Camboriú: bairro de R$ 10 bi desafia torres vizinhas
Colinas de Camboriú aposta em menor densidade, lotes e prédios de até 16 andares ao lado de Balneário Camboriú.







Um bairro planejado em Camboriú (SC), ao lado do mercado imobiliário verticalizado de Balneário Camboriú, entrou em nova fase com VGV projetado de R$ 10 bilhões, segundo os empreendedores ouvidos pela Exame. O Colinas de Camboriú tem mais de 900.000 m², 796 lotes, mais de 90% das unidades já vendidas e prevê cerca de R$ 500 milhões em lançamentos em 2026.
O ponto central do projeto é o contraste urbano. Enquanto Balneário Camboriú reúne alta densidade municipal e edifícios certificados de grande altura, o Colinas informa limites internos de 8 a 16 andares nos setores verticais, além de casas, comércio, serviços, escola, fiação subterrânea e áreas preservadas.
Colinas de Camboriú combina imóveis, Mata Atlântica e baixa densidade
O empreendimento informa 400.000 m² de Mata Atlântica preservada dentro da área total do bairro. No site comercial do Colinas de Camboriú Village, os terrenos são anunciados a partir de 300 m², com localização a 4 minutos de Balneário Camboriú e incorporação registrada sob a guia nº 35.010 no Ofício de Registro de Imóveis de Camboriú.
Segundo a Exame, a infraestrutura do bairro já foi entregue e inclui ruas, redes, lotes e fiação subterrânea. Quando a reportagem foi publicada, o local tinha cerca de 30 casas e 5 famílias morando, diante de uma projeção final citada pelos sócios de aproximadamente 13.000 habitantes.
A localização também ajuda a explicar o interesse dos compradores e incorporadores. O Colinas fica na Várzea do Ranchinho, em Camboriú, na Avenida Marginal Oeste, a cerca de 5 minutos do centro de Balneário Camboriú e a cerca de 5 km da orla da cidade vizinha, de acordo com a Exame.
Mercado imobiliário de Camboriú mira expansão em 2026
A fase prevista para 2026 inclui cerca de R$ 500 milhões em lançamentos, com casas, os primeiros empreendimentos verticais, comércio, serviços e projetos de educação e bem-estar. Segundo a Exame, restavam 111 unidades no bairro: 40 para casas e 71 para projetos especiais, como prédios, serviços ou equipamentos coletivos.
O masterplan do Colinas prevê até 40 edifícios, com possibilidade de chegar a 45 segundo estudos citados pelos entrevistados da Exame. Todos estariam submetidos ao limite de densidade do "smart code" interno. Nos setores verticais, há áreas com limite de 8 andares e áreas com limite de 16 andares, conforme os sócios e a Fhaus.
Athene Garden será o primeiro prédio previsto no Colinas
O primeiro prédio previsto é o Athene Garden, da Fhaus, descrito pela incorporadora como empreendimento “em breve no Colinas de Camboriú”. A Exame informou que o edifício terá 16 andares e ainda aguardava aprovação final da Prefeitura de Camboriú para iniciar o pré-lançamento.
O projeto do Athene Garden contratou o paisagista Ricardo Cardim para as áreas externas e o arquiteto Léo Zanatta para os espaços internos, segundo a Exame. Outro equipamento previsto é uma unidade do Colégio COC, com 6.000 m² e capacidade para 2.500 alunos, também conforme a reportagem.
Camboriú, Balneário Camboriú e o contraste dos imóveis
Os dados do IBGE mostram a diferença de escala urbana entre as duas cidades. Camboriú tinha 103.074 moradores no Censo 2022, área territorial de 210,568 km² em 2024, densidade demográfica de 489,50 hab/km² em 2022 e população estimada de 117.324 pessoas em 2025.
Balneário Camboriú, por sua vez, tinha 139.155 moradores no Censo 2022, área territorial de 45,214 km² em 2024, densidade demográfica de 3.077,70 hab/km² em 2022 e população estimada de 151.674 pessoas em 2025. A CTBUH certificou o One Tower, em Balneário Camboriú, com 290 metros de altura, como o edifício mais alto do Brasil e o residencial mais alto da América Latina segundo seus critérios.
Esse cenário sustenta o paradoxo da pauta: a poucos quilômetros de um símbolo nacional da verticalização, o Colinas aposta em um bairro de casas, lotes maiores e prédios limitados por regras internas. Não se trata de ausência de verticalização, mas de uma verticalização controlada, ao menos nos termos apresentados pelos empreendedores.
Preço dos imóveis na região reforça disputa por crescimento
O ambiente regional segue aquecido. No Índice FipeZAP de venda residencial de maio de 2026, Itapema registrou preço médio de R$ 15.226/m² e Balneário Camboriú, R$ 15.215/m². No mesmo informe, Balneário Camboriú teve variação mensal de +0,20%, alta acumulada de +1,50% em 2026 e valorização de +2,94% em 12 meses.
Itajaí, próxima a Camboriú e Balneário Camboriú, apareceu no FipeZAP com preço médio de R$ 13.208/m², variação mensal de +0,32% e alta de +4,65% em 12 meses. Em 2025, Balneário Camboriú, Itapema, Itajaí e Porto Belo somaram R$ 13,47 bilhões em VGV imobiliário, segundo dados da plataforma DWV citados pela Exame.
A mesma reportagem informou que o conjunto Balneário Camboriú-Itapema-Itajaí-Porto Belo comercializou mais de 9.000 imóveis em 2025 e ocupou a quinta posição nacional em volume financeiro. Dentro desse cluster, Itapema teve R$ 4,3 bilhões em VGV em 2025, Porto Belo avançou 43% na comparação anual, Balneário Camboriú cresceu 30% entre 2024 e 2025 e Itajaí cresceu 46%.
Para Camboriú, o Colinas se apresenta como uma tentativa de capturar parte desse movimento sem reproduzir integralmente o modelo de torres que marca a paisagem vizinha. O teste, agora, será transformar o masterplan em bairro efetivamente ocupado, com moradores, serviços e equipamentos coletivos capazes de sustentar o VGV projetado.
Fontes
- Exame - A aposta de R$ 10 bilhões num bairro planejado ao lado de Balneário Camboriú
- Colinas de Camboriú Village
- Fhaus Empreendimentos - Athene Garden
- IBGE Cidades - Camboriú
- IBGE Cidades - Balneário Camboriú
- FipeZAP - Índice residencial de venda, maio de 2026
- CTBUH - One Tower
- Exame - Venda de imóveis em Balneário Camboriú e região soma R$ 13,47 bi em 2025



























