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Crédito imobiliário Brasil

Caixa projeta alta de 30% no crédito imobiliário no Brasil

Banco prevê avanço em 2026 mesmo com Selic ainda elevada; carteira imobiliária chegou a R$ 1 trilhão e mantém 68% do mercado.

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A Caixa projeta encerrar 2026 com alta de cerca de 30% no crédito habitacional concedido no Brasil, somando operações para pessoa física e pessoa jurídica. A estimativa foi apresentada por Raul Gomes, líder da Superintendência Nacional Habitação Pessoa Jurídica do banco, em entrevista no Construsummit, em Florianópolis, segundo o InfoMoney.

O dado resume o principal paradoxo do mercado imobiliário brasileiro neste momento: a instituição diz operar em ritmo recorde, enquanto a Selic ainda trava parte das expectativas do setor. Em 17 de junho de 2026, o Copom reduziu a taxa básica em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano, no terceiro corte consecutivo do ciclo iniciado em 2026, de acordo com a Agência Brasil.

Crédito imobiliário no Brasil avança apesar da Selic alta

Mesmo com juros ainda elevados, a operação habitacional da Caixa roda em ritmo de cerca de 3 mil contratos por dia e mais de R$ 1 bilhão liberado diariamente em financiamento habitacional, conforme o InfoMoney. A escala ajuda a explicar por que o banco mantém expectativa de expansão relevante em 2026.

A carteira de crédito imobiliário da Caixa alcançou R$ 1 trilhão em junho de 2026, com alta superior a 14% em 12 meses e participação de cerca de 68% no mercado de financiamento habitacional, segundo o Money Times. Em março, a carteira imobiliária do banco estava em R$ 966,2 bilhões, com avanço anual de 13,9% e 68,0% de participação no segmento, de acordo com a Caixa Notícias.

O desempenho recente também aparece nas originações. No 1º trimestre de 2026, a Caixa originou R$ 64,2 bilhões em crédito imobiliário, crescimento de 30,6% na comparação anual. No mesmo período, as contratações totais de crédito do banco somaram R$ 179,4 bilhões, avanço de 17,9% ante o 1º trimestre de 2025, conforme balanço divulgado pela Caixa Notícias.

Mercado imobiliário reage a cortes mais lentos da Selic

A trajetória da Selic segue como ponto central para imóveis e financiamento no Brasil. De junho de 2025 a março de 2026, a taxa ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos, segundo a Agência Brasil. A redução para 14,25% ao ano em junho confirmou a continuidade dos cortes, mas em ritmo moderado.

O mercado passou a trabalhar com uma queda mais lenta. A mediana do Focus para a Selic no fim de 2026 ficou em 14,00% em 29 de junho de 2026, contra 13,25% um mês antes, segundo UOL/Broadcast. A Anbima, antes da reunião de junho, projetou corte de 0,25 ponto percentual para 14,25%, manutenção nas reuniões seguintes e apenas mais um corte de 0,25 ponto em dezembro, encerrando 2026 em 14%.

Esse cenário torna a expansão da Caixa mais significativa para o setor. Juros altos costumam pesar sobre a tomada de crédito e a decisão de compra de imóveis, mas os números do banco mostram que a demanda por financiamento habitacional segue sustentada em parte por programas públicos e por mudanças no funding.

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Minha Casa, Minha Vida sustenta parte da expansão da Caixa

O Minha Casa, Minha Vida responde por parcela relevante da carteira imobiliária da Caixa. Aproximadamente 58,4% da carteira do banco está vinculada ao programa, que financiou 659,2 mil moradias no último ano, segundo a Folha de S.Paulo.

Desde 22 de abril de 2026, a Caixa passou a operar novas condições do Minha Casa, Minha Vida. As regras passaram a atender famílias com renda mensal de até R$ 13 mil, com teto de imóvel de até R$ 400 mil na Faixa 3, até R$ 600 mil na Classe Média e até R$ 275 mil nas Faixas 1 e 2, conforme limites regionais, de acordo com a Caixa Notícias.

SBPE e funding também entram na conta do crédito

O crédito imobiliário com recursos da poupança SBPE somou R$ 17,17 bilhões em maio de 2026, alta de 1,1% sobre abril e de 51,5% sobre maio de 2025, segundo dados da Abecip citados pela Folha de S.Paulo. No acumulado de junho de 2025 a maio de 2026, porém, o financiamento via SBPE somou R$ 171,1 bilhões, queda de 3,9% em relação ao período anterior, conforme UOL/Estadão Conteúdo.

A vice-presidente de Habitação da Caixa, Inês Magalhães, afirmou que o novo modelo de compulsórios deve liberar R$ 38 bilhões adicionais para crédito imobiliário da Caixa até o fim de 2026. Ela também disse que o orçamento do SBPE do banco deve ficar em torno de R$ 90 bilhões em 2026, contra cerca de R$ 68 bilhões em 2025, segundo o Broadcast.

Inadimplência habitacional permanece monitorada

O avanço do crédito ocorre com inadimplência ainda em patamar controlado na habitação da Caixa, embora acima do nível observado um ano antes. A inadimplência acima de 90 dias ficou em 1,56% em março de 2026, contra 1,42% em março de 2025, 1,73% em 2024 e 2,04% em 2023, de acordo com o InfoMoney.

O fechamento do quadro é de expansão com cautela. A Caixa chegou a R$ 1 trilhão em carteira imobiliária, mantém liderança próxima de 68% no financiamento habitacional e projeta crescer cerca de 30% no crédito concedido em 2026. Ao mesmo tempo, o mercado imobiliário no Brasil segue condicionado à velocidade dos cortes da Selic e à disponibilidade de recursos para sustentar novas operações de imóveis.

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