Fraude de R$ 1 bi no Rio envolve imóveis na Barra
Operação Lázaro apura reativação de banco extinto e suspeitas de invasões de terrenos e condomínios irregulares na Barra da Tijuca.







A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, em 25 de junho de 2026, a Operação Lázaro para investigar uma suposta fraude ligada à reativação do BCM, Banco de Crédito Móvel S.A., instituição encerrada havia mais de seis décadas. A apuração mira a tentativa de reivindicar um crédito estimado em mais de R$ 1 bilhão, associado à desapropriação de uma área de aproximadamente 153 mil m² no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio de Janeiro.
O caso ganhou dimensão imobiliária porque, além da suspeita societária, a Polícia Civil apura possíveis invasões de terrenos na Barra da Tijuca, supostas fraudes imobiliárias e construção de condomínios irregulares ligados a pessoas investigadas. A investigação foi conduzida pela Delegacia de Defraudações, DDEF, com 12 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça.
Operação Lázaro no Rio de Janeiro mira imóveis e documentos
As buscas ocorreram em imóveis no Recreio dos Bandeirantes, Barra da Tijuca, Glória, Tijuca, Copacabana, Gávea e Botafogo, todos na capital fluminense. Segundo a Polícia Civil, os agentes buscavam telefones, documentos e outros materiais relacionados à reativação do banco na Jucerja em 2024.
Entre os alvos citados pela CNN Brasil estavam acionistas ligados ao Banco de Crédito Móvel, o vice-presidente da Jucerja, Affonso D’Anzicourt Silva, o secretário-geral da Jucerja, Gabriel Oliveira de Souza Voi, e o ex-presidente da autarquia Sergio Tavares Romay. O R7 informou que a polícia mirava supostos acionistas do banco, agentes públicos e ex-dirigentes da Junta Comercial suspeitos de facilitar irregularidades.
Mercado imobiliário: o terreno no Recreio e a cobrança bilionária
O eixo financeiro da investigação envolve um crédito associado à desapropriação de uma área de cerca de 153 mil m² no Recreio dos Bandeirantes. De acordo com o UOL, esse crédito está no centro da apuração sobre a suposta tentativa de apropriação de valor superior a R$ 1 bilhão.
Registros analisados pela investigação indicam que o Banco de Crédito Móvel encerrou atividades em 1964, após aprovação de liquidação pelos acionistas. Segundo a CNN Brasil, os documentos reunidos apontam que acionistas minoritários receberam valores correspondentes às suas participações, enquanto os acionistas majoritários Pasquale Mauro e Holophernes Castro dividiram bens remanescentes do patrimônio da instituição.
O histórico administrativo também aparece em documento do DREI. O órgão informa que o Plenário da Jucerja, na 2.568ª Sessão Plenária de 30 de abril de 2024, manteve o registro de ata de AGE do Banco de Crédito Móvel/BCM Ativos Imobiliários S.A. de 28 de outubro de 2022, arquivada sob nº 00005229720, alterando a situação cadastral de “extinta” para “ativa”.
Jucerja, DREI e a situação cadastral do banco
O mesmo documento do DREI registra que o ato de liquidação e extinção da sociedade foi lavrado em 30 de dezembro de 1964 e arquivado em 11 de março de 1966 sob nº 00000126595. O DREI também registrou que a 6ª Vara Empresarial da Capital do Rio de Janeiro informou, em ofício citado no processo, que “a hipótese não é de restabelecimento do registro da companhia, uma vez que foi regularmente extinta”.
No recurso administrativo, o espólio recorrente citou a ação de desapropriação nº 0000309-50.1962.8.10.0001 e o precatório nº 1998.03464-7, no valor de R$ 620 milhões, atribuídos aos espólios de Pasquale Mauro e Holophernes Castro.
Precatório, imóveis e disputa por titularidade
A disputa em torno dos valores não começou com a operação policial. A Folha de S.Paulo informou, em 30 de maio de 2025, que dois grupos disputavam a titularidade de um precatório avaliado em cerca de R$ 1 bilhão ligado ao Banco de Crédito Móvel/BCM Ativos Imobiliários.
Segundo a Folha, os precatórios disputados decorriam da desapropriação de duas áreas na década de 1960 e estavam em nome dos herdeiros de Holophernes Castro e Pasquale Mauro. Esse pano de fundo ajuda a explicar por que uma investigação sobre um banco extinto passou a alcançar temas sensíveis para o mercado imobiliário do Rio de Janeiro, como titularidade de áreas, registros societários e cobrança de créditos antigos.
Barra da Tijuca: terrenos, obras irregulares e risco imobiliário
A frente imobiliária da investigação concentra parte relevante do risco. A Polícia Civil apura possíveis invasões de terrenos na Barra da Tijuca, supostas fraudes imobiliárias e construção de condomínios irregulares ligados a pessoas investigadas no caso.
A Itatiaia informou que, durante a apuração, surgiram indícios de ligação de integrantes do grupo com fraudes imobiliárias, invasões de terrenos e empreendimentos irregulares em áreas da Barra da Tijuca, com participação da milícia. Esses elementos ainda fazem parte da investigação, mas reforçam a importância de verificar documentação, origem registral e regularidade urbanística antes de qualquer negociação envolvendo imóveis em áreas sob suspeita.
Para compradores, proprietários e investidores no Rio de Janeiro, o caso expõe como disputas societárias antigas, precatórios e registros administrativos podem atravessar o mercado imobiliário décadas depois. A Operação Lázaro, até aqui, reúne duas frentes de apuração: a reativação de uma instituição dada como extinta e os indícios de uso de terrenos e empreendimentos irregulares na zona oeste da capital fluminense.
O desfecho dependerá do avanço da investigação conduzida pela Delegacia de Defraudações e da análise dos materiais apreendidos. Enquanto isso, o caso permanece como alerta para operações imobiliárias em regiões valorizadas do Rio de Janeiro, especialmente quando há cobrança bilionária, histórico fundiário antigo e suspeitas de irregularidade documental.



























