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Construção cria 154 mil vagas no Brasil, mas maio perde fôlego

Setor mantém mercado de trabalho aquecido, mas registra em maio o menor saldo mensal de 2026, segundo Novo Caged e CBIC.

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A construção civil no Brasil abriu 154.448 empregos formais de janeiro a maio de 2026, crescimento de 5,23% no estoque do setor, segundo dados do Novo Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O resultado confirma a força do mercado de trabalho nos canteiros, mas maio mostrou perda de ritmo: foram 12.096 vagas no mês, alta de 0,4%, o menor saldo mensal da construção em 2026, conforme leitura da Câmara Brasileira da Indústria da Construção.

O dado interessa diretamente ao mercado imobiliário e à cadeia de imóveis porque emprego formal na construção costuma sinalizar o nível de atividade em obras, infraestrutura, edifícios e serviços especializados. Ao mesmo tempo, a desaceleração de maio aparece em um ambiente descrito pela CBIC como marcado por incertezas econômicas, taxa de juros em patamar elevado e aumento de custos.

Construção no Brasil: maio teve avanço menor nas vagas formais

Em maio de 2026, a construção registrou 211.581 admissões e 199.485 desligamentos, segundo a CBIC. O saldo positivo, portanto, permaneceu relevante, mas veio em ritmo mais moderado que o observado entre janeiro e abril.

O maior impulso no mês veio de Obras de Infraestrutura, com 8.916 postos formais. Construção de Edifícios abriu 2.271 vagas, enquanto Serviços Especializados para a Construção criou 909 postos. O Ministério do Trabalho também informou que houve crescimento em todos os subsetores da construção em maio.

Com o resultado, a construção encerrou maio com cerca de 3,105 milhões de trabalhadores formais, de acordo com a CBIC, em leitura baseada no Novo Caged. O número mostra a dimensão do setor dentro do emprego com carteira assinada no Brasil.

Mercado imobiliário e infraestrutura puxam o acumulado de 2026

No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, Construção de Edifícios liderou em número absoluto, com quase 59 mil vagas criadas, segundo a CBIC. Obras de Infraestrutura teve crescimento percentual de 23,51%, passando de 44,3 mil vagas entre janeiro e maio de 2025 para 54,7 mil no mesmo período de 2026.

Esse desempenho ajuda a explicar por que a construção aparece como um dos principais motores do emprego formal no país. No acumulado de 2026 até maio, o mercado formal brasileiro gerou 767.326 postos, avanço de 1,6%, e alcançou estoque de 47.877.989 vínculos formais, conforme o Novo Caged.

Entre os grandes grupamentos econômicos, Serviços liderou a geração de vagas no acumulado do ano, com 493.917 postos e crescimento de 2,2%. A Construção veio em seguida, com 154.448 postos e alta de 5,23%, à frente da Indústria, que criou 128.353 vagas e cresceu 1,43%, e da Agropecuária, com 16.904 postos.

Custos da construção pressionam imóveis e obras

A leitura sobre emprego vem acompanhada por indicadores de custo ainda pressionados. O custo nacional da construção civil medido pelo Sinapi subiu 0,36% em maio de 2026, abaixo da taxa de abril, de 0,72%, mas acumulou 6,93% em 12 meses, segundo o IBGE.

O custo nacional por metro quadrado passou de R$ 1.946,09 em abril para R$ 1.953,08 em maio. Desse total, R$ 1.104,59 corresponderam a materiais e R$ 848,49 a mão de obra. No mês, materiais subiram 0,53% e mão de obra avançou 0,14%. De janeiro a maio, os acumulados foram de 2,44% para materiais e 4,34% para mão de obra.

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Outro termômetro, o INCC-M da FGV, subiu 0,77% em maio de 2026, abaixo da alta de 1,04% de abril, e acumulou 6,82% em 12 meses. No indicador, Materiais, Equipamentos e Serviços avançaram 1,02%; Materiais e Equipamentos passaram de 1,40% em abril para 1,08% em maio; Serviços desacelerou de 0,97% para 0,50%; e Mão de Obra recuou de 0,61% para 0,43%.

PIB da construção cresce, mas confiança segue frágil

Apesar do esfriamento no emprego de maio, a atividade vinha de um início de ano mais forte. O PIB da construção cresceu 2,9% no primeiro trimestre de 2026 ante o quarto trimestre de 2025, na série com ajuste sazonal. No mesmo confronto, o PIB total do Brasil avançou 1,1%.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, a construção cresceu 1,3% no primeiro trimestre de 2026. O IBGE associou essa variação ao crescimento do pessoal ocupado e das horas trabalhadas na atividade.

A sondagem da CNI/CBIC também sugere melhora gradual, ainda sem virar para terreno positivo. Em maio de 2026, o índice de evolução do nível de atividade subiu pela quarta vez consecutiva e chegou a 49,1 pontos, ainda abaixo da linha de 50 pontos que separa aumento de queda. O índice de evolução do número de empregados avançou 1,4 ponto ante abril, para 48,5 pontos, e a utilização média da capacidade operacional subiu 1 ponto percentual, para 67%.

Confiança da construção ainda abaixo de 50 pontos

O ICEI da Construção ficou em 47,7 pontos em junho de 2026, avanço de 1,0 ponto em relação a maio, mas permaneceu abaixo de 50 pontos pelo 18º mês seguido, faixa classificada pela CNI como falta de confiança.

Na mesma direção, o Índice de Confiança da Construção da FGV ficou estável em maio de 2026, em 92,6 pontos, com média móvel trimestral de 92,9 pontos. Em junho, o indicador caiu 0,9 ponto, para 91,7 pontos, e o Índice de Situação Atual recuou de 92,3 para 90,6 pontos, segundo informativo do Ministério da Fazenda com dados da FGV IBRE.

Infraestrutura pode sustentar parte da demanda

Um ponto de sustentação para o setor está nos investimentos em infraestrutura. A Abdib projetou R$ 300 bilhões em investimentos em infraestrutura no Brasil em 2026, depois de cerca de R$ 280 bilhões em 2025, ano em que 83% dos recursos tiveram origem privada.

O quadro, portanto, combina expansão expressiva do emprego formal na construção no acumulado do ano com sinais de moderação no curto prazo. Para o mercado imobiliário, a mensagem é dupla: há atividade e contratação, mas juros, custos e confiança ainda condicionam o ritmo de novas obras, imóveis e projetos de infraestrutura no Brasil.

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