Chopin lista cobertura de R$ 35 mi no luxo do Rio de Janeiro
Edifício de Copacabana tem ao menos seis imóveis à venda, com preços por m² bem acima das médias do bairro e do Rio de Janeiro.







O Edifício Chopin, na Avenida Atlântica, 1782, em Copacabana, no Rio de Janeiro, entrou no radar do mercado imobiliário de luxo com ao menos seis apartamentos à venda e uma cobertura tríplex anunciada por R$ 35 milhões. O prédio, inaugurado em 1956 ao lado do Copacabana Palace, tem unidades citadas em anúncios e levantamentos com preços de R$ 14.735 a R$ 33.673 por metro quadrado, segundo a Bloomberg Línea.
A cobertura de maior valor atribuída à Judice & Araujo soma 860 m², cinco suítes, terraço panorâmico de 180 graus, piscina aquecida e preço de R$ 35 milhões. O valor equivale a cerca de R$ 40,7 mil por m², patamar 3,09 vezes acima do preço médio de Copacabana no Índice FipeZAP de maio de 2026, de R$ 13.181 por m².
Imóveis no Chopin puxam vitrine de luxo em Copacabana
A Bloomberg Línea descreve o Chopin como um condomínio dividido em três blocos, com 12 andares e 60 unidades. O levantamento da reportagem considerou informações de Bossa Nova Sotheby’s International Realty, Judice & Araujo, QuintoAndar e Lopes.
A Bossa Nova Sotheby’s informou ter três unidades em carteira no edifício: dois apartamentos laterais e uma cobertura, além de uma quarta unidade em avaliação para eventual listagem, segundo Mauro Maidantchik, gerente comercial da imobiliária no Rio de Janeiro. Em anúncio próprio, a imobiliária oferece uma unidade de 359 m², quatro dormitórios, três suítes e duas vagas por R$ 5,29 milhões, com condomínio de R$ 5.290, IPTU de R$ 1.900 e preço declarado de R$ 14.735 por m².
Na Lopes, o “Condomínio Do Edifício Chopin Prelúdio Balada”, também listado na Avenida Atlântica, 1782, aparece com uma unidade disponível por R$ 8,8 milhões. O imóvel tem 315 m², três dormitórios, quatro banheiros, uma vaga e condomínio de R$ 28 mil. O preço implica aproximadamente R$ 27.936 por m².
Cobertura de R$ 35 mi e diferença entre anúncios
A configuração geral da cobertura tríplex também aparece em anúncio da Nova Época Imóveis: 860 m², cinco quartos, cinco suítes, três vagas, no Condomínio Chopin, por R$ 35 milhões. O anúncio informa IPTU mensal de R$ 2.203 e condomínio de R$ 7.825.
Outro anúncio, da Okre Imóveis, lista cobertura no Edifício Chopin com 860 m², cinco quartos, cinco suítes, nove banheiros, três vagas, posição frontal e ano de construção de 1956. Nesse caso, o preço de venda é de R$ 33 milhões, com condomínio de R$ 7.000 e IPTU de R$ 20.098.
A diferença entre os anúncios de R$ 35 milhões e R$ 33 milhões para coberturas de 860 m² no Chopin é de R$ 2 milhões, ou 5,7% do preço de R$ 35 milhões. Em um edifício com poucos apartamentos e alta exposição simbólica, a variação mostra como a precificação depende não apenas da metragem, mas também da posição, estado do imóvel, canal de venda e estratégia do proprietário.
Mercado imobiliário do Rio de Janeiro: Chopin contra a média
O contraste com o mercado mais amplo é expressivo. O Índice FipeZAP de Venda Residencial de maio de 2026 registrou preço médio nacional de R$ 9.809 por m² e alta mensal de 0,42% nos preços de venda residencial em 56 cidades. No Rio de Janeiro, a amostra foi de 196.694 anúncios, com preço médio de R$ 10.982 por m², alta mensal de 0,40%, alta acumulada de 1,39% em 2026 e avanço de 4,00% em 12 meses.
No recorte de bairros do Rio, Copacabana aparece no FipeZAP com preço médio de R$ 13.181 por m² e variação de 6,8% em 12 meses. O QuintoAndar, em sua página pública de imóveis à venda em Copacabana, exibe média de R$ 11.690 por m² para o bairro. Mesmo a unidade da Bossa Nova Sotheby’s no Chopin, a R$ 14.735 por m², fica acima desses referenciais; a cobertura de R$ 35 milhões se distancia muito mais.
IPTU, condomínio e moradores conhecidos
Os custos recorrentes reforçam o padrão de renda associado ao endereço. Entre os anúncios consultados, há condomínio de R$ 5.290 na unidade da Bossa Nova Sotheby’s, R$ 7.825 na cobertura da Nova Época, R$ 7.000 na cobertura da Okre e R$ 28 mil na unidade listada pela Lopes. Os valores de IPTU informados variam conforme o anúncio: R$ 1.900 no imóvel da Bossa Nova Sotheby’s, R$ 2.203 mensais na Nova Época e R$ 20.098 na Okre.
O Chopin também concentra nomes conhecidos. Flora e Gilberto Gil colocaram à venda o apartamento do casal no edifício, segundo o Seu Dinheiro. O imóvel tem 344 m², e o casal se mudou para o prédio em 2019; Flora Gil declarou que a família cresceu e o apartamento “ficou pequeno”.
O gshow informou que Gilberto Gil colocou um apartamento à venda no Chopin, que Narcisa Tamborindeguy possui quatro imóveis no edifício, que um deles foi colocado para locação, que o aluguel médio no prédio é de R$ 25 mil e que o condomínio médio citado era de R$ 5 mil. A mesma publicação registrou que Maitê Proença vendeu, em outubro de 2024, um apartamento no Chopin por cerca de R$ 4,5 milhões, após reduzir uma oferta inicial de R$ 4,9 milhões, e que Fábio Porchat vivia no prédio com Priscila Castello Branco.
Patrimônio modernista e disputa por endereços raros
A história do edifício ajuda a explicar parte do interesse. A Folha de S.Paulo informou em 2024 que o Chopin foi erguido no lugar de parte da Pedra do Inhangá e que o projeto é associado a Franz Heep e Jacques Pilon. A Bloomberg Línea também atribui o projeto a Jacques Pilon, com execução de Franz Heep, e registra que pelo endereço passaram João Goulart, Maria Teresa Goulart, Adolpho Bloch e Alfredo Saad.
A movimentação de Narcisa Tamborindeguy ilustra a circulação entre endereços de altíssimo padrão na orla carioca. A Veja Rio informou que ela comprou apartamento no Cap Ferrat, em Ipanema, avaliado em cerca de R$ 48 milhões, com 600 m², quatro suítes e cinco banheiros. O edifício, datado de 1981, tem 17 andares e 16 apartamentos, com despesas superiores a R$ 20 mil mensais de condomínio e R$ 110 mil de IPTU.
No Chopin, a combinação de localização, baixa oferta, histórico de moradores e valores por metro quadrado acima das médias de Copacabana e do Rio de Janeiro coloca o edifício como um termômetro específico do luxo carioca. Os anúncios atuais não representam o mercado inteiro, mas mostram até onde pode ir a precificação de imóveis raros na Avenida Atlântica.
Fontes
- Bloomberg Línea, 20/06/2026
- Bossa Nova Sotheby’s International Realty, consulta em 22/06/2026
- Nova Época Imóveis, consulta em 22/06/2026
- Okre Imóveis, consulta em 22/06/2026
- Lopes, consulta em 22/06/2026
- FipeZAP/Fipe, maio/2026
- QuintoAndar, consulta em 22/06/2026
- Seu Dinheiro, 07/05/2026
- gshow, 07/05/2026
- Veja Rio, 03/06/2026
- Folha de S.Paulo, 03/07/2024



























