Cosan vende imóveis agrícolas em Mato Grosso por R$ 1,85 bi
Radar negocia 41.214 hectares usados para soja, milho e algodão; operação representa 12% do portfólio agrícola e ainda depende de condições precedentes.







A Cosan informou ao mercado, em fato relevante divulgado em São Paulo em 17 de junho de 2026, que o Grupo Radar celebrou compromisso de compra e venda para alienar parte de seu portfólio de propriedades agrícolas em Mato Grosso. A operação envolve 41.214 hectares, destinados ao cultivo de soja, milho e algodão, pelo preço total de R$ 1,85 bilhão.
Os imóveis representam 12% do portfólio total de propriedades agrícolas detido pela Radar. A parcela referente à participação econômica da Cosan no negócio é de aproximadamente R$ 586 milhões. A conclusão, segundo a companhia, ainda está sujeita a condições precedentes usuais para esse tipo de transação.
Imóveis em Mato Grosso têm valor aproximado de R$ 44,9 mil por hectare
Com base nos dados divulgados pela Cosan, a divisão do preço total de R$ 1,85 bilhão pela área de 41.214 hectares resulta em cerca de R$ 44.888 por hectare, ou aproximadamente R$ 44,9 mil por hectare. O cálculo ajuda a dimensionar a transação no mercado imobiliário rural de Mato Grosso, embora o fato relevante não detalhe a localização dos ativos dentro do estado.
A participação econômica da Cosan, de aproximadamente R$ 586 milhões, equivale a cerca de 31,7% do valor total da operação. Como os 41.214 hectares correspondem a 12% do portfólio agrícola da Radar, os dados também implicam um portfólio total de aproximadamente 343.450 hectares antes da venda.
O fato relevante foi assinado por Rafael Bergman, diretor vice-presidente financeiro e de relações com investidores da Cosan. A companhia, aberta e com ações negociadas na B3 sob o código CSAN3 e na NYSE sob CSAN, informou que o compromisso foi celebrado “na data de ontem”, o que indica assinatura em 16 de junho de 2026 e divulgação ao mercado em 17 de junho de 2026.
Venda faz parte de desalavancagem e simplificação de portfólio
A Cosan afirmou que a transação está alinhada à estratégia de desinvestimentos, redução da alavancagem e simplificação de portfólio. O comunicado não informa o nome do terceiro adquirente dos imóveis agrícolas.
O contexto financeiro ajuda a explicar a relevância da venda. No primeiro trimestre de 2026, a Cosan Corporate reportou dívida bruta expandida de R$ 19,185 bilhões, caixa e equivalentes e aplicações de R$ 7,714 bilhões, além de dívida líquida expandida de R$ 11,471 bilhões.
A dívida líquida expandida da holding subiu 18% em relação ao quarto trimestre de 2025 e caiu 34% na comparação com o primeiro trimestre de 2025. O índice de cobertura do serviço da dívida da Cosan Corporate ficou em 0,4 vez no primeiro trimestre de 2026, ante 1,2 vez no primeiro trimestre de 2025 e 0,9 vez no quarto trimestre de 2025.
Mato Grosso reforça peso dos imóveis no mercado imobiliário agrícola
A localização dos ativos em Mato Grosso é central para a leitura da operação. Segundo o 9º levantamento da safra 2025/26 da Conab, divulgado em junho de 2026, o estado foi estimado como o maior produtor de soja do país na temporada, com 51,6 milhões de toneladas.
A mesma estimativa coloca Mato Grosso à frente do Paraná, com 21,7 milhões de toneladas, e de Goiás, com 20,1 milhões de toneladas. Esse peso produtivo ajuda a contextualizar a atratividade de imóveis rurais voltados a grãos e algodão no estado.
No cenário nacional, a Conab estimou a safra brasileira de grãos 2025/26 em 358,6 milhões de toneladas, sobre uma área cultivada de 83,5 milhões de hectares. Para o algodão, cultura também vinculada aos ativos negociados pela Radar, a publicação projetou produção nacional de 9,6 milhões de toneladas de algodão em caroço e cerca de 4,0 milhões de toneladas de algodão em pluma.
O que ainda falta para a operação ser concluída
Apesar do acordo anunciado, a venda ainda não está finalizada. A Cosan informou que a conclusão da operação depende de condições precedentes usuais para esse tipo de transação. O comunicado não detalha quais são essas condições nem identifica o comprador.
Até que essas etapas sejam cumpridas, o negócio permanece como compromisso de compra e venda. Se concluída, a operação retirará do portfólio da Radar uma área equivalente a 12% de suas propriedades agrícolas e reforçará a estratégia declarada pela Cosan de desalavancagem por meio de desinvestimentos.
Para o mercado imobiliário de Mato Grosso, a transação fornece uma referência pública relevante para imóveis agrícolas de grande escala, com dados oficiais de área, preço total e destinação produtiva. O valor aproximado de R$ 44,9 mil por hectare, calculado a partir das informações divulgadas pela companhia, resume a dimensão econômica do acordo.



























