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Faria Lima passa de R$ 300/m², mas FIIs ficam para trás

Lajes premium em São Paulo encarecem com vacância menor, enquanto fundos de escritórios perdem peso no IFIX e distribuem menos.

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O aluguel de lajes corporativas premium em São Paulo voltou ao centro do mercado imobiliário em 2026. Na Faria Lima, imóveis de alto padrão passam de R$ 300/m² com facilidade e podem superar R$ 400/m² nos edifícios mais disputados, segundo matéria da Forbes Brasil publicada em 22 de junho de 2026. Na prática, uma laje de 3.000 m² na região custa de R$ 900 mil a R$ 1,2 milhão por mês.

O movimento expõe uma diferença importante para investidores: enquanto a ocupação e os preços dos escritórios de maior qualidade melhoram, os FIIs de lajes corporativas listados em bolsa seguem com desempenho mais fraco. A categoria “Office” representava cerca de 10,1% do valor de mercado setorial mostrado no relatório gerencial de maio de 2026 do PVBI11, contra cerca de dois terços do IFIX há pouco mais de uma década, conforme a Forbes.

Mercado imobiliário em São Paulo: Faria Lima concentra aluguel alto

A Faria Lima segue como referência de preço para escritórios corporativos premium em São Paulo. Pela faixa informada pela Forbes, de R$ 300 a R$ 400/m², uma área de 3.000 m² alcança valores mensais entre R$ 900 mil e R$ 1,2 milhão. Um espaço de 5.000 m² na região foi estimado entre R$ 1,5 milhão e R$ 1,7 milhão mensais.

O pano de fundo é a redução da ociosidade no mercado de escritórios. A CBRE informou à Forbes que a absorção líquida em São Paulo somou 292 mil m² em 2025, abaixo do recorde histórico de 360 mil m² registrado em 2019. A vacância média fechou 2025 em 16,6% e caiu para 15,9% no primeiro trimestre de 2026.

Imóveis Triple A têm vacância menor em São Paulo

Nos prédios Triple A, a escassez é mais evidente. Segundo Felipe Giuliano, diretor de Locação, Brokerage, Saúde e Pesquisa da CBRE Brasil, a vacância desse segmento chegou a 10,5% no início de 2026. O dado ajuda a explicar por que os melhores endereços conseguem sustentar aluguéis mais altos mesmo em um ambiente de juros ainda elevados.

A Brookfield Properties também relatou melhora de ocupação em seu portfólio brasileiro. A companhia informou ter 27 prédios de escritórios corporativos no país, com cerca de 900 mil m² sob operação em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. A ocupação total chegou a 91%, alta de 9 pontos percentuais em relação ao ano anterior.

O caso do Parque da Cidade ilustra essa recuperação. Comprado pela Brookfield em meados de 2022, o complexo tinha 40% de ocupação no momento da aquisição e operava com 93% de ocupação em junho de 2026. A empresa também informou ter assinado 83 mil m² em contratos de locação em 2025 e 25 mil m² em 2026 até a publicação da reportagem.

FIIs de lajes corporativas não acompanham a alta dos imóveis

O contraste aparece na bolsa. No relatório gerencial do PVBI11 de maio de 2026, publicado no sistema FNET da B3, a categoria “Office” tinha 15 fundos, valor de mercado de R$ 15,911 bilhões, P/VP de 0,78 e queda de 3,0% no mês. O IFIX total reunia 107 fundos, valor de mercado de R$ 157,104 bilhões, P/VP de 0,92 e queda de 1,3% em maio.

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Essa fotografia mostra o encolhimento relativo dos fundos de escritórios dentro do índice. Pela divisão entre R$ 15,911 bilhões e R$ 157,104 bilhões, os fundos “Office” somavam cerca de 10,1% do valor de mercado setorial do relatório. A Forbes afirmou que os FIIs de lajes corporativas chegaram a representar dois terços do IFIX há pouco mais de uma década e hoje estão perto de 10%.

PVBI11 mostra desconto e dividendos menores

O PVBI11 ajuda a entender a distância entre o mercado físico e o mercado financeiro. Em maio de 2026, o fundo tinha patrimônio líquido de R$ 2,9 bilhões, cota patrimonial de R$ 107,74, valor de mercado de R$ 2,0 bilhões, cota de mercado de R$ 74,10 e P/VP de 0,69. O portfólio reunia 7 edifícios, 54 locatários, 83.263 m² de ABL e WALE de 4,6 anos.

O fundo registrou receita total de R$ 0,52 por cota e resultado distribuível de R$ 0,36 por cota em maio de 2026. A distribuição foi de R$ 0,40 por cota, com pagamento em 8 de junho de 2026, e a reserva acumulada caiu para R$ 0,19 por cota ao fim de maio. Segundo a Forbes, os dividendos do PVBI11 recuaram de cerca de R$ 0,70 por cota no fim de 2023 para R$ 0,60 em 2024, R$ 0,50 em 2025 e R$ 0,40 em maio de 2026.

A vacância física do PVBI11 caiu de 18,5% para 17,1% em maio de 2026, enquanto a vacância financeira passou de 19,9% para 18,9%. Ainda assim, a gestão projetou vacância física de 24,9% a partir de julho de 2026, considerando a saída do Banco ABC do ativo Cidade Jardim e outras movimentações já anunciadas. Em 31 de maio de 2026, o fundo não possuía alavancagem, obrigação por aquisição de imóveis ou endividamento financeiro.

Selic alta pesa no cenário de investimento em FIIs

O ambiente de juros ajuda a compor o quadro para investidores. O Copom reduziu a Selic de 14,50% para 14,25% ao ano em 17 de junho de 2026, segundo a Agência Brasil. Antes disso, a taxa ficou em 15% ao ano de junho de 2025 a março de 2026, o maior nível em quase 20 anos, também conforme a Agência Brasil.

Em maio de 2026, o PVBI11 caiu 2,0%, acumulou queda de 7,1% no ano e alta de 13,3% desde o início da série comparada no relatório. No mesmo documento, o IFIX caiu 1,3% no mês, subiu 2,7% em 2026 e acumulou alta de 42,4% desde o início da série. O CDI bruto teve alta de 1,1% em maio, 5,7% no ano e 79,1% desde o início da série comparada.

O resultado é um mercado em duas velocidades. Nos imóveis corporativos premium de São Paulo, especialmente na Faria Lima, a combinação de ocupação maior e oferta restrita sustenta aluguéis elevados. Nos FIIs de lajes, porém, o investidor ainda vê desconto patrimonial, dividendos menores e uma categoria que perdeu protagonismo dentro do IFIX.

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