BrasilAgro mira 1.000 sacas/ha com irrigação em Jaborandi (BA)
Na Fazenda Arrojadinho, empresa troca a tese de abertura de área por pivôs para elevar o valor de terras no oeste baiano.







A BrasilAgro está testando na Fazenda Arrojadinho, em Jaborandi (BA), uma nova tese de valorização de imóveis rurais: usar irrigação para ampliar produtividade e preço da terra, em vez de depender apenas da abertura de área. Segundo reportagem do The AgriBiz, publicada em 08/07/2026, o plano é chegar a 4,2 mil hectares irrigados, com 2,9 mil hectares já operando com pivôs em julho de 2026.
O investimento tem como referência uma captação de R$ 165 milhões em debêntures incentivadas, ligada ao projeto da Arrojadinho. O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional havia autorizado, em 27/10/2023, a BrasilAgro a captar até R$ 182,1 milhões para instalar pivôs centrais e irrigar mais de 4 mil hectares na fazenda, em Jaborandi.
Mercado imobiliário rural em Jaborandi (BA) muda de lógica
A estratégia mira diretamente o mercado imobiliário rural do oeste baiano. André Guillaumon, CEO da BrasilAgro, disse ao The AgriBiz que, em 2006 e 2007, a lógica econômica da companhia na região era comprar terra a 50 sacas de soja por hectare, investir 80 sacas por hectare e vender a 300 sacas por hectare.
Agora, segundo Guillaumon, o preço atual da terra na região está em 200 sacas de soja por hectare. O desenvolvimento adicional exige 100 sacas por hectare, e a irrigação custa o equivalente a 200 sacas por hectare. Ainda assim, ele disse ver possibilidade de comercializar terras irrigadas dessa tese por 1.000 sacas de soja por hectare daqui a alguns anos.
A XP Investimentos registrou, em relatório de 2025, que a Arrojadinho foi adquirida por transação de troca de ações equivalente a 9,14% das ações em circulação da BrasilAgro à época, com valuation implícito de 102 sacas de soja por hectare. No mesmo relatório, a XP informou que, após a irrigação, a companhia esperava alcançar valuation de 900 sacas de soja por hectare na propriedade.
Fazenda Arrojadinho tem pivôs, soja e algodão
A Fazenda Arrojadinho foi adquirida pela BrasilAgro em 2020 e tem 11,7 mil hectares agricultáveis, segundo o The AgriBiz. Em documento arquivado na SEC em 03/02/2020, a companhia informou que concluiu em 27/01/2020 a incorporação da Agrifirma, adicionando 28.930 hectares ao portfólio, avaliados pela Deloitte em R$ 205,6 milhões.
No mesmo arquivamento, a Arrojadinho aparece em Jaborandi (BA), com data de aquisição “Jan-20”, projeto “grains”, 16.642 hectares totais e 10.302 hectares agricultáveis. Já a XP informou, após visita à fazenda, que a BrasilAgro possuía 10.495 hectares na propriedade, dos quais 4.777 hectares estavam plantados com soja e 1.595 hectares com algodão.
Nas áreas irrigadas da Arrojadinho, a BrasilAgro planta soja e algodão. Fora das áreas irrigadas, cultiva milho e sorgo e mantém cerca de 1,2 mil cabeças de gado para engorda, de acordo com o The AgriBiz. A XP também informou que o projeto de irrigação poderia expandir a área plantada com algodão para 4.200 hectares.
Investimento em irrigação e infraestrutura
O custo da instalação dos pivôs na fazenda é estimado em R$ 25 mil por hectare, segundo o The AgriBiz. A XP estimou capex total de R$ 25 mil a R$ 26 mil por hectare irrigado na Arrojadinho. A emissão AGRO13 teve 165.000 debêntures emitidas, com valor nominal unitário de R$ 1.000, conforme comunicado ao mercado registrado na CVM.
O projeto aprovado pelo MIDR inclui rede elétrica de alta tensão, subestação rebaixadora, rede elétrica trifásica de baixa tensão e melhoria de estradas rurais para escoamento da produção. O prazo de implementação informado pelo ministério é de 75 meses, com expectativa de beneficiar mais de 800 pessoas direta ou indiretamente na região.
Em julho de 2026, a estrutura hídrica descrita na propriedade incluía subestação de 10 MW, sete poços artesianos com vazão conjunta de 500 mil litros por hora, canal de 2,7 quilômetros e distribuição por encanamentos até os pivôs. A BrasilAgro informou ao The AgriBiz ter outorga para captar água dos rios Arrojado e Pratudão.
Dois cultivos por ano e payback
Guillaumon afirmou ao The AgriBiz que, com pivô, é possível fazer dois cultivos por ano no oeste da Bahia. Segundo ele, o ciclo soja-algodão em áreas irrigadas da Arrojadinho dá payback de cinco a seis anos. Em sistema sem plantio soja-algodão por limitação de fertilidade, o payback iria para dez a doze anos.
A meta operacional citada na matéria é interligar os rios Arrojado e Pratudão por uma estrutura de 11 quilômetros, criando alternativa de abastecimento em caso de problema em bomba. Ainda segundo Guillaumon, quase 70% do projeto já havia sido implementado em julho de 2026, com previsão de conclusão do investimento em 2027.
Jaborandi (BA) tem base agrícola relevante
Os dados do IBGE ajudam a dimensionar o contexto produtivo de Jaborandi (BA). Em 2024, o município produziu 350.028 toneladas de soja em grão, com 107.900 hectares colhidos, rendimento médio de 3.244 kg/ha e valor de produção de R$ 653,292 milhões.
No mesmo ano, Jaborandi produziu 82.227 toneladas de algodão herbáceo em caroço, com 19.634 hectares colhidos, rendimento médio de 4.188 kg/ha e valor de produção de R$ 354,892 milhões. A produção municipal também incluiu 219.516 toneladas de milho em grão e 2.433 toneladas de sorgo em grão.
Para a BrasilAgro, a Arrojadinho se insere em um portfólio mais amplo. No relatório de sustentabilidade 2024/2025, a companhia informou receita líquida de R$ 1,2 bilhão, Ebitda ajustado de R$ 267,3 milhões e lucro líquido de R$ 138 milhões no ano-safra. Também declarou 173.067 hectares de área produtiva e 252.796 hectares de portfólio de propriedades.
A companhia informou ainda ter investido R$ 12 milhões em tecnologia e passado a ter telemetria em 100% das áreas irrigadas com pivô fixo. Na prática, a tese da Arrojadinho coloca Jaborandi (BA) no centro de uma discussão maior sobre imóveis rurais, irrigação e formação de preço da terra no mercado imobiliário agrícola.
Fontes
- The AgriBiz, 08/07/2026
- SEC/BrasilAgro, 03/02/2020
- Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, 27/10/2023
- CVM/BrasilAgro, 2023
- XP Investimentos, 2025
- IBGE/SIDRA, PAM 2024 - soja
- IBGE/SIDRA, PAM 2024 - algodão
- IBGE/SIDRA, PAM 2024 - milho
- IBGE/SIDRA, PAM 2024 - sorgo
- BrasilAgro, Relatório de Sustentabilidade 2024/2025



























