também sofreu um freio perceptível: os preços subiram 2,15% neste início de ano, contra 3,91% na janela equivalente do ano passado. Já no vizinho mercado de Itajaí, o ritmo de valorização despencou de 5,61% nos quatro primeiros meses de 2025 para apenas 1,75% em 2026.
Analisando apenas o comportamento do mercado em abril de 2026, os números demonstram estabilização: Itapema teve alta mensal de 0,70%, Itajaí marcou 0,50% e Balneário Camboriú registrou módicos 0,25%. O índice da Fipe aponta que, em janelas de 12 meses (abril a abril), as cidades ainda sustentam altas respectivas de 8,10%, 4,83% e 3,92%, embora o ímpeto venha esfriando sistematicamente.
FipeZAP Nacional e o Cenário Macroeconômico
A desaceleração pontual no litoral de Santa Catarina reflete, de certa forma, o panorama nacional. Em abril de 2026, a média ponderada do Índice FipeZAP para o mercado imobiliário ficou em R$ 9.769/m². A variação média nacional medida foi de 0,51% no mês e de apenas 1,53% no acumulado dos quatro primeiros meses do ano.
Esse avanço limitado de 1,53% no ano revela perda de poder de compra frente à inflação de 2026. Segundo o documento divulgado, o IPCA-15, adotado no relatório como prévia da inflação oficial ao consumidor do IBGE, acumulou 2,83% entre janeiro e abril, superando a alta dos imóveis. Em contrapartida, avaliando o ciclo mais longo de 12 meses, a média nacional do FipeZAP ainda supera o índice de preços, acumulando alta de 5,63% ante uma inflação de 4,62% (IPCA).
O setor da construção civil e as vendas de ativos reais sentem o peso de uma conjuntura econômica marcada por juros restritivos. No final de abril de 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) realizou um corte modesto, reduzindo a taxa Selic em 0,25 ponto percentual e fixando os juros básicos em 14,5% ao ano. Diante de um ambiente de crédito encarecido e maior incerteza estrutural, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) revisou recentemente a sua projeção de crescimento do setor para o ano, que caiu de 2,0% para apenas 1,2%.



























