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Canadá vê escritórios reagirem, mas obras caem ao piso em 15 anos

Vacância de escritórios cai para 13,4% e setor industrial recua para 3,3%, enquanto nova oferta de lajes corporativas encolhe no Canadá.

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O mercado imobiliário comercial do Canadá entrou no 2º trimestre de 2026 com sinais simultâneos de recuperação da demanda e retração da oferta. A vacância nacional de escritórios caiu para 13,4%, a quarta queda trimestral consecutiva, enquanto a vacância industrial recuou para 3,3%, na segunda baixa seguida, segundo a Colliers Canada.

O dado mais sensível para investidores, ocupantes e incorporadores está na construção: a nova oferta nacional de escritórios entregue no trimestre foi de apenas 37.500 pés², nível descrito pela Colliers como o menor em 15 anos. No mesmo período, a nova oferta industrial somou 4.718.186 pés², de acordo com a tabela nacional da consultoria.

Mercado imobiliário do Canadá mostra retomada em escritórios

A melhora nos escritórios aparece também na absorção líquida. A Colliers informou absorção líquida nacional de 609.912 pés² no segmento corporativo no 2º trimestre de 2026. No setor industrial, a absorção líquida superou 7,1 milhões de pés².

A leitura nacional indica que a recuperação não está restrita a um único recorte geográfico. A vacância de escritórios ficou em 14,7% nos centros urbanos, 12,1% nos subúrbios e 13,4% no total, com queda trimestral nas três leituras. Ainda assim, o estoque vago permanece elevado: 86.584.283 pés² no total, sendo 48.657.492 pés² em áreas centrais e 37.926.791 pés² em áreas suburbanas.

Imóveis melhores e centros urbanos lideram a demanda

A Canadian Press, em reportagem publicada pelo Daily Commercial News, destacou a leitura da Colliers de que a demanda vem sobretudo de áreas centrais, prédios de maior qualidade, com amenidades e acesso a transporte. Esse ponto ajuda a explicar por que a melhora agregada do mercado não elimina diferenças importantes entre ativos e localizações.

Os aluguéis pedidos também mostram essa distância. O aluguel líquido médio nacional de escritórios foi de C$ 21,72 por pé², com C$ 24,01 por pé² em áreas centrais e C$ 18,52 por pé² em áreas suburbanas. No industrial, o aluguel líquido pedido médio nacional foi de C$ 14,72 por pé², enquanto a disponibilidade nacional ficou em 5,2%, com 103.501.610 pés² disponíveis.

Toronto puxa escritórios no Canadá; Halifax tem menor vacância

Toronto foi citada pela Colliers como um dos mercados de escritórios mais fortes do país, com mais de 523.000 pés² de absorção positiva e vacância total de 10,6% no 2º trimestre de 2026. Na tabela da consultoria, a cidade registrou vacância de 9,9% em áreas centrais, 11,2% no subúrbio e 10,6% no total de escritórios.

Toronto também aparece com destaque no industrial: a vacância do segmento foi de 2,2%, a menor entre os mercados listados pela Colliers. Já Halifax teve a menor vacância de escritórios entre os grandes mercados acompanhados, em 8,3%.

O contraponto veio de Ottawa. Segundo a Colliers, foi o único grande mercado citado com alta trimestral da vacância de escritórios, chegando a 13,2%, em movimento associado a reduções de espaço no setor público.

CBRE confirma melhora no mercado de escritórios

O quadro de recuperação é reforçado por dados da CBRE Canada. A consultoria registrou absorção líquida positiva de 1,2 milhão de pés² no mercado nacional de escritórios no 2º trimestre de 2026 e apontou o quarto trimestre consecutivo de momentum positivo, o primeiro período desse tipo em mais de seis anos.

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Segundo a CBRE, 7 de 11 mercados tiveram absorção líquida positiva no trimestre, liderados por Toronto, Calgary e Montreal. A empresa também informou que a vacância em centros urbanos caiu pelo terceiro trimestre consecutivo em todos os segmentos de produto, com melhora de pelo menos 20 pontos-base em cada segmento.

Ativos trophy no centro de Toronto apertam vacância

Dentro da classe A, os imóveis trophy tiveram seis trimestres consecutivos de aperto de vacância, segundo a CBRE. No centro de Toronto, a vacância desses ativos era de 2,6%, um sinal de que a demanda mais forte se concentra nos imóveis corporativos de padrão superior.

Presença no escritório e juros entram no radar

O contexto de ocupação também é influenciado por decisões do governo federal canadense sobre trabalho presencial. Desde 4 de maio de 2026, executivos devem trabalhar presencialmente cinco dias por semana. A partir de 6 de julho de 2026, demais empregados elegíveis ao regime híbrido devem trabalhar presencialmente quatro dias por semana.

A direção federal sobre presença no local de trabalho passou a aplicar, em 6 de julho de 2026, um requisito mínimo de quatro dias por semana no local de trabalho para servidores públicos, com possibilidade de implementação escalonada por chefes adjuntos conforme realidades operacionais e de espaço.

No pano de fundo financeiro, o Banco do Canadá manteve em 15 de julho de 2026 a meta para a taxa overnight em 2,25%, com Bank Rate em 2,5% e taxa de depósito em 2,20%. A decisão preserva uma referência importante para o custo de capital em imóveis e construção.

Construção menor pode limitar a recuperação dos imóveis

A queda da nova oferta de escritórios ao menor nível em 15 anos cria um paradoxo para o mercado imobiliário do Canadá: a ocupação melhora, mas a entrega de novas áreas corporativas encolhe. Se a demanda continuar avançando nos prédios mais disputados, o ajuste pode aparecer antes como aperto de espaço do que como novo ciclo de obras.

Os dados de permissões de construção ajudam a compor esse cenário. Em abril de 2026, o valor de permissões de construção não residencial caiu C$ 585,9 milhões, para C$ 5,0 bilhões, com queda liderada pelo componente institucional e recuo também no industrial. O componente comercial, porém, subiu C$ 125,6 milhões, para C$ 2,3 bilhões.

Para empresas, proprietários e investidores, o 2º trimestre de 2026 deixou uma mensagem clara: a tese de esvaziamento amplo dos escritórios perdeu força, mas a recuperação é seletiva. No Canadá, imóveis bem localizados e de maior qualidade avançam primeiro, enquanto a construção de novas lajes ainda não acompanha o ritmo da demanda.

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