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Castelo de José Rico em Limeira pode virar museu sertanejo

Prefeitura declarou área de utilidade pública e estuda desapropriação sem uso de recursos municipais para criar polo cultural.

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O Castelo de José Rico, em Limeira, foi declarado de utilidade pública pelo Decreto Municipal nº 134/2026, assinado em 21 de maio de 2026, para permitir estudos sobre uma eventual desapropriação judicial ou administrativa de parte do imóvel pertencente ao espólio de José Rico Alves dos Santos. A medida mira uma área de 10.249,18 m² no Bairro do Jaguari, onde fica a construção principal, dentro de uma propriedade de cerca de 48 mil m².

A Prefeitura de Limeira informou, em 27 de maio de 2026, que avalia transformar o complexo em um polo dedicado à história e à memória da música sertaneja. O projeto, segundo o município, depende de estudos técnicos, jurídicos e econômicos favoráveis e não deve ser financiado com recursos municipais.

Castelo de José Rico em Limeira entra no radar cultural

O decreto municipal declara de utilidade pública uma área pertencente ao espólio do cantor, conhecido pela dupla Milionário & José Rico. O ato foi assinado pelo prefeito Murilo Berbert Avigo Félix e cita o Processo Administrativo nº 7.833/2026 como base da decisão.

Segundo o texto oficial, a finalidade formal é "preservar e conservar" o bem histórico, com promoção de desenvolvimento turístico e cultural. A própria norma ressalta, porém, que a declaração de utilidade pública não significa desapropriação imediata: ela serve para viabilizar estudos técnicos, avaliações e medidas preparatórias.

Imóvel tem mais de 100 quartos e área de 48 mil m²

O imóvel fica na Estrada Municipal LIM-486, no Bairro do Jaguari, próximo à Rodovia Anhanguera (SP-330). A área descrita no decreto integra uma gleba rural de 2 alqueires, equivalente a 4,84 hectares. Reportagem do Viva informou que a propriedade ocupa 48 mil m² e que o castelo tem mais de 100 quartos.

A área especificamente declarada de utilidade pública mede 10.249,18 m². O decreto informa que ela confronta com a Estrada Municipal LIM-486, com área remanescente da Matrícula 4.961 do 1º CRI e com a Transcrição 22.465 do 1º CRI.

Mercado imobiliário, leilões e dívida trabalhista

O caso também chama atenção pelo histórico jurídico e imobiliário do imóvel. Em 2023, a área total da propriedade foi avaliada em R$ 15,1 milhões, após tentativas anteriores de leilão e venda direta de parte do imóvel não atraírem interessados. Naquele ano, a Justiça tentou leiloar a área total, de 4,8 hectares ou 48 mil m², com lance mínimo de R$ 13,6 milhões e recebimento de lances até 7 de novembro de 2023.

A disputa tem origem em uma ação trabalhista movida por um músico que trabalhou com a dupla entre 2009 e 2015. Reportagem republicada pelo Sindijufe-MT informou que, em 16 de julho de 2021, o juiz Marcelo Luis de Souza Ferreira, do TRT-15, fixou condenação trabalhista em R$ 6,7 milhões.

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A mesma reportagem registrou que, em 7 de novembro de 2022, a juíza Paula Cristina Caetano da Silva, da 2ª Vara do Trabalho de Americana, comunicou a penhora do imóvel situado na Estrada Municipal LIM-486, no Bairro Jaguari, às margens da Rodovia Anhanguera.

Penhora do castelo e situação dos herdeiros

Em 12 de janeiro de 2026, trecho do Bom Dia Cidade Campinas/Piracicaba publicado pelo Globoplay informou que a Justiça do Trabalho determinou a penhora total do castelo de José Rico em Limeira. O imóvel permanecia em nome dos herdeiros, mas bloqueado judicialmente para garantir o pagamento de dívidas trabalhistas.

O Liberal informou, em 27 de maio de 2026, que o castelo foi levado a leilão após ação de ex-funcionário cobrando dívida trabalhista estimada em R$ 7 milhões. Segundo a publicação, ocorreram duas tentativas de venda, entre 2023 e 2024, sem sucesso.

Prefeitura diz que busca apoio fora do orçamento municipal

A Prefeitura de Limeira afirmou que não pretende usar recursos municipais para financiar a transformação do espaço. A estratégia informada pelo município é buscar apoio do governo estadual, do governo federal e da iniciativa privada, incluindo gravadoras e produtoras de espetáculos.

A proposta, se avançar, pode transformar um dos imóveis mais conhecidos de Limeira em equipamento cultural voltado à memória sertaneja. Por ora, a situação permanece em fase de análise: há declaração de utilidade pública, mas a desapropriação ainda depende dos estudos e avaliações previstos pela administração municipal.

Quem foi José Rico

José Rico Alves dos Santos, cantor da dupla Milionário & José Rico, morreu em 3 de março de 2015, aos 68 anos. Mais de uma década depois, o castelo inacabado associado ao artista voltou ao centro do debate público em Limeira, agora entre preservação cultural, disputa trabalhista e destino imobiliário.

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