Belo Horizonte quer leiloar 6 lotes em bairros valorizados
Prefeitura mira terrenos no Santa Lúcia e no Belvedere; áreas podem somar mais de 3 mil m², mas ainda não há data para pregão.







A Prefeitura de Belo Horizonte pretende leiloar seis lotes públicos na Regional Centro-Sul, sendo cinco no bairro Santa Lúcia e um no Belvedere. Segundo reportagem de O Tempo, publicada em 23/05/2026, o maior terreno tem 811 m² e fica no Belvedere; os demais, no Santa Lúcia, variam de 322 m² a 447 m². Ainda não havia data para o pregão nem estimativa oficial de arrecadação.
A iniciativa chama atenção porque envolve imóveis públicos em bairros valorizados de Belo Horizonte, onde o metro quadrado pode superar R$ 13 mil, conforme cálculos de imobiliárias citados pela reportagem. A PBH informou ao jornal que os recursos arrecadados seriam destinados a áreas como saúde, educação, habitação e infraestrutura.
Leilão de imóveis em Belo Horizonte ainda depende de etapa com leiloeiros
O chamamento público para definição de leiloeiros foi publicado no Diário Oficial do Município em 18/05, segundo O Tempo. No portal de Licitações e Editais da PBH, consta o Chamamento Público nº 001/2025, voltado ao credenciamento de leiloeiros oficiais registrados na Jucemg para eventual realização de leilões de bens de competência do Município de Belo Horizonte.
Na prática, essa etapa indica a preparação administrativa para futuras vendas, mas não equivale a uma data marcada para o leilão dos seis lotes. A própria reportagem informa que, até sua publicação, não havia pregão agendado nem valor oficial de arrecadação estimado.
Santa Lúcia e Belvedere concentram lotes públicos valorizados
O lote de maior área citado pela reportagem fica no Belvedere, com 811 m². Os outros cinco estão no Santa Lúcia e têm entre 322 m² e 447 m². Como não há avaliação oficial divulgada, qualquer projeção de receita deve ser lida com cautela.
Um cálculo meramente aritmético, com base nas áreas informadas por O Tempo e no patamar de R$ 13 mil por metro quadrado citado na reportagem, mostra a escala potencial dos imóveis. Se os cinco lotes do Santa Lúcia tivessem 322 m² cada, somados ao terreno de 811 m² no Belvedere, o conjunto teria 2.421 m². Multiplicado por R$ 13 mil/m², o valor seria de R$ 31,47 milhões.
No outro extremo das áreas informadas, cinco lotes de 447 m² mais o lote de 811 m² somariam 3.046 m². Pelo mesmo cálculo aritmético, o total chegaria a R$ 39,598 milhões. Esses valores não são estimativas oficiais da prefeitura; servem apenas para dimensionar a ordem de grandeza a partir dos dados publicados.
Mercado imobiliário de Belo Horizonte reforça peso do metro quadrado
O Índice FipeZAP de venda residencial de abril de 2026 registrou preço médio de R$ 10.663/m² em Belo Horizonte, com amostra de 57.195 anúncios. No mesmo informe, o Santa Lúcia aparece entre os bairros mais representativos da capital, com preço médio de R$ 12.069/m² e alta de 2,2% em 12 meses.
A Fipe informa que o FipeZAP calcula variações com base em anúncios de imóveis para venda e locação veiculados nos portais Zap, Viva Real e OLX. Por isso, o índice não substitui uma avaliação oficial de terrenos públicos específicos, mas ajuda a contextualizar o patamar de preços do mercado imobiliário em Belo Horizonte.
IPTU, orçamento e venda de patrimônio entram no debate fiscal
A tentativa de transformar lotes públicos valorizados em caixa ocorre em um cenário fiscal pressionado. A Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou em 02/12/2025 a Lei Orçamentária Anual de 2026 com déficit previsto de R$ 786,6 milhões. A PBH lista a LOA 2026 como Lei nº 11.939, de 29/12/2025.
Na LOA 2026, a saúde tem cerca de R$ 7,9 bilhões, a educação aproximadamente R$ 4,3 bilhões e a previdência social mais de R$ 2 bilhões, segundo a Câmara. A previsão de gastos totais com transporte é de R$ 1,7 bilhão.
O transporte coletivo pesa de forma particular nesse quadro. Segundo informação técnica da Sumob citada pelo DeFato, o subsídio aos ônibus deve atingir R$ 756.945.104,82 em 2026, sendo R$ 736,9 milhões para o sistema convencional e R$ 20,06 milhões para o sistema suplementar. A tarifa dos ônibus convencionais subiu de R$ 5,75 para R$ 6,25 em 01/01/2026, alta de 8,7%.
O que observar nos próximos passos do leilão em BH
Sem data de pregão e sem estimativa oficial de arrecadação, os próximos movimentos relevantes serão a definição dos leiloeiros, a eventual publicação de editais específicos dos imóveis e a divulgação das avaliações oficiais. Esses documentos devem indicar preço mínimo, regras de participação e condições de venda.
Até lá, o caso permanece como um exemplo de como o mercado imobiliário, a gestão de patrimônio público e o orçamento municipal se cruzam em Belo Horizonte. A eventual venda dos lotes pode reforçar receitas para áreas apontadas pela prefeitura, mas também tende a reabrir o debate sobre o destino de imóveis públicos em regiões de alto valor urbano.
Fontes
- O Tempo - Prefeitura de BH quer leiloar lotes em regiões nobres
- FipeZAP - Informe de venda residencial, abril de 2026
- Fipe - Índice FipeZAP
- PBH - Licitações e Editais
- CMBH - Orçamento da cidade é aprovado para 2026 com déficit de R$ 786,6 milhões
- PBH - Lei Orçamentária Anual 2026
- DeFato - Subsídio ao transporte coletivo de BH chega a R$ 756,9 milhões em 2026



























