Escritórios em São Paulo têm menor vacância em seis anos
Mesmo com Selic elevada, mercado imobiliário corporativo ocupou mais de 80 mil m² no 1º trimestre de 2026 e reduziu vacância a 16%.







O mercado de escritórios corporativos em São Paulo entrou em 2026 com um sinal claro de recuperação: mais de 80 mil m² foram ocupados no 1º trimestre, e a vacância caiu para 16%, o menor nível em seis anos no recorte citado pela Colliers e pela InfoMoney. A taxa havia chegado a 23% no 2º trimestre de 2023, passou a 19% no 1º trimestre de 2025, fechou 2025 em 17% e recuou novamente no início de 2026.
O movimento chama atenção porque ocorreu em um ambiente de juros ainda altos. Segundo o histórico do Banco Central, a meta da Selic estava em 15,00% ao ano entre 29 de janeiro e 18 de março de 2026, foi reduzida para 14,75% ao ano entre 19 de março e 29 de abril e chegou a 14,50% ao ano a partir de 30 de abril.
Mercado imobiliário de São Paulo avança apesar da Selic alta
A queda da vacância mostra que a retomada dos imóveis corporativos em São Paulo não depende apenas do custo do dinheiro. Os dados reunidos por consultorias apontam uma combinação de ocupação efetiva, busca por prédios de maior padrão e falta de grandes áreas disponíveis nos endereços mais disputados.
No recorte de alto padrão da JLL, a vacância de escritórios na cidade chegou a 13,4% no 1º trimestre de 2026, o menor patamar em 14 anos. A consultoria também registrou alta de 8% no preço médio pedido em 12 meses e de 24,3% em 24 meses, além de 12 locações acima de 3 mil m² e seis operações acima de 5 mil m² no início de 2026.
Imóveis de alto padrão concentram a demanda em São Paulo
Barra Funda, JK e Chucri Zaidan lideraram o saldo de ocupação no 1º trimestre de 2026, com absorção líquida acima de 15 mil m² em cada região, segundo a JLL. Rebouças atingiu vacância zero no período, e o novo estoque previsto para a região em 2026 já estava totalmente pré-locado, conforme Yara Matsuyama, diretora de Locações da consultoria.
A mesma JLL afirma que o estoque de escritórios de alto padrão em São Paulo cresceu 26% desde 2019. Ainda assim, a oferta de grandes áreas encolheu: o número de edifícios capazes de oferecer lajes contíguas acima de 10 mil m² caiu de 17 para 7 na comparação com o 1º trimestre de 2024.
Esse aperto aparece nos principais eixos corporativos. Faria Lima, Itaim, Nova Faria Lima, Paulista e Vila Olímpia não tinham áreas contíguas acima de 10 mil m² disponíveis em seus estoques no cenário descrito pela JLL.
Preços de escritórios variam de R$ 32 a R$ 300 por m²
O mapa de preços do mercado imobiliário corporativo de São Paulo revela uma cidade bastante desigual. Nos eixos Nova Faria Lima e JK, os preços pedidos já chegavam a R$ 300/m²/mês no levantamento citado pela InfoMoney. Ao mesmo tempo, a média de locação para edifícios Classe A e A+ nas regiões primárias era de R$ 96/m²/mês.
Nos dados da Cushman & Wakefield para escritórios Classe A no CBD paulistano, a vacância encerrou o 1º trimestre de 2026 em 11,38%, com absorção líquida de 62.555 m², absorção bruta de 88.450 m², estoque de 3.081.560 m², área disponível de 350.635 m² e aluguel médio pedido de R$ 138,35/m²/mês.
O eixo JK teve absorção líquida de 19.276 m², vacância de 3,88% e aluguel médio pedido de R$ 281,71/m²/mês no relatório da Cushman & Wakefield. Faria Lima registrou vacância de 9,94% e aluguel médio pedido de R$ 290,19/m²/mês.
Vacância elevada ainda pesa fora dos eixos premium
Fora das áreas mais pressionadas, a fotografia é diferente. Santo Amaro tinha aluguel médio pedido de R$ 32/m²/mês e vacância de 65%, enquanto Marginal Pinheiros registrava aluguel médio pedido de R$ 47/m²/mês e vacância de 47%, segundo o levantamento citado pela InfoMoney.
Essa distância entre regiões ajuda a explicar por que a queda da vacância geral não significa equilíbrio homogêneo. A demanda se concentra em determinados eixos e padrões de edifício, enquanto outras áreas ainda carregam estoques disponíveis e preços bem menores.
Novas torres de escritórios podem testar a recuperação
A oferta futura será um ponto decisivo para o mercado de imóveis corporativos em São Paulo. A cidade contabilizava cerca de 416 mil m² em obras distribuídos em seis torres, das quais duas estavam 100% pré-locadas antes da conclusão, ambas em Pinheiros, de acordo com a InfoMoney.
As seis torres previstas para entrega ainda em 2026 somavam cerca de 258 mil m². A projeção adicional era de 75 mil m² em 2027 e 83 mil m² em 2028. Em outro recorte, a Cushman & Wakefield registrou 352.912 m² em construção no mercado São Paulo CBD AA+ no 1º trimestre de 2026.
O quadro, portanto, é de recuperação consistente, mas seletiva. A vacância caiu, os preços subiram nos endereços de maior procura e grandes lajes ficaram mais raras. Para investidores, ocupantes e proprietários, a pergunta central passa a ser onde a nova oferta será absorvida com mais força: nos eixos já disputados ou nas regiões que ainda convivem com vacância elevada.
Fontes: InfoMoney, Banco Central do Brasil, JLL e Cushman & Wakefield.



























