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Crise habitacional America Do Norte

Copa expõe crise de moradia em sedes da América do Norte

Levantamento da AP mostra que maioria das 16 cidades-sede manterá programas existentes, em geral sem verba nova ligada ao torneio.

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A Copa do Mundo de 2026 chega às 16 cidades-sede da América do Norte sob pressão crescente sobre moradia, abrigos e população em situação de rua. Segundo levantamento da Associated Press publicado em 9 de junho de 2026, a maioria das sedes nos Estados Unidos, Canadá e México pretende enfrentar o problema com programas já existentes, em geral sem verba nova vinculada ao evento.

O torneio será disputado em 11 cidades dos EUA, 3 do México e 2 do Canadá. A lista inclui Atlanta, Boston, Dallas, Houston, Kansas City, Los Angeles, Miami, Nova York/Nova Jersey, Filadélfia, San Francisco Bay Area, Seattle, Guadalajara, Cidade do México, Monterrey, Toronto e Vancouver, conforme anúncio da U.S. Soccer/FIFA.

Mercado imobiliário e crise de moradia nas cidades-sede

Embora a Copa seja um evento esportivo, a preparação das sedes recoloca no centro do debate temas típicos do mercado imobiliário urbano: oferta de moradia, capacidade de abrigos, uso do espaço público e pressão sobre bairros próximos a estádios. A AP apontou que cidades como Nova York, Boston, Filadélfia, Miami, Houston, Toronto e Vancouver manterão ações já em andamento para pessoas sem moradia.

Nos Estados Unidos, o HUD registrou 745.652 pessoas sem moradia em uma única noite de janeiro de 2025. Desse total, 266.320 estavam desabrigadas em espaços não destinados à habitação, como ruas ou áreas externas. O mesmo relatório informou queda de 3% ante 2024, mas alta de 27% desde 2013.

A AP informou que a contagem nacional dos EUA havia chegado a cerca de 770 mil pessoas sem moradia em 2024 e caiu para 745.652 no ano seguinte. A redução recente, portanto, aparece em um quadro de longo prazo ainda marcado por aumento expressivo da vulnerabilidade habitacional.

Atlanta, Dallas e Seattle mostram respostas desiguais

Em Atlanta, o programa Downtown Rising disse ter alojado quase 500 pessoas antes da Copa. Ainda assim, a AP registrou dezenas de pessoas acampadas a cerca de 1 milha do estádio em uma tarde recente. A cidade havia levantado US$ 185 milhões, dentro de uma meta de US$ 235 milhões, para abrigar 3.900 pessoas em toda a cidade até 2027.

A contagem municipal mais recente citada pela AP indicava cerca de 2.900 pessoas sem moradia em Atlanta, aproximadamente um terço delas em acampamentos ou nas ruas. O contraste entre captação de recursos, metas de longo prazo e presença visível de acampamentos ilustra o descompasso entre planejamento urbano e urgência social.

Em Dallas, Sarah Kahn, presidente e CEO da Housing Forward, disse à AP que uma campanha de US$ 30 milhões desde 2024 reduziu em 87% o número de pessoas dormindo nas ruas do centro e colocou cerca de 2.000 pessoas em moradia permanente. Em março de 2026, mais US$ 28 milhões foram alocados para expandir a iniciativa no condado, com meta de alojar 1.100 pessoas.

A Housing Forward informou em maio de 2026 uma quinta queda anual consecutiva da população sem moradia em Dallas e Collin counties. Entre as sedes citadas pela AP, Dallas aparece como uma das respostas mais estruturadas, com redução informada no centro e expansão de recursos para o condado.

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Seattle, por outro lado, chega ao torneio com resultado abaixo da promessa inicial. A prefeita Katie Wilson havia prometido 500 novas unidades de abrigo até o início da Copa, mas a cidade chegou à véspera do torneio com 75 tiny homes de 70 pés quadrados, equipadas com cama, aquecedor e ar-condicionado. Wilson reconheceu à AP que a meta ficou 425 unidades abaixo do prometido e disse que a cidade abriria mais 228 leitos até o fim do verão de 2026.

Imóveis, abrigos e população sem moradia em Los Angeles

Na região de Los Angeles, a tensão aparece em Inglewood, sede do estádio. O prefeito James Butts disse à AP: “There’s no homeless in Inglewood”. A contagem local citada pela reportagem, porém, indicava pouco menos de 400 pessoas sem moradia, cerca de um terço delas vivendo nas ruas.

Na cidade de Los Angeles, a LAHSA revisou a estimativa total de 2025 para 43.695 pessoas em situação de rua ou abrigo. O Departamento de Serviços aos Sem-Teto e Habitação do Condado de Los Angeles disse à AP ter garantido três motéis antes da Copa, incluindo um em Inglewood, com unidades entre 54 e 104 quartos.

Toronto e Vancouver evitam remoções ligadas à Copa

Em Toronto, a AP informou que o maior sistema de abrigos do Canadá atende mais de 8.500 pessoas por noite. A cidade disse não planejar remover pessoas sem moradia por causa dos jogos. A página oficial de Toronto informa que o censo diário de abrigos mede ocupação e capacidade do sistema todos os dias úteis.

Em Vancouver, a contagem oficial de 2025 identificou 2.715 pessoas em situação de rua em 10 e 11 de março de 2025: 763 sem abrigo e 1.952 abrigadas. A AP informou que Vancouver disse não ter plano de realocar pessoas sem moradia antes dos jogos e que a cidade montou centros para exibição de partidas. O Comitê de Vancouver para a Copa divulgou em 25 de maio de 2026 seu plano final de direitos humanos para o torneio.

Histórico de remoções pesa sobre a Copa na América do Norte

A preocupação não surge no vazio. A AP registrou antecedentes de remoções em megaeventos: Atlanta removeu cerca de 9.000 pessoas sem moradia durante os Jogos Olímpicos de 1996; Nova Orleans gastou milhões de dólares removendo acampamentos perto do Superdome no Super Bowl de 2025; Paris transferiu migrantes para fora da cidade antes dos Jogos Olímpicos de 2024; e Chicago removeu um de seus maiores acampamentos antes da Convenção Nacional Democrata de 2024.

Às vésperas da Copa, o quadro nas sedes da América do Norte combina respostas pontuais, promessas parcialmente cumpridas e sistemas de abrigo já pressionados. Para o mercado imobiliário e para a gestão pública, o torneio expõe uma pergunta que vai além dos estádios: como cidades globais vão equilibrar visibilidade internacional, imóveis valorizados e proteção de moradores sem moradia.

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