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Crise habitacional Inglaterra

Inglaterra põe £9,58 bi em moradia, mas limita aluguel social

Rodada do programa habitacional mira 73.600 imóveis fora de Londres e mantém meta mínima de 60% para Social Rent.

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O governo britânico anunciou em 24 de agosto de 2026 a primeira grande rodada do Social and Affordable Homes Programme, um programa habitacional de £39 bilhões para 10 anos na Inglaterra. A etapa inicial destinou £9,58 bilhões a 33 Strategic Partners fora de Londres, com a previsão de apoiar 73.600 novas moradias sociais e acessíveis ao longo da década.

O pacote inaugura a fase operacional de um programa que cobre o período de 2026-27 a 2035-36 e substitui o Affordable Homes Programme. A Spending Review 2025 já havia confirmado a iniciativa e indicado que o gasto anual chegaria a £4 bilhões em 2029-30, subindo depois em linha com a inflação.

Mercado imobiliário na Inglaterra terá foco em imóveis sociais

Segundo o Ministry of Housing, Communities and Local Government, quase dois terços das moradias dessa rodada fora de Londres deverão ser de Social Rent, modalidade voltada a aluguel social. A política nacional do programa, porém, fixa uma meta mínima de 60% das unidades como Social Rent, deixando o restante para modalidades como Shared Ownership, Affordable Rent e, em Londres, Intermediate Rent.

Esse desenho é o ponto sensível da nova fase. A Reuters reportou em 25 de agosto de 2026 que o modelo de 60% para Social Rent ficou abaixo da promessa de Andy Burnham de direcionar todo o programa por meio de councils. O Guardian informou, um dia antes, que Burnham havia defendido que os £39 bilhões fossem dedicados a council homes e que cerca de 40% da rodada inicial ficaria para modalidades como shared ownership e sheltered housing.

Londres concentra pressão habitacional e verba do programa

Embora a rodada de £9,58 bilhões anunciada pelo governo trate das alocações fora de Londres, a capital aparece como eixo central da política habitacional. O governo confirmou que Londres receberá 30% do financiamento nos primeiros anos do programa e até £11,7 bilhões ao longo da vida total do Social and Affordable Homes Programme.

O documento oficial também afirma que a Greater London Authority pretende oferecer alocações de pelo menos £6 bilhões a provedores de habitação social e acessível na capital. A Reuters reportou que mais de £7 bilhões da primeira fase estavam reservados para Londres; a fonte oficial disponível informa pelo menos £6 bilhões em alocações da GLA e até £11,7 bilhões ao longo do programa.

A divisão institucional também é relevante para o mercado imobiliário: a Homes England responde pelo programa fora de Londres, enquanto a Greater London Authority fica responsável pela capital. Fora de Londres, o financiamento de £9,58 bilhões inclui cerca de £2,45 bilhões para seis áreas de Established Mayoral Strategic Authority.

Councils ganham espaço, mas governo cita limite de capacidade

Pela primeira vez, três councils receberão status de Strategic Partner com a Homes England: Cambridge City Council, Eastleigh Borough Council e Newcastle City Council. Ainda assim, o governo não entregou todo o programa diretamente às autoridades locais. A Reuters reportou que o ministro de Habitação Matthew Pennycook disse que os councils ainda não tinham capacidade para assumir toda a execução.

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Para ampliar essa capacidade, o governo anunciou £46 milhões em “Capacity to Build” por três anos, com foco em habilidades, estrutura e condições para councils entregarem ou adquirirem novas council homes. Também criou ou reforçou medidas como a retenção de 100% das receitas de Right to Buy, um acordo de aluguel social por 10 anos em CPI+1%, Social Rent convergence e a extensão de taxas preferenciais do Public Works Loan Board até março de 2027.

Em 2025-26, councils receberam £1,61 bilhão em receitas de Right to Buy, que agora podem ser retidas e reinvestidas em novas moradias sociais e acessíveis. O governo também informou que councils concluíram 10.480 moradias em 2024-25, o maior número desde o início da série atual, em 1991-92.

Crise habitacional mantém pressão sobre imóveis acessíveis

A escala do déficit ajuda a explicar a urgência da política. Em 31 de março de 2025, havia 1,34 milhão de domicílios em listas de espera de habitação de autoridades locais na Inglaterra, alta de 1% ante 31 de março de 2024 e o maior nível desde 2014.

Os dados de homelessness também mostram pressão persistente. Em 31 de março de 2026, havia 135.580 domicílios em acomodação temporária na Inglaterra, alta de 1,1% ante o trimestre anterior e de 3,6% ante o mesmo período do ano anterior. Desse total, 86.460 domicílios continham crianças, e 177.530 crianças viviam em acomodação temporária.

Londres concentra a situação mais grave. A capital tinha 21,1 domicílios em acomodação temporária por 1.000 domicílios em 31 de março de 2026, contra 5,5 por 1.000 na Inglaterra e 2,8 por 1.000 no restante do país. As maiores taxas londrinas eram Newham, com 59,8 por 1.000 domicílios, Westminster, com 48,6, e Hackney, com 32,8.

O que ainda falta definir no programa de moradia

O programa de £39 bilhões ainda tem parte expressiva sem alocação. O governo informou que mais de £16 bilhões fora de Londres e cerca de £5 bilhões em Londres permaneciam não alocados após a rodada inicial.

O documento de política do MHCLG estimou que o programa completo poderia entregar cerca de 300.000 moradias acessíveis, incluindo cerca de 180.000 para Social Rent. A entrega dessa promessa, porém, dependerá de como o governo equilibrará o uso de councils, provedores habitacionais e modalidades alternativas de acesso à moradia em um mercado imobiliário marcado por filas, acomodação temporária e forte pressão em Londres.

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