Centro-Oeste dispara 38% em lançamentos de imóveis
Região teve o maior avanço do país no 1º trimestre de 2026, enquanto lançamentos residenciais recuaram no Brasil.







O Centro-Oeste virou o principal destaque regional do mercado imobiliário residencial no 1º trimestre de 2026. Segundo levantamento da CBIC/CII, elaborado pela Brain Inteligência Estratégica, os lançamentos na região passaram de 4.916 unidades no 1º trimestre de 2025 para 6.799 unidades no 1º trimestre de 2026, uma alta de 38,3%. No mesmo período, o Brasil caiu 4,9%, de 102.818 para 97.802 unidades lançadas.
O dado coloca o Centro-Oeste na contramão do movimento nacional e como o melhor desempenho entre as cinco regiões pesquisadas. A amostra do estudo alcançou 221 cidades, incluindo as 27 capitais e regiões metropolitanas; no Centro-Oeste, foram listados Cuiabá, Campo Grande, Distrito Federal, Goiânia, Região Metropolitana de Goiânia e Região Metropolitana de Cuiabá.
Mercado imobiliário no Centro-Oeste avança enquanto o Brasil recua
A comparação anual mostra a força da virada regional. Enquanto o total de lançamentos residenciais no país caiu 4,9% frente ao 1º trimestre de 2025, o Centro-Oeste cresceu 38,3%. Na comparação com o 4º trimestre de 2025, o Brasil teve queda de 32,1% nos lançamentos, segundo a mesma pesquisa da CBIC/Brain.
No acumulado de 12 meses encerrado em março de 2026, o Brasil registrou 466.753 unidades residenciais lançadas. O Sudeste concentrou 250.675 unidades, seguido por Sul, com 95.277, Nordeste, com 80.168, Centro-Oeste, com 27.136, e Norte, com 13.497 unidades lançadas.
Vendas de imóveis também crescem na região
O avanço não ficou restrito aos lançamentos. As vendas residenciais no Centro-Oeste somaram 6.199 unidades no 1º trimestre de 2026, contra 5.588 no mesmo período de 2025. A alta anual foi de 10,9%, com crescimento trimestral de 7,1% em relação ao 4º trimestre de 2025.
No Brasil, as vendas residenciais chegaram a 110.722 unidades no 1º trimestre de 2026. O número representa alta de 4,1% ante o 1º trimestre de 2025, mas queda de 2,6% em relação ao 4º trimestre de 2025. A leitura combinada mostra que a região cresceu em lançamentos e vendas, enquanto o indicador nacional de lançamentos perdeu força na comparação anual.
Oferta de imóveis e estoque disponível no Centro-Oeste
A oferta final disponível no Centro-Oeste chegou a 26.545 unidades no 1º trimestre de 2026. O volume ficou 14,1% acima do registrado no 1º trimestre de 2025 e 2,3% acima do 4º trimestre de 2025. No país, a oferta final foi de 350.891 unidades, com alta anual de 8,2% e queda trimestral de 3,5%.
Outro recorte relevante é o Minha Casa, Minha Vida. De acordo com divulgação da CBIC, o programa respondeu por 49% das vendas residenciais no Brasil no 1º trimestre de 2026, com 54.510 unidades vendidas. O estoque estimado do Minha Casa, Minha Vida era de 7,6 meses no período.
Preços anunciados em Brasília, Goiânia, Cuiabá e Campo Grande
O Índice FipeZAP de Venda Residencial de abril de 2026, baseado em preços anunciados em 56 cidades, ajuda a dimensionar o patamar de preços em capitais e mercados relevantes do Centro-Oeste. Brasília registrou preço médio de R$ 10.090 por metro quadrado, com alta mensal de 0,87%, avanço acumulado de 3,03% em 2026 e alta de 4,54% em 12 meses.
Goiânia teve preço médio de R$ 8.226 por metro quadrado, com alta mensal de 0,73%, avanço de 1,62% no ano e alta de 4,22% em 12 meses. Em Cuiabá, o preço médio foi de R$ 6.931 por metro quadrado, com alta mensal de 1,03%, avanço acumulado de 1,83% em 2026 e alta de 3,78% em 12 meses. Campo Grande registrou R$ 6.839 por metro quadrado, alta mensal de 1,87%, avanço de 4,29% no ano e alta de 3,50% em 12 meses, segundo o FipeZAP.
Goiás tem destaque em lotes de condomínios fechados
Em Goiás, Senador Canedo liderou o mercado goiano de lotes em condomínios fechados no 1º trimestre de 2026, segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica encomendado pela ADU-GO e divulgado pela Autimob. O município teve 2.302 unidades ofertadas, 1.903 novos lotes lançados e VGV de R$ 193 milhões.
No mesmo levantamento, o metro quadrado dos lotes em condomínios fechados foi de R$ 2.461 em Goiânia e R$ 1.458 em Senador Canedo no 1º trimestre de 2026. Para quem acompanha imóveis, mercado imobiliário, custos de aquisição e despesas recorrentes como IPTU, a diferença de preço entre cidades próximas é um ponto de atenção na análise de investimento.
PIB, juros e leitura para investimento imobiliário
O pano de fundo econômico também entrou no radar. O PIB brasileiro cresceu 1,1% no 1º trimestre de 2026 ante o 4º trimestre de 2025 e 1,8% em relação ao 1º trimestre de 2025, segundo o IBGE. Na comparação anual, as atividades imobiliárias cresceram 2,9%, acima dos serviços, que avançaram 2,1%, da indústria, com 1,6%, e da agropecuária, com 0,7%.
Na política monetária, o Copom reduziu a meta Selic para 14,50% ao ano em 29 de abril de 2026, com vigência a partir de 30 de abril, conforme o Banco Central do Brasil. Para o Centro-Oeste, o conjunto de dados mostra uma região com expansão de oferta nova, vendas em alta e preços anunciados ainda acompanhados por capitais e polos metropolitanos monitorados por índices nacionais.
O resultado do 1º trimestre não autoriza concluir, sozinho, uma tendência permanente de valorização. Mas indica que o Centro-Oeste entrou com força no radar de incorporadoras, compradores e investidores em imóveis, especialmente porque seu avanço nos lançamentos ocorreu em um trimestre no qual o Brasil recuou.
Fontes
- CBIC/Brain - Indicadores do mercado imobiliário 1º trimestre de 2026
- CBIC - Minha Casa Minha Vida no 1º trimestre de 2026
- FipeZAP - Venda residencial abril de 2026
- Autimob - Senador Canedo lidera mercado de condomínios
- IBGE - PIB cresce 1,1% no primeiro trimestre de 2026
- Banco Central do Brasil - Histórico das taxas de juros



























