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Data centers levam energia e fibra ao radar imobiliário no Brasil

Investimentos digitais de até R$ 2 trilhões até 2029 reforçam busca por terrenos grandes, conectados e com energia de alta capacidade.

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Data centers passaram a ocupar um lugar central na agenda do mercado imobiliário no Brasil em 2026. A mudança foi destacada pela Folha em 27 de junho, ao relacionar a busca por terrenos ao ciclo de até R$ 2 trilhões em investimentos em tecnologias digitais previsto para o período de 2026 a 2029, segundo o Relatório Setorial 2025 da Brasscom.

O movimento desloca parte da atenção dos imóveis tradicionais para glebas capazes de atender a uma combinação rara: área extensa, energia de alta capacidade, redundância elétrica, refrigeração, conectividade por fibra óptica e licenciamento adequado. Segundo a JLL, a demanda imobiliária para data centers no Brasil envolve áreas médias de 60 mil m².

Brasil mira R$ 2 trilhões e aquece mercado imobiliário de data centers

A projeção da Brasscom cobre tecnologias como nuvem, inteligência artificial, big data & analytics, segurança da informação, IoT, redes sociais, robótica, blockchain, realidade aumentada e impressão 3D. Dentro desse pacote, computação em nuvem concentra R$ 765,6 bilhões dos investimentos previstos entre 2026 e 2029, com crescimento médio anual projetado de 21%.

A inteligência artificial aparece logo atrás, com R$ 736,6 bilhões no mesmo intervalo e crescimento médio anual projetado de 20%. O pano de fundo já vinha forte: o macrossetor de TIC movimentou R$ 919,7 bilhões em 2025, cresceu 15% ante 2024 e correspondeu a 7,2% do PIB brasileiro. O mercado de TIC isolado somou R$ 498 bilhões em 2025, alta de 22,5%, enquanto nuvem atingiu R$ 85 bilhões, alta de 35,5%.

Energia, fibra e licenciamento redefinem o valor dos imóveis

Para o setor imobiliário, o diferencial não está apenas no tamanho do terreno. A JLL aponta que áreas aptas a data centers precisam ter alta disponibilidade de energia, anéis de fibra óptica e ausência de riscos ambientais como alagamento, vibrações, poluentes no ar e explosões. A Folha também destacou que esses ativos exigem sistemas de refrigeração, redundância elétrica e licenciamento adequado.

Essa combinação coloca no radar áreas fora dos eixos residenciais tradicionais, desde que conectadas à infraestrutura necessária. A pauta imobiliária, portanto, passa a envolver menos a lógica de adensamento urbano comum a moradia e comércio e mais a capacidade de entregar energia, conectividade, segurança operacional e expansão.

Polos no Brasil concentram capacidade instalada

A Folha informou que o Brasil concentra 48% da capacidade instalada de data centers da América Latina, dado atribuído à JLL. A Forbes Brasil, também com base no JLL Latin America Data Center Report, informou que o país reúne cerca de 48% da capacidade em operação e 71% da capacidade em construção na região.

Na América Latina, havia cerca de 1.105 MW de capacidade instalada em data centers, 683 MW em construção e pipeline superior a 3,8 GW em novos projetos. A JLL informou ainda que o inventário de colocation da região cresceu 20% em 2025, com vacância média de 9% e pipeline de construção de colocation e hyperscale 42% pré-comprometido.

Campinas, Barueri, São Paulo e Rio aparecem no mapa

No Brasil, a JLL informou que Campinas e Barueri tinham, respectivamente, 410 MW e 221 MW em operação. Também havia 285 MW em construção em Campinas e 64 MW em Barueri, além de 320 MW planejados em Campinas e 38 MW planejados em Barueri.

A capital paulista tinha 39 MW em operação, 33 MW em construção e 30 MW planejados. O Rio de Janeiro aparecia com 76 MW em operação e 103 MW em construção. A Folha citou Barueri, Alphaville, Campinas e Fortaleza como polos brasileiros de data centers, e informou que o Ceará tinha 17 cabos submarinos ancorados.

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Conectividade e energia puxam novos projetos no Brasil

A infraestrutura de internet ajuda a explicar a disputa por localização. O CGI.br informou que o IX.br atingiu 50 Tbit/s de tráfego agregado em março de 2026, com 32 Tbit/s no IX.br São Paulo, descrito como líder global em volume de troca de tráfego e número de participantes. O IX.br estava presente em 39 áreas metropolitanas das cinco regiões do Brasil, com cerca de 3,8 mil sistemas autônomos participantes e aproximadamente 7 mil conexões.

Fortaleza também aparece nesse mapa: segundo o CGI.br, a cidade abriga o segundo maior PTT do Brasil e contribui para a distribuição de conteúdo digital no país.

No lado da energia, o Ministério de Minas e Energia informou que os pedidos de conexão de novos projetos de data centers cresceram 330% entre 2024 e 2025. Em dezembro de 2025, havia 28,5 GW de demanda solicitada para projetos previstos até 2038. O ministério também informou que o Brasil contava com 205 data centers em operação e empreendimentos em construção que somavam mais de R$ 114,5 bilhões em investimentos.

Redata e investimentos privados ampliam a disputa por terrenos

A Câmara dos Deputados aprovou em 25 de fevereiro de 2026 o projeto de lei que cria o Redata, regime fiscal para data centers, e enviou o texto ao Senado. O regime aprovado prevê suspensão de tributos por cinco anos na compra de equipamentos, condicionada a contrapartidas como uso de energia limpa ou renovável. A estimativa do governo era de renúncia fiscal de R$ 5,2 bilhões em 2026 e R$ 1 bilhão em cada um dos dois anos seguintes.

Empresas já anunciaram projetos com forte componente imobiliário. A Scala Data Centers e o governo do Rio Grande do Sul assinaram em 11 de setembro de 2024 carta de intenções para a Scala AI City em Eldorado do Sul, com investimento inicial de US$ 500 milhões, cerca de R$ 3 bilhões, e capacidade inicial de TI de 54 MW. A empresa informou que a área foi escolhida por segurança contra desastres naturais, abundância de energia e capacidade imobiliária para expansão contínua ao longo de décadas.

A Ascenty anunciou investimento de aproximadamente R$ 300 milhões no SPO05, seu quinto data center na região metropolitana de São Paulo, dentro de um campus de 47 MW e cerca de 40 mil m². Também anunciou SPO07 e SPO08, com 40 MW de capacidade e investimento aproximado de R$ 1,5 bilhão, em terreno de 47.430,16 m² adquirido em 2023 em São Paulo.

A ODATA anunciou o DC SP04 em Osasco, São Paulo, com 48 MW, investimento superior a US$ 450 milhões e previsão de operação em abril de 2025. A empresa informou que o projeto pode oferecer densidades de até 50 kW por rack e que suas operações no Brasil usam energia 100% renovável.

O resultado é uma nova camada de competição por imóveis no Brasil: terrenos antes avaliados principalmente por localização urbana passam a ser analisados pela capacidade de sustentar energia, fibra, segurança ambiental e expansão. Para proprietários, investidores e gestores públicos, data centers tornam infraestrutura digital uma variável direta do mercado imobiliário.

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