Cobertura de R$ 3,5 mi no Rio liga Castro a ex-secretário
Imóvel no condomínio Península pertence à J3 Real Estate, controlada por Mauro Farias, ex-secretário do governo fluminense.







A cobertura onde Cláudio Castro mora há poucas semanas, no condomínio Península, no Rio de Janeiro, foi alvo da Polícia Federal em uma terça-feira de maio de 2026 e pertence à J3 Real Estate Participações, empresa controlada por Mauro Farias, ex-secretário de Transformação Digital do governo fluminense, segundo reportagem do InfoMoney/Agência O Globo.
De acordo com documentos de cartório citados pela reportagem, a empresa comprou o imóvel por R$ 3,5 milhões menos de dois meses depois da abertura de seu CNPJ. A escritura de compra foi registrada em 16 de junho de 2023, duas semanas após o pagamento de impostos para transferência da titularidade.
Imóvel no Rio de Janeiro foi comprado por empresa recém-aberta
O CNPJ 50.417.949/0001-60 da J3 Real Estate Participações Ltda. consta como ativo, fundado em 24 de abril de 2023, com capital social de R$ 3.997.665,00, natureza jurídica de sociedade empresária limitada e atividade principal de holdings de instituições não financeiras, conforme a base da Receita Federal reproduzida pelo CNPJAberto, atualizada em 15 de maio de 2026.
O quadro societário cadastral da J3 Real Estate lista José Mauro de Farias Junior como sócio e Ronaldo Tormenta Pereira como administrador desde 24 de abril de 2023. A reportagem informou que Tormenta, advogado, é próximo de Rafael Thompson de Farias, ex-secretário de Governo de Castro e irmão de Mauro Farias.
Defesa diz que cobertura é alugada, mas não mostrou contrato
Carlo Luchione, advogado de Cláudio Castro, declarou à reportagem que desconhecia o dono do imóvel e que sabia apenas que o apartamento era alugado. O texto do InfoMoney/Agência O Globo informou que a defesa não apresentou contrato de locação nem informou o valor do aluguel.
A cobertura tem piscina, área de lazer e mais de 300 m². Segundo a mesma reportagem, coberturas com piscina no mesmo local eram anunciadas por aluguéis entre R$ 12 mil e R$ 30 mil, além de condomínios mensais entre R$ 3,2 mil e R$ 6,2 mil. Esses valores ajudam a dimensionar o peso do imóvel dentro do mercado imobiliário de alto padrão no Rio de Janeiro, embora o aluguel específico do apartamento ocupado por Castro não tenha sido informado.
Mercado imobiliário e poder público: quem é Mauro Farias
Mauro Farias seguia à frente da Secretaria de Estado de Transformação Digital em 2 de janeiro de 2023, quando Cláudio Castro empossou o secretariado no Palácio Guanabara, conforme registro do governo do Estado do Rio de Janeiro. A pasta recebeu mais de R$ 1 bilhão em programas durante a gestão de Farias, que deixou o cargo, a pedido, em dezembro de 2024, segundo o InfoMoney/Agência O Globo.
O caso também se conecta a apurações eleitorais anteriores. O Ministério Público Eleitoral apontou que a P5 Soluções, nome fantasia da P5 Empreendimentos Ltda., já teve José Mauro de Farias Junior em seu quadro e que Rafael Thompson de Farias é irmão de José Mauro, conforme processo divulgado pela Procuradoria Regional Eleitoral no Rio de Janeiro.
No mesmo processo, o MP Eleitoral identificou que a Cinqloc repassou R$ 2.593.282,72 à P5 Soluções no período eleitoral de 2022. A informação foi apresentada no contexto de recurso ao TSE para cassar o governador do Rio de Janeiro e o vice por supostos gastos ilícitos nas eleições daquele ano.
Busca da PF ocorreu na esteira do caso Rioprevidência
Em 26 de maio de 2026, a Polícia Federal deflagrou a 8ª fase da Operação Compliance Zero para apurar possível prática de crimes financeiros no Rioprevidência. A PF informou que cumpriu dez mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF no Rio de Janeiro e em Brasília.
Segundo a Polícia Federal, a fase investigava aplicações de R$ 2,01 bilhões, a partir de julho de 2024, em fundos de investimento de um banco privado, somadas a aportes suspeitos anteriores de cerca de R$ 970 milhões em letras financeiras entre outubro de 2023 e julho de 2024. O total informado pela PF foi de cerca de R$ 3 bilhões transferidos do Rioprevidência.
A Folha de S.Paulo informou que a operação de 26 de maio de 2026 cumpriu mandados contra Cláudio Castro e investigava aplicações de mais de R$ 3 bilhões do Rioprevidência no Banco Master, de Daniel Vorcaro. A decisão citada pelo jornal apontou cifra de R$ 3,69 bilhões em valores investidos no Master, incluindo letras financeiras e fundos associados a empresas ligadas ao banco.
Castro deixou o governo antes da operação
Cláudio Castro renunciou ao governo do Rio de Janeiro em 23 de março de 2026 para concorrer ao Senado nas eleições de outubro de 2026, segundo a Agência Brasil. No dia seguinte, o TSE finalizou julgamento que o tornou inelegível por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, conforme o MPF.
O MPF informou ainda que os pedidos de cassação de Castro e Thiago Pampolha foram considerados prejudicados porque ambos já haviam renunciado. Agora, a cobertura de R$ 3,5 milhões no Rio de Janeiro acrescenta uma frente patrimonial e imobiliária ao conjunto de fatos públicos que cercam o ex-governador, seus ex-auxiliares e investigações envolvendo recursos do Rioprevidência.
Fontes
- InfoMoney/Agência O Globo - Cobertura de R$ 3,5 mi onde Castro mora foi comprada por empresa de ex-secretário
- CNPJAberto/Base Receita Federal - J3 Real Estate Participações Ltda.
- Governo do Estado do Rio de Janeiro - Posse do secretariado
- MPF/PRE-RJ - Processo 0606576-54.2022.6.19.0000
- Polícia Federal - 8ª fase da Operação Compliance Zero
- Folha de S.Paulo - Castro é alvo de busca em operação sobre Master
- Agência Brasil - Renúncia de Cláudio Castro
- MPF/PGR - TSE torna Cláudio Castro inelegível



























