Brasil: crédito imobiliário cresce com juro abaixo da Selic
Banco Central mostra estoque de R$ 1,414 trilhão no financiamento imobiliário direcionado para pessoas físicas em julho de 2026.







O crédito imobiliário no Brasil avançou em julho de 2026 mesmo em um ambiente de juros básicos elevados. Segundo a Nota para a Imprensa de Estatísticas Monetárias e de Crédito publicada pelo Banco Central em 28 de agosto de 2026, o estoque de financiamentos imobiliários direcionados para pessoas físicas chegou a R$ 1,414649 trilhão no mês, alta de 13,662% em 12 meses.
O dado central é o contraste entre expansão do financiamento habitacional e custo do dinheiro. A taxa média dessa modalidade ficou em 11,3% ao ano em julho de 2026, 2,7 pontos percentuais abaixo da Selic de 14,00% ao ano, definida pelo Copom na 280ª reunião, em 5 de agosto de 2026. As concessões do mês somaram R$ 28,162 bilhões e cresceram 27,179% no acumulado do ano.
Crédito imobiliário no Brasil soma R$ 1,414 trilhão
O financiamento imobiliário direcionado para pessoas físicas representa uma fatia relevante do crédito direcionado às famílias. Em julho de 2026, o estoque total de crédito direcionado para pessoas físicas foi de R$ 2,080 trilhões, de acordo com as tabelas do Banco Central. Dentro desse montante, os financiamentos imobiliários direcionados somaram R$ 1,414649 trilhão.
O Banco Central define essa carteira como operações com recursos de poupança e FGTS destinadas à construção, aquisição de residências, material de construção residencial e demais finalidades previstas na legislação. A composição ajuda a explicar por que parte importante do financiamento habitacional opera com taxas diferentes das praticadas no crédito livre.
No Sistema Financeiro Nacional como um todo, o estoque total de crédito atingiu R$ 7,372 trilhões em julho de 2026. Desse total, R$ 4,151 trilhões estavam em recursos livres e R$ 3,221 trilhões em recursos direcionados.
Juros do financiamento ficam abaixo da Selic
O ponto que expõe o paradoxo é a taxa média. Enquanto a Selic estava em 14,00% ao ano após a decisão do Copom de 5 de agosto de 2026, a taxa média dos financiamentos imobiliários direcionados para pessoas físicas foi de 11,3% ao ano em julho. Nas taxas reguladas, a média ficou em 10,9% ao ano; nas taxas de mercado, em 14,3% ao ano.
Na comparação direta, a taxa regulada ficou 3,1 pontos percentuais abaixo da Selic. Já a taxa de mercado ficou 0,3 ponto percentual acima da taxa básica. Segundo o Banco Central, a Selic é referência para os demais juros da economia e corresponde à taxa média cobrada em negociações com títulos do Tesouro Nacional registradas diariamente no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia.
A estrutura do crédito direcionado também pesa nessa diferença. Conforme a nota metodológica das tabelas do Banco Central, 80% dos recursos direcionados dos depósitos de poupança devem ser aplicados a taxas reguladas e até 20% podem ser aplicados a taxas livres.
Imóveis: taxas reguladas dominam o estoque
Do estoque de R$ 1,414649 trilhão em financiamentos imobiliários direcionados para pessoas físicas, R$ 1,246881 trilhão estava em taxas reguladas em julho de 2026. Outros R$ 167,767 bilhões estavam em taxas de mercado.
Isso significa que as taxas reguladas representaram 88,1% do estoque dessa modalidade, enquanto as taxas de mercado responderam por 11,9%. Na prática, a maior parte do saldo do financiamento imobiliário direcionado permanece vinculada a regras específicas de aplicação de recursos, e não exclusivamente às condições do crédito livre.
Concessões avançam no mercado imobiliário
As novas concessões também apontaram crescimento. Em julho de 2026, os financiamentos imobiliários direcionados para pessoas físicas somaram R$ 28,162 bilhões em concessões. Desse total, R$ 24,489 bilhões foram em taxas reguladas e R$ 3,674 bilhões em taxas de mercado.
O avanço foi de 5,972% no mês, 27,179% no acumulado do ano e 18,118% em 12 meses. O desempenho mostra que o mercado imobiliário continuou a contratar crédito habitacional direcionado apesar do patamar da taxa básica de juros.
Inadimplência baixa sustenta leitura do Banco Central
Outro elemento relevante é a inadimplência. Nos financiamentos imobiliários direcionados para pessoas físicas, o índice foi de 1,3% em julho de 2026. A taxa ficou em 1,3% nas operações reguladas e em 1,0% nas operações de mercado.
O percentual é menor que o observado no crédito total do Sistema Financeiro Nacional, cuja inadimplência foi de 4,9% no mesmo mês. Também ficou abaixo da inadimplência do crédito direcionado total, de 2,9%.
O que o dado indica para imóveis e crédito
Os números do Banco Central indicam que o crédito imobiliário direcionado segue apoiado por uma estrutura própria de funding e regras. Em julho de 2026, essa estrutura conviveu com Selic de 14,00% ao ano, taxa média de financiamento imobiliário de 11,3% ao ano e inadimplência de 1,3%.
Para o mercado imobiliário no Brasil, a leitura é objetiva: o financiamento habitacional direcionado cresceu em estoque e em concessões, com predominância das taxas reguladas e custo médio inferior à taxa básica. A continuidade desse quadro dependerá dos próximos dados mensais do Banco Central, que publica as séries e tabelas de crédito com identificação dos dados preliminares.



























