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Mercado imobiliário Hong Kong

Evergrande mira sócios da PwC em Hong Kong por US$ 8,4 bi

Liquidadores avisam sócios da PwC que podem buscar responsabilização pessoal por auditorias da incorporadora entre 2017 e 2020.

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Os liquidadores da China Evergrande Group intensificaram em Hong Kong a disputa contra a PwC em torno das auditorias da incorporadora que esteve no centro da crise do mercado imobiliário chinês. Em carta enviada em 30 de junho de 2026, Eddie Middleton e Tiffany Wong, da Alvarez & Marsal, avisaram sócios de capital da PwC em Hong Kong que atuavam no período das auditorias de 2017 a 2020 de que podem buscar recuperação pessoal por eventual saldo não pago pela firma em caso de condenação.

A ação dos liquidadores pede 57 bilhões de yuans, cerca de US$ 8,4 bilhões, contra PricewaterhouseCoopers International, PwC Hong Kong e PwC China em Hong Kong. O processo trata de alegações de “negligência” e “misrepresentation” no trabalho de auditoria da PwC para a Evergrande.

Hong Kong amplia pressão no caso Evergrande e PwC

A carta também advertiu contra tentativas de blindar patrimônio, incluindo divórcio ou transferência de bens a familiares, após relatos de que alguns sócios avaliavam esse tipo de estratégia. O movimento leva a crise para além dos balanços das incorporadoras e aumenta a pressão sobre auditores, reguladores e credores em Hong Kong.

Segundo a ação citada pela Bloomberg via Insurance Journal, 38 bilhões de yuans são buscados contra as três entidades da PwC em conjunto, enquanto 19 bilhões de yuans são buscados apenas contra as entidades de Hong Kong e da China continental.

Auditorias de imóveis e demonstrações financeiras no centro da disputa

A ação original foi apresentada em março de 2024, cerca de dois meses depois de a Evergrande ter sido colocada em liquidação por ordem judicial em Hong Kong. O processo original se relaciona aos relatórios de auditoria da PwC sobre as demonstrações financeiras da Evergrande de 2017 e do primeiro semestre de 2018.

A Evergrande foi colocada em liquidação pela High Court de Hong Kong em 29 de janeiro de 2024, e Edward Simon Middleton e Wing Sze Tiffany Wong foram nomeados liquidadores conjuntos e solidários no mesmo dia. A negociação das ações da companhia em Hong Kong foi suspensa às 10h18 daquela data.

Quando entrou em colapso, a Evergrande acumulava mais de US$ 300 bilhões em passivos. A empresa foi associada à crise do setor imobiliário chinês iniciada após restrições regulatórias ao endividamento de incorporadoras em 2020.

PwC International tenta sair do processo em Hong Kong

Em audiência de 18 de maio de 2026, a High Court de Hong Kong ouviu pedido da PwC International para ser retirada do processo antes do julgamento principal. A entidade argumentou que coordenava a rede global a partir de Londres e que não prestava serviços de auditoria ou consultoria à Evergrande.

Os liquidadores, por sua vez, argumentaram que a PwC International assumiu responsabilidade pelas auditorias ligadas ao escândalo contábil da incorporadora. A controvérsia reforça uma questão central do caso: até onde podem ir as responsabilidades dentro de uma rede global de auditoria quando há suspeitas sobre demonstrações financeiras de uma empresa imobiliária listada.

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Regulador apontou falhas graves nas auditorias da Evergrande

Em 23 de abril de 2026, o Accounting and Financial Reporting Council de Hong Kong multou a PwC em HK$ 300 milhões e aplicou restrição de seis meses para aceitar, executar ou emitir relatórios em novos trabalhos de auditoria de entidades de interesse público. O AFRC também multou os ex-sócios Cheung Siu Cheong e Chow Sai Keung em HK$ 5 milhões cada, totalizando HK$ 10 milhões em penalidades individuais.

O regulador informou que a PwC atuou como “reporting accountant” da listagem da Evergrande em 2009 e como auditora do grupo desde a listagem até o início de 2023. O AFRC concluiu que houve falhas graves de auditoria, incluindo falta de ceticismo profissional, perda significativa de independência e emissão de opiniões não modificadas sem evidência apropriada suficiente.

Um ponto sensível para o mercado imobiliário foi a avaliação de obras e imóveis. O AFRC disse que a PwC desconsiderou evidências de visitas a obras que mostravam imóveis ainda em construção, enquanto aceitava registros da Evergrande que indicavam conclusão e prontidão para entrega.

SFC apontou superavaliação de receita e lucro

A Securities and Futures Commission de Hong Kong fechou acordo em abril de 2026 pelo qual a PwC Hong Kong reservou HK$ 1 bilhão para compensar acionistas minoritários independentes elegíveis da Evergrande. A SFC concluiu que a Evergrande superestimou a receita auditada em RMB 213,9 bilhões, ou 44,79%, no exercício de 2019, e em RMB 350,2 bilhões, ou 69,03%, no exercício de 2020.

A SFC afirmou ainda que o lucro auditado de RMB 33,5 bilhões em 2019 deveria ter sido prejuízo de RMB 7,12 bilhões, e que o lucro auditado de RMB 31,4 bilhões em 2020 deveria ter sido prejuízo de RMB 19,9 bilhões. Os liquidadores pediram revisão judicial do acordo da SFC com a PwC Hong Kong, alegando que credores da Evergrande ficaram HK$ 1 bilhão em pior posição por causa do acordo.

Impacto no mercado imobiliário e na governança de Hong Kong

A PwC declarou em 13 de setembro de 2024 que o trabalho da PwC Zhong Tian na auditoria da Hengda ficou abaixo dos padrões esperados pela rede PwC. A firma informou que encerrou o vínculo de seis sócios e desligou cinco funcionários diretamente envolvidos no trabalho de auditoria da Hengda. Também informou que Daniel Li deixou o cargo de Territory Senior Partner da PwC China e que Hemione Hudson foi nomeada interim Territory Senior Partner.

Para investidores e credores, o caso Evergrande tornou-se um teste de responsabilização no mercado imobiliário de Hong Kong e da China continental. A disputa sobre auditorias, receitas, lucros e imóveis em construção mostra que a liquidação da incorporadora segue produzindo efeitos fora da companhia, alcançando auditores, sócios e acordos regulatórios.

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