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Construção no Brasil cria 143,5 mil vagas no ano

Novo Caged mostra que construção abriu 23.525 postos em abril e segue relevante para imóveis, apesar de custos, juros e mão de obra.

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O mercado formal de trabalho no Brasil desacelerou em abril de 2026, mas a construção manteve peso relevante na abertura de vagas. Segundo o Novo Caged, o país criou 85.888 empregos com carteira assinada no mês, resultado de 2.268.655 admissões e 2.182.767 desligamentos. Desse saldo, 23.525 postos vieram da Construção, o equivalente a cerca de 27,4% do total líquido do mês.

No acumulado de janeiro a abril, a Construção chegou a 143.547 vagas formais, em um período em que o Brasil abriu 699.762 postos, avanço de 1,5% sobre o estoque de dezembro de 2025. O dado mais recente disponível até 6 de junho de 2026 é a competência abril; a divulgação da competência maio está prevista para 30 de junho de 2026, conforme o calendário do MTE/PDET.

Emprego na construção no Brasil avança mesmo com freio formal

O saldo nacional de abril foi menor que os resultados dos três primeiros meses de 2026. O país havia criado 112.334 empregos formais em janeiro, 255.321 em fevereiro e 228.208 em março, antes de registrar 85.888 em abril. Ainda assim, a construção ficou entre os setores com maior contribuição no mês.

Em abril, Serviços liderou a geração de vagas, com 69.601 postos, seguido pela Construção, com 23.525. A Indústria abriu 9.256 empregos formais. A presença da construção entre os principais saldos ajuda a explicar por que o setor segue no centro das discussões sobre imóveis, obras e mercado imobiliário no Brasil.

Construção de edifícios e infraestrutura puxam vagas

Na leitura acumulada do ano do Novo Caged, os maiores saldos dentro da Construção vieram de Construção de Edifícios, com 56.857 vagas, e Obras de Infraestrutura, com 46.009. Considerando o total nacional de 699.762 postos entre janeiro e abril, a Construção respondeu por cerca de 20,5% das vagas formais abertas no período.

A comparação com março mostra continuidade do avanço. Até o terceiro mês do ano, a Construção acumulava 120.547 vagas, com 49.582 em construção de edifícios e 38.447 em obras de infraestrutura. Após abril, o acumulado do setor subiu para 143.547 postos, um aumento líquido de 23.000 vagas.

Custos de obras pressionam imóveis e mercado imobiliário

O ritmo de contratação ocorre em um ambiente de custos mais altos. O Sinapi variou 0,72% em abril de 2026, acima da taxa de março, de 0,37%, e acumulou alta de 7,01% em 12 meses, segundo o IBGE. O custo nacional da construção por metro quadrado passou de R$ 1.932,27 em março para R$ 1.946,09 em abril.

Desse custo de abril, R$ 1.098,80 correspondiam a materiais e R$ 847,29 a mão de obra. No acumulado de janeiro a abril, materiais subiram 1,90%, enquanto mão de obra avançou 4,19%. Em 12 meses, as altas foram de 4,99% em materiais e 9,77% em mão de obra.

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Mão de obra segue no radar das construtoras

A CNI informou que o índice de evolução do número de empregados da construção subiu para 47,1 pontos em abril de 2026, avanço de 0,9 ponto ante março, mas ainda abaixo da linha de 50 pontos. A utilização da capacidade operacional da indústria da construção foi de 66% em abril, 1 ponto percentual abaixo dos 67% registrados em abril de 2024 e abril de 2025.

Para os meses seguintes, a sondagem da CNI apontou melhora nas expectativas. Em maio de 2026, o índice de expectativa de novas vagas na construção passou de 48,8 para 50,7 pontos, cruzando a linha de 50 pontos e indicando expectativa de alta no número de empregados nos seis meses seguintes.

Juros, insumos e confiança limitam cenário da construção

Os dados setoriais também mostram cautela. No 1º trimestre de 2026, o índice de preço médio de insumos e matérias-primas da construção subiu 6,8 pontos ante o 4º trimestre de 2025 e atingiu 68,4 pontos, segundo a CNI. No ranking de problemas do setor, juros elevados foram citados por 34,9% das empresas, carga tributária elevada por 33,9% e falta ou alto custo de mão de obra não qualificada por 28,3%.

O FGV IBRE informou que o Índice de Confiança da Construção recuou 1,0 ponto em abril de 2026, para 92,6 pontos, menor nível desde março de 2022, quando estava em 93,4 pontos. A coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE, Ana Maria Castelo, declarou que a sondagem de abril captou dificuldade recorrente com falta de trabalhadores e alta de insumos nas limitações à melhoria dos negócios.

A CBIC revisou a projeção de crescimento da construção em 2026 de 2,0% para 1,2%, citando juros altos, incertezas e pressão de custos como elementos do cenário setorial. A entidade também informou que a construção tinha mais de 3 milhões de trabalhadores formais no 1º trimestre de 2026 e respondeu por um em cada cinco empregos formais criados no Brasil entre janeiro e março.

O retrato, portanto, é de um setor que continua contratando e sustentando parte importante do emprego formal ligado a obras e imóveis no Brasil, mas opera sob pressão de custos, juros e oferta de mão de obra. A próxima fotografia oficial do Novo Caged, referente a maio, está prevista para 30 de junho de 2026.

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