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Empresa de Ciro comprou mansões em São Paulo sob investigação

CNLF adquiriu imóveis de luxo enquanto PF apura repasses ligados ao Banco Master; senador nega irregularidades.

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A CNLF Empreendimentos Imobiliários, empresa pertencente ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), comprou duas mansões e dois apartamentos de luxo em São Paulo no período em que, segundo a Polícia Federal, recebia pagamentos mensais ligados ao Banco Master. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo em 21 de maio de 2026, em meio à 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF em 7 de maio.

O caso envolve imóveis em endereços de alto padrão da capital paulista, incluindo uma mansão de 878 m² no Jardim Europa, avaliada em R$ 30 milhões, e outra de 587 m² no condomínio Village Cidade Jardim, comprada por R$ 5 milhões. Ciro Nogueira nega irregularidades e afirma que os imóveis foram comprados com recursos de suas empresas.

Imóveis de luxo em São Paulo entram no centro da apuração

Segundo a Folha, a mansão de 878 m² no Jardim Europa, bairro nobre de São Paulo, teria sido paga por R$ 30 milhões mediante a entrega de um tríplex comprado em julho de 2024. A segunda mansão, no Village Cidade Jardim, foi comprada em outubro de 2025 por R$ 5 milhões e dividida em partes iguais entre a empresa de Ciro Nogueira e o médico Pedro de Brito, genro do senador.

A CNLF também é dona de um apartamento de 105 m² na rua Oscar Freire, comprado por R$ 660 mil em agosto de 2024. Outra transação citada pela Folha envolve um apartamento de 134 m² no Itaim Bibi: a Fazendas Reunidas Nogueira Lima, outra empresa de Nogueira, comprou o imóvel em 9 de outubro de 2025 por R$ 1,350 milhão da própria CNLF, que havia adquirido o mesmo apartamento em 12 de agosto de 2024 por R$ 650 mil.

Mercado imobiliário, offshore e venda no Jardim Paulista

Entre as operações imobiliárias relatadas, a CNLF vendeu em abril de 2025 um apartamento no Jardim Paulista por R$ 6,5 milhões à Aliqum Participações. Segundo a Folha, a empresa pertence à offshore Tedax Partners, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. O jornal registrou que não foi possível identificar o beneficiário final da Tedax Partners.

As transações chamam atenção pelo cruzamento entre imóveis de alto padrão em São Paulo e a investigação sobre supostas vantagens econômicas indevidas. A apuração da PF, mencionada em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, aponta “suposta conduta” de Ciro Nogueira em favor do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, dono do Banco Master, em troca de vantagens econômicas indevidas.

PF mira Banco Master, CNLF e pagamentos mensais

Na 5ª fase da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal informou que aprofundava investigação sobre corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão e 1 mandado de prisão temporária no Piauí, em São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal, com bloqueio judicial de R$ 18,85 milhões.

De acordo com a Folha, a CNLF recebeu pagamentos mensais de R$ 300 mil a R$ 500 mil do Banco Master em 2024 e 2025. A PF apura se Ciro Nogueira recebeu propina para atuar a mando de Daniel Vorcaro no Congresso. A decisão do STF também afirma que a PF apontou pagamentos mensais de R$ 300 mil ou mais, com relatos de evolução para R$ 500 mil, por meio de pessoa jurídica vinculada à “parceria BRGD/CNLF”.

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A Folha informou ainda que, em mensagem de 21 de junho de 2024, Felipe Vorcaro perguntou a Daniel Vorcaro se deveria continuar pagamentos de R$ 300 mil. Em 30 de junho de 2025, segundo o jornal, Felipe perguntou se deveria continuar com R$ 500 mil ou pagar R$ 300 mil naquele mês.

Emenda do FGC aparece na decisão do STF

A decisão do STF afirma que, segundo a PF, a Emenda nº 11 à PEC 65/2023 foi apresentada por Ciro Nogueira em 13 de agosto de 2024 para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. O documento oficial no Senado mostra assinatura eletrônica do senador e propõe elevar a garantia ordinária do FGC de R$ 250.000 para R$ 1.000.000.

O STF também registra que, conforme a PF, o texto da emenda teria sido elaborado pela assessoria do Banco Master, enviado a Daniel Vorcaro, impresso, entregue em envelope endereçado a “Ciro” no endereço residencial do senador e reproduzido integralmente no Senado. A decisão afirma que interlocutores do Banco Master registraram que a emenda “sextuplicaria” o negócio do Master e provocaria “hecatombe” no mercado.

Empresas suspensas e medidas cautelares

A decisão de André Mendonça determinou a suspensão por tempo indeterminado das atividades da CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., da BRGD S.A., da Green Investimentos S.A. e da Green Energia Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia. O documento também proibiu Ciro Nogueira de manter contato, por qualquer meio, com demais investigados da Operação Compliance Zero, segundo fundamentos de preservação da investigação.

Outro ponto citado na decisão é a aquisição de participação societária estimada em aproximadamente R$ 13 milhões pelo valor de R$ 1 milhão, apontada pela PF como uma das vantagens investigadas. A Folha informou que a CNLF comprou em abril de 2024 participação de 30% na Green Investimentos S.A., empresa presidida por Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro.

Ciro Nogueira nega irregularidades

Ciro Nogueira disse à Folha que todos os imóveis foram comprados com recursos de suas empresas e afirmou: “Nada a ver com o Master”. Em vídeo citado pela Folha e pelo UOL, o senador também negou ter recebido valores ilícitos.

Nunca recebi nenhum valor ilícito ou cometi qualquer irregularidade que seja, nesse caso ou em qualquer outro

Em 3 de junho de 2026, o UOL informou que André Mendonça determinou a retirada da tornozeleira eletrônica de Raimundo Nogueira, irmão de Ciro, e liberou que os irmãos conversem. O UOL informou que o conteúdo dessa decisão está em sigilo. Até aqui, o caso mantém no centro da investigação a relação entre mercado imobiliário de alto padrão em São Paulo, Banco Master e atos legislativos vinculados ao FGC.

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