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Goiânia cresce 3 vezes a média e acende alerta nos imóveis

Vendas residenciais subiram 12,7% no 1º trimestre de 2026, ante 4,1% no Brasil; preços, MCMV e licenciamento entram no radar.

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O mercado imobiliário de Goiânia abriu 2026 em ritmo acima da média nacional. No 1º trimestre, foram comercializados 2.882 imóveis residenciais na capital, alta de 12,7% em relação ao mesmo período de 2025. No Brasil, as vendas chegaram a 110.722 unidades, avanço de 4,1% no mesmo recorte.

Na comparação direta, o desempenho de Goiânia foi cerca de 3,1 vezes o crescimento nacional. A leitura, baseada em dados da Ademi-GO e dos Indicadores Imobiliários Nacionais da CBIC/CII e Brain, reforça a força da demanda local, mas também expõe pontos de atenção para o setor: valorização dos imóveis, menor participação do Minha Casa Minha Vida e alerta sobre prazos de aprovação de empreendimentos.

Mercado imobiliário em Goiânia supera o Brasil no 1º trimestre

Além das vendas, os lançamentos residenciais também avançaram em Goiânia. No 1º trimestre de 2026, eles cresceram 15,8%, passando de 2.525 para 2.924 unidades. O movimento contrasta com o resultado nacional: no Brasil, os lançamentos caíram 4,9% frente ao 1º trimestre de 2025 e 32,1% ante o 4º trimestre de 2025.

O Centro-Oeste também apareceu em destaque no levantamento nacional. A região registrou alta de 38,3% nos lançamentos no 1º trimestre de 2026 ante igual período de 2025, o maior crescimento regional do país na pesquisa da CBIC.

O contexto econômico, porém, não era de juros baixos. No fim do 1º trimestre de 2026, a Selic estava em 14,75% ao ano, patamar citado pela CBIC como ambiente de juros elevados para as vendas nacionais do período. Em 17 de junho de 2026, o Copom reduziu a taxa de 14,50% para 14,25% ao ano.

Imóveis em Goiânia têm valorização e metro quadrado mais caro

A pressão de demanda também aparece nos preços. Segundo levantamento citado por O Hoje, o preço médio do metro quadrado em Goiânia subiu 3,6% nos três primeiros meses de 2026 e chegou a R$ 10.914/m².

Nos bairros Marista, Bueno, Oeste e Jardim Goiás, a média informada para o metro quadrado chegou a R$ 12.881/m². O Setor Marista atingiu R$ 13.462/m² no levantamento citado pela Ademi-GO.

Outra referência de preços, o Índice FipeZAP de Venda Residencial de maio de 2026, apontou Goiânia com preço médio de R$ 8.280/m². O índice registrou alta mensal de 0,66%, avanço acumulado de 2,29% em 2026 e valorização de 5,32% em 12 meses. O FipeZAP acompanha preços de imóveis residenciais em 56 cidades brasileiras com base em anúncios veiculados na internet.

Minha Casa Minha Vida perde peso nas vendas da capital

O desempenho forte do mercado de Goiânia não se repetiu com a mesma intensidade no Minha Casa Minha Vida. No Brasil, o programa respondeu por 54.510 vendas no 1º trimestre de 2026, equivalentes a 49% das unidades residenciais vendidas no país.

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Em Goiânia, apenas 26% das unidades comercializadas no período estavam enquadradas no Minha Casa Minha Vida, o que representou menos de 750 imóveis vendidos. No Centro-Oeste, a participação do MCMV nas vendas foi de 34%.

Nos lançamentos, o avanço do programa na capital foi mais discreto: as unidades dentro do MCMV cresceram 2% no 1º trimestre de 2026, passando de 904 para 928. Representantes da Ademi-GO atribuíram o subdesempenho do programa em Goiânia às condições de aprovação de projetos na capital.

Licenciamento acende alerta para novos lançamentos em Goiânia

O ponto de atenção mais direto para a continuidade do ciclo de expansão está nos prazos de licenciamento. O presidente da Ademi-GO, Felipe Melazzo, afirmou que consultas com associadas indicaram que o prazo de aprovação de empreendimentos em Goiânia chegou a dobrar em relação à gestão municipal anterior.

Esse alerta ganha peso porque a absorção de unidades ocorre em um mercado que lançou mais e vendeu mais no início do ano. Se o ritmo de vendas continuar forte, prazos mais longos de aprovação podem limitar a reposição de oferta por novos empreendimentos.

A discussão também se conecta ao marco urbanístico recente da cidade. O Plano Diretor de Goiânia foi instituído pela Lei Complementar nº 349, de 4 de março de 2022. Já a Lei Complementar nº 371, de 4 de janeiro de 2024, fixou no PDU I índice de aproveitamento de até 6 vezes a área do terreno e permitiu TDC até 7,5 vezes a área do terreno.

População, renda e construção civil no pano de fundo

Goiânia também carrega indicadores demográficos e econômicos que ajudam a dimensionar a demanda urbana. O IBGE estima a capital com 1.503.256 habitantes em 2025, ante 1.437.366 pessoas no Censo 2022. O PIB per capita municipal foi de R$ 52.722,02 em 2023.

No estado, Goiás tinha 7.423.629 habitantes estimados em 2025, contra 7.056.495 no Censo 2022. No país, o PIB do 1º trimestre de 2026 foi de R$ 3,3 trilhões, com crescimento acumulado em quatro trimestres de 2,0%.

Na capital, a construção civil respondeu por 11% dos novos postos de trabalho criados no 1º trimestre de 2026. O dado reforça que o ciclo imobiliário tem efeito além das vendas de imóveis, alcançando emprego e atividade urbana. O desafio, agora, é saber se Goiânia conseguirá sustentar a expansão sem restringir a oferta, especialmente no segmento de maior alcance social.

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