IPO da Switch põe data centers dos EUA no centro da IA
Oferta pode levantar até US$ 10 bi e avaliar a operadora em quase US$ 80 bi, em meio à corrida por imóveis de data centers.







A operadora de data centers Switch contratou Goldman Sachs e JPMorgan Chase como coordenadores líderes de um IPO nos EUA que pode levantar até US$ 10 bilhões já no 4º trimestre de 2026, segundo a Reuters. A operação poderia avaliar a companhia em perto de US$ 80 bilhões, incluindo dívida, embora tamanho, prazo e valuation ainda estejam em discussão e possam mudar.
A cifra coloca os data centers no centro do mercado imobiliário ligado à inteligência artificial. Antes tratados como um nicho de infraestrutura, esses imóveis passaram a concentrar a disputa por energia, terrenos, licenciamento e capacidade computacional nos EUA.
Data centers nos EUA: IPO pode multiplicar valuation da Switch
A comparação com a última grande transação envolvendo a Switch ajuda a dimensionar a mudança. A empresa foi retirada da bolsa em 6 de dezembro de 2022 por fundos ligados à DigitalBridge e por uma afiliada da IFM Investors, em negócio de US$ 34,25 por ação em dinheiro, ou aproximadamente US$ 11 bilhões incluindo pagamento de dívida, segundo a DigitalBridge.
Se confirmado, o valuation potencial de perto de US$ 80 bilhões citado pela Reuters seria cerca de 7,3 vezes o valor da privatização concluída em dezembro de 2022, considerando os dois valores com dívida. A operação também marcaria um retorno ao mercado público após o IPO anterior da Switch, em outubro de 2017, quando a empresa precificou 31,25 milhões de ações Classe A a US$ 17 por papel, com negociação prevista na NYSE sob o ticker SWCH.
O histórico mostra uma mudança de escala. A Renaissance Capital registra que o IPO de 2017 levantou US$ 531 milhões, acima da faixa indicativa de US$ 14 a US$ 16 por ação.
Imóveis de IA: terrenos, energia e mercado imobiliário entram na disputa
A própria Switch se apresenta como provedora de data centers para IA, nuvem e empresas. Em 2025, a companhia informou que seus “Rob Roy’s EVO AI Factories” foram projetados para cargas de IA de próxima geração, hyperscale cloud e enterprise, com resfriamento híbrido ar-líquido e suporte a densidades de até 2 MW por rack.
A empresa informa que seus cinco campi PRIME ficam em Las Vegas e Tahoe Reno, em Nevada; Grand Rapids, em Michigan; Atlanta, na Georgia; e Austin, no Texas. Essa presença mostra por que o tema extrapola tecnologia: data centers são ativos físicos, dependem de solo urbano ou periurbano, conexão elétrica e aprovação local.
Na pauta de sustentabilidade, a Switch afirma que todos os seus data centers são alimentados por 100% de energia renovável desde janeiro de 2016 e reporta PUE de 1,18. Mesmo assim, a expansão do setor mantém o consumo elétrico como ponto central para investidores, governos locais e comunidades.
Oferta restrita sustenta corrida por data centers nos EUA
O contexto de mercado é de forte aperto na oferta. A CBRE informou que a vacância nos mercados primários de data centers da América do Norte caiu para recorde de 1,4% no fim de 2025, enquanto a oferta primária subiu 36% no ano, para 9.432 MW.
A mesma CBRE informou que a absorção líquida nos mercados primários da América do Norte atingiu recorde de 2.497,6 MW em 2025, acima do recorde anterior de 1.809,5 MW em 2024. Em termos imobiliários, isso sinaliza um mercado em que a nova entrega de capacidade ainda encontra demanda robusta.
A JLL projetou que quase 100 GW de novos data centers serão adicionados globalmente entre 2026 e 2030, dobrando a capacidade global. A consultoria também estimou necessidade de até US$ 3 trilhões de investimento no setor até 2030 e afirmou que a capacidade global pode chegar a 200 GW nesse ano.
Os EUA ocupam posição dominante nesse mapa. Segundo a JLL, o país responde por cerca de 90% da capacidade nas Américas, o que reforça a leitura de que o IPO da Switch é também um termômetro para imóveis de infraestrutura nos EUA.
Energia define o valor dos imóveis no mercado de data centers
A Agência Internacional de Energia estimou que data centers consumiram cerca de 415 TWh em 2024, equivalentes a 1,5% da eletricidade global, e que os EUA responderam por 45% desse consumo. A agência projetou que o consumo elétrico global de data centers mais que dobrará para cerca de 945 TWh em 2030, com IA como principal motor do crescimento.
Nos EUA, a IEA projetou aumento de cerca de 240 TWh, ou 130%, no consumo de eletricidade por data centers até 2030 frente ao nível de 2024. A Goldman Sachs Research estimou em maio de 2026 que a demanda de energia dos data centers dos EUA subirá de 31 GW em 2025 para 41 GW em 2026 e 66 GW em 2027.
A mesma Goldman Sachs Research projetou que a participação dos data centers na demanda de pico de verão dos EUA passará de 4,1% em 2025 para 5,3% em 2026 e 8,5% em 2027. Para o mercado imobiliário, isso significa que acesso a energia pode pesar tanto quanto localização, preço do terreno ou desenho do ativo.
Consolidação bilionária reforça apetite por ativos de data centers
A possível oferta da Switch ocorre em um ambiente de grandes transações. A AP informou em outubro de 2025 que um consórcio incluindo Nvidia, BlackRock e Microsoft compraria a Aligned Data Centers em negócio avaliado em cerca de US$ 40 bilhões. A Aligned operava 50 campi de data centers com mais de 5 GW de capacidade nos EUA e na América Latina.
A Switch também vem reforçando sua capacidade financeira. Em junho de 2026, ampliou sua capacidade de dívida disponível para US$ 9,5 bilhões, com mais de US$ 6 bilhões em linha de crédito corporativa rotativa e US$ 3,5 bilhões em letter of credit facility, segundo a Data Center Dynamics. Em abril de 2026, informou ter levantado mais de US$ 24 bilhões em financiamentos desde 2024 e ter mais de US$ 10 bilhões em compromissos de capital rotativo para financiar novos desenvolvimentos.
O IPO ainda não está fechado, e a própria Reuters ressalta que os termos podem mudar. Mas a escala discutida já mostra como data centers deixaram de ser apenas infraestrutura operacional e passaram a ocupar posição central na precificação de imóveis, energia e crescimento urbano ligados à IA nos EUA.
Fontes
- Reuters, 14/07/2026
- DigitalBridge, 06/12/2022
- Switch, 15/07/2025
- Switch, página de colocation
- Switch, sustentabilidade
- Data Center Dynamics, 10/06/2026
- PR Newswire/Switch, 2026
- PR Newswire/Switch, 05/10/2017
- Renaissance Capital, perfil SWCH
- CBRE, North America Data Center Trends H2 2025
- JLL, 2026 Market Outlook for Global Data Centers
- IEA, Energy and AI Executive Summary
- IEA, Energy Demand from AI
- Goldman Sachs, 20/05/2026
- AP, 15/10/2025



























