Estelionato sobe em Mato Grosso do Sul e alerta imóveis
Com alta de fraudes, cartórios e CRECI-MS orientam checagem de matrícula, corretor e dados do imóvel antes de compra, venda ou aluguel.







Golpes envolvendo compra, venda e aluguel de imóveis acenderam um alerta em Mato Grosso do Sul em 2026. Reportagem publicada pelo Campo Grande News em 11 de junho informou aumento de fraudes imobiliárias em Campo Grande e em outras cidades do Estado, em meio ao avanço dos registros de estelionato. O alerta cita cerca de 9,7 mil ocorrências por ano, quase um golpe por hora, e alta de 223% desde 2018, dados atribuídos ao Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025.
O tema afeta diretamente quem procura imóveis, atua no mercado imobiliário ou administra patrimônio. Segundo a Anoreg/MS, que publicou orientação em 3 de junho de 2026, o crescimento dos estelionatos reforça a necessidade de consultar o RI Digital antes de fechar negócios imobiliários.
Estelionato em Mato Grosso do Sul pressiona o mercado imobiliário
A dimensão do problema aparece também na Tabela 19 do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025. O levantamento registrou em Mato Grosso do Sul 13.357 ocorrências de estelionato em 2023 e 13.670 em 2024. A variação foi de 1,5%, com taxa de 471,1 registros por 100 mil habitantes em 2024.
O mesmo anuário informa que, no Estado, os estelionatos por meio eletrônico somaram 5.414 ocorrências em 2023 e 4.575 em 2024, queda de 16,2%, com taxa de 157,7 por 100 mil habitantes em 2024. Em nota metodológica, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública explica que, desde 2021, o artigo 171 do Código Penal passou a incluir modalidades de fraude eletrônica nos parágrafos 2º-A, 2º-B e 3º, e que os totais da tabela abrangem estelionato comum e fraude eletrônica.
No Brasil, o anuário registrou 2.166.552 estelionatos em 2024, alta de 7,8% sobre 2023. Também foram contabilizados 281.206 estelionatos por meio eletrônico em 2024, crescimento de 17,0% na comparação anual.
Golpes com imóveis incluem falso proprietário e matrícula omitida
Entre as fraudes recorrentes listadas pelo Campo Grande News estão a venda por falsos proprietários, a oferta de imóveis inexistentes ou indisponíveis, a venda do mesmo imóvel para diferentes compradores e a omissão de dívidas ou restrições judiciais.
Esses golpes exploram pontos críticos de uma negociação imobiliária: pressa para assinar contrato, promessa de preço muito abaixo do mercado, pedido de depósito antecipado e falta de conferência documental. Em operações de compra, venda ou aluguel, a matrícula do imóvel é uma das principais peças para verificar a situação registral do bem.
O CRECI-MS já havia alertado, em 6 de fevereiro de 2025, para golpes com leilões falsos, anúncios falsos de imóveis, depósitos antecipados e pessoas que se passam por proprietários de imóveis ou terrenos desocupados. A orientação do conselho inclui consultar o registro do corretor no CRECI-MS, exigir matrícula atualizada do imóvel no cartório, visitar o imóvel, conversar com vizinhos, pedir documentação e desconfiar de preços muito baixos sem explicação plausível.
RI Digital reúne dados de imóveis e pode reduzir risco
O RI Digital se apresenta como a plataforma oficial do Registro de Imóveis. Segundo o Campo Grande News, o sistema reúne informações de mais de 84 milhões de imóveis registrados no país, cerca de 1,8 milhão deles em Mato Grosso do Sul.
Na própria plataforma, o RI Digital lista serviços como Certidão Digital, Visualização de Matrícula, Pesquisa Qualificada, Pesquisa Prévia, Monitor Registral e Consulta de Indisponibilidade de Bens. A Certidão Digital permite obter certidão de imóvel assinada eletronicamente com validade de 30 dias, enquanto a Visualização de Matrícula permite consultar a matrícula arquivada no cartório.
A plataforma também informa que a Pesquisa Qualificada permite busca detalhada de imóveis registrados em CPF ou CNPJ. Já a Pesquisa Prévia possibilita consultar matrículas vinculadas a CPF ou CNPJ nos Cartórios de Imóveis.
IPTU, dívidas e restrições judiciais devem entrar na checagem
Embora os alertas citados enfatizem a matrícula e a situação registral, a cautela no mercado imobiliário também passa por verificar se há dívidas ou restrições informadas na documentação do imóvel. O Campo Grande News inclui a omissão de dívidas ou restrições judiciais entre as fraudes recorrentes. Em negociações urbanas, pendências como IPTU podem fazer parte da conferência documental exigida antes da assinatura.
O objetivo é simples: confirmar se o bem existe, se está disponível para negociação, se quem vende tem legitimidade para vender e se há impedimentos que possam comprometer o comprador ou locatário depois do pagamento.
Casos mostram como o golpe imobiliário se apresenta
Em Campo Grande, uma operação conjunta de Creci-MS, Procon-MS, Decon-MS e Ministério Público do Trabalho autuou nove pessoas por exercício ilegal da profissão durante tentativa de venda de uma casa que não existia, em 13 de abril de 2022. Segundo o Midiamax, um casal estava prestes a entregar R$ 9 mil após ver anúncio no Facebook e receber promessa de liberação de R$ 200 mil em 30 dias.
Também em Campo Grande, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul prendeu em flagrante, em 3 de junho de 2022, um corretor de imóveis de 37 anos por tentativa de estelionato em financiamento imobiliário com dados falsos em agência bancária.
Fora do Estado, a Operação Real State, deflagrada em 15 de abril de 2026 pela Polícia Civil de Santa Catarina com apoio do Ministério da Justiça, mirou uma associação criminosa especializada em fraudes imobiliárias de alto padrão em Jurerê Internacional, em Florianópolis. O prejuízo estimado foi de R$ 12 milhões.
Na operação, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão e 10 mandados de prisão temporária em Boa Vista, Brejo de Areia, Caucaia, Fortaleza, Manaus, Goiânia e Trindade. A investigação identificou negociação fraudulenta de cinco terrenos de luxo, uso indevido de assinaturas digitais do Gov.br, fraude societária e procurações falsas para lavratura de escrituras sem anuência das vítimas.
Como reduzir riscos antes de fechar negócio imobiliário
Os alertas reunidos por cartórios, CRECI-MS e órgãos de segurança apontam para uma mesma direção: negócios com imóveis em Mato Grosso do Sul exigem conferência documental antes de qualquer pagamento. A matrícula atualizada, a consulta ao corretor, a visita ao imóvel e a verificação de CPF ou CNPJ vinculados ao bem são etapas básicas para reduzir a exposição ao estelionato.
O avanço dos registros de estelionato não significa que toda negociação seja suspeita, mas muda o padrão de cautela. Para compradores, vendedores e locatários, a regra prática é não tratar anúncio, promessa ou conversa por aplicativo como prova suficiente. No mercado imobiliário, a segurança começa no documento.



























