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Crédito habitacional desafia Selic alta no Brasil

Com Selic a 14,25% ao ano, crédito direcionado cresce quatro vezes mais que o livre e mantém força em linhas que incluem imóveis.

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Mesmo com a Selic em patamar ainda restritivo, o crédito direcionado no Brasil, grupo que inclui financiamento habitacional, crédito rural e operações com recursos do BNDES, avançou em ritmo bem superior ao crédito livre em maio de 2026. Segundo dados do Banco Central compilados pelo BTG Pactual, o crédito direcionado cresceu 8% em termos reais em 12 meses, quatro vezes a alta de 2% registrada pelo crédito livre no mesmo período.

O movimento chama atenção porque ocorreu em um ambiente de juros elevados. Em 17 de junho de 2026, o Copom reduziu a Selic para 14,25% ao ano, depois de reuniões em março e abril que levaram a taxa para 14,75% e 14,50%, respectivamente. No Relatório de Política Monetária de junho, o Banco Central afirmou que a taxa ainda estava em “patamar contracionista” e que havia evidências de transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade.

Crédito direcionado cresce mais que o livre no mercado imobiliário do Brasil

Os números de maio mostram a diferença de comportamento entre as duas grandes modalidades de crédito. O saldo total de crédito do Sistema Financeiro Nacional somou R$ 7,3 trilhões, com alta de 0,6% no mês e de 9,5% em 12 meses, segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central em 1º de julho de 2026.

Dentro desse total, o crédito livre atingiu R$ 4,1 trilhões, com expansão de 0,3% no mês e de 6,9% em 12 meses. Já o crédito direcionado somou R$ 3,2 trilhões, com alta de 0,9% no mês e de 13,1% em 12 meses. Com base nesses saldos, o direcionado representava aproximadamente 44% do estoque total de crédito do SFN em maio, enquanto o livre respondia por cerca de 56%.

A relevância para o mercado imobiliário vem da composição dessa modalidade. O crédito direcionado inclui operações diretas e repasses do BNDES, além de aplicações obrigatórias em crédito rural e habitacional com base em depósitos à vista e poupança. O glossário de estatísticas de crédito do Banco Central classifica como modalidades direcionadas, entre outras, o financiamento imobiliário a taxas reguladas e o financiamento imobiliário a taxas de mercado.

Financiamento de imóveis segue reagindo em maio de 2026

Na parte habitacional, a carteira de financiamentos imobiliários com taxas reguladas para pessoas físicas cresceu 1,2% em maio de 2026. O dado ajuda a explicar por que uma fatia do crédito ligado a imóveis pode se mover de forma diferente das linhas mais sensíveis às condições de mercado.

A mesma compilação do BTG Pactual, feita com base em dados de maio do Banco Central, mostrou que as novas concessões de crédito direcionado subiram 6% em maio de 2026, já ajustadas por sazonalidade e inflação. No crédito livre, as concessões caíram 0,1% na mesma comparação.

O contraste aparece também no conjunto das concessões. O Banco Central informou que as concessões totais de crédito, em séries sazonalmente ajustadas, cresceram 0,7% em maio de 2026. Houve queda de 1,0% nas operações com pessoas jurídicas e alta de 0,4% nas operações com pessoas físicas.

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Juros altos pesam sobre crédito livre e famílias

O pano de fundo segue sendo de custo financeiro elevado. A taxa média de juros das concessões de crédito chegou a 33,4% ao ano em maio de 2026, com queda de 0,1 ponto percentual no mês e alta de 1,7 ponto percentual em 12 meses.

No crédito livre, a taxa média atingiu 49,5% ao ano, com alta de 0,1 ponto percentual no mês e de 3,7 pontos percentuais em 12 meses. Para as famílias, o custo médio do crédito livre ficou em 62,8% ao ano; para as empresas, em 25,2% ao ano.

A inadimplência também avançou. No total da carteira de crédito do SFN, chegou a 4,7% em maio de 2026, com alta de 0,1 ponto percentual no mês e de 1,0 ponto percentual em 12 meses. No crédito livre, a inadimplência alcançou 6,2% da carteira, também com alta de 0,1 ponto percentual no mês e de 1,0 ponto percentual em 12 meses.

Projeção do Banco Central para crédito em 2026

No Relatório de Política Monetária de junho de 2026, o Banco Central projetou crescimento nominal de 9,0% para o saldo total de crédito em 2026. A estimativa foi de 7,8% para o crédito livre e de 10,7% para o crédito direcionado.

Em termos reais, o Banco Central afirmou que a projeção de crescimento do saldo total de crédito em 2026 era de 3,6%, abaixo das variações reais de 2024 e 2025. A autoridade monetária associou essa desaceleração aos efeitos correntes e defasados da política monetária em um ambiente de endividamento e comprometimento de renda elevados.

O quadro reforça o paradoxo observado em maio: a Selic elevada restringe parte importante do crédito, mas o crédito direcionado, que inclui linhas habitacionais relevantes para imóveis e para o mercado imobiliário, mostra expansão mais forte que o crédito livre. Para compradores, incorporadoras e agentes financeiros, a diferença entre as modalidades ajuda a entender por que o financiamento de moradia pode não responder aos juros altos com a mesma intensidade de outras linhas.

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