Corretor CLT ganha R$ 2,4 mil no Brasil; comissão muda a conta
Levantamento mostra média de R$ 2.386,30 para corretor formal, mas venda urbana de R$ 500 mil pode gerar R$ 30 mil brutos.







O corretor de imóveis com carteira assinada no Brasil ganha, em média, R$ 2.386,30 por mês, segundo levantamento do Portal Salário para o CBO 3546-05, atualizado em 3 de julho de 2026. A base considera o período de junho de 2025 a maio de 2026 e reúne 3.843 profissionais e movimentações no regime CLT, com jornada média de 43 horas semanais.
O dado expõe um contraste central do mercado imobiliário: enquanto o salário-base formal fica perto de R$ 2,4 mil, a Tabela Referencial de Honorários do CRECI-SP prevê comissão de 6% a 8% para venda de imóveis urbanos. Em uma venda de R$ 500.000, o percentual mínimo de 6% representa R$ 30.000 de comissão bruta.
Salário de corretor de imóveis no Brasil pela CLT
Além da média mensal de R$ 2.386,30, o levantamento informa piso salarial médio de R$ 1.918,44, mediana de R$ 2.070 e teto salarial de R$ 3.276,06 para 2026. Em valores anuais, a tabela detalhada aponta salário médio de R$ 28.636, mediana de R$ 24.840, piso de R$ 23.021 e teto de R$ 39.313.
O Portal Salário ressalta que a pesquisa considera apenas o salário-base registrado em carteira e contrato de trabalho. Ficam fora do cálculo bônus, comissões, horas extras, adicional noturno, periculosidade e insalubridade. Essa metodologia é decisiva para entender por que a remuneração formal pode parecer distante dos valores associados à corretagem.
Comissão de imóveis pode superar um ano de salário-base
Pela tabela referencial do CRECI-SP, a comissão para venda de imóveis urbanos varia de 6% a 8%. O mesmo documento lista 8% a 10% para imóveis rurais, 6% a 8% para imóveis industriais e 5% para venda judicial.
Aplicado a uma venda urbana de R$ 500.000, o honorário de 6% gera R$ 30.000 brutos. Esse valor equivale a 12,57 meses da média CLT nacional de R$ 2.386,30 para corretor de imóveis. Também corresponde a 14,49 meses da mediana mensal de R$ 2.070.
Na comparação anual, a comissão bruta de R$ 30.000 supera em 26,4% o salário médio anual CLT de R$ 28.636 informado para o CBO 3546-05. A diferença ajuda a explicar o paradoxo da profissão: o vínculo formal registra uma base salarial relativamente estreita, enquanto uma operação bem-sucedida pode concentrar remuneração relevante em uma única transação.
Mercado imobiliário, emprego formal e rotatividade
No recorte de junho de 2025 a maio de 2026, o Portal Salário informa 1.944 admissões e 1.899 desligamentos de corretores de imóveis CLT no Brasil. O saldo líquido foi de 45 postos, com rotatividade de 49,4%.
O contexto mais amplo do emprego formal também é relevante. Em maio de 2026, o Novo Caged registrou saldo de 72.960 empregos formais no Brasil, resultado de 2.207.303 admissões e 2.134.343 desligamentos. O estoque nacional de vínculos formais chegou a 47.877.989 no mesmo mês.
O salário médio real de admissão no mercado formal brasileiro foi de R$ 2.384,10 em maio de 2026. O valor ficou R$ 17,97 abaixo do registrado em abril de 2026 e R$ 35,98 acima do observado em maio de 2025.
Preços dos imóveis no Brasil dão escala à corretagem
O tamanho potencial das comissões também depende do preço dos imóveis. O Índice FipeZAP de Venda Residencial de junho de 2026 acompanha preços de imóveis residenciais em 56 cidades brasileiras, com base em anúncios veiculados na internet.
Em junho de 2026, o preço médio de venda residencial apurado pelo FipeZAP foi de R$ 9.853 por metro quadrado. O índice registrou alta mensal de 0,45%, avanço acumulado de 2,42% em 2026 e alta de 5,59% em 12 meses.
Entre as 22 capitais monitoradas no levantamento, Vitória teve o maior preço médio de venda residencial, de R$ 15.210 por metro quadrado. Na sequência vieram Florianópolis, com R$ 13.365 por metro quadrado, e São Paulo, com R$ 12.055 por metro quadrado.
O que a lei diz sobre o corretor de imóveis
A Lei nº 6.530/1978 permite o exercício da profissão de corretor de imóveis ao possuidor de título de Técnico em Transações Imobiliárias. A mesma norma atribui ao corretor a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis.
O Código Civil estabelece que a remuneração é devida ao corretor quando ele consegue o resultado previsto no contrato de mediação, ainda que o resultado não se efetive por arrependimento das partes. Na prática, a regra jurídica reforça a importância do contrato e do resultado da intermediação para a remuneração.
Brasil tem salário-base baixo e comissão alta no setor imobiliário
Os números mostram duas faces da mesma ocupação. De um lado, o corretor de imóveis CLT aparece com média mensal de R$ 2.386,30 e mediana de R$ 2.070 no Brasil. De outro, a comissão referencial de 6% em uma venda urbana de R$ 500.000 gera R$ 30.000 brutos, valor superior à média anual informada para o vínculo formal.
Para quem acompanha imóveis e mercado imobiliário, a leitura é direta: o salário-base mede apenas uma parte da remuneração registrada em carteira. A corretagem, quando existe e quando a venda se concretiza nos termos previstos, pode alterar de forma expressiva a conta final do profissional.



























