Golpe com imóveis em João Pessoa soma R$ 15 milhões
Empresário foi preso suspeito de vender o mesmo apartamento a compradores diferentes; Polícia Civil estima cerca de 50 vítimas.







O empresário Victor Calixto Fernandes, de 30 anos, foi preso em João Pessoa na sexta-feira, 26 de junho de 2026, suspeito de causar um prejuízo estimado em R$ 15 milhões em golpes envolvendo imóveis, veículos e outros bens. Segundo a Polícia Civil, o caso reúne cerca de 50 vítimas e tem como principal frente investigada a venda duplicada de apartamentos em um edifício no bairro Portal do Sol, entregue em 2024.
A prisão ocorreu por mandado de prisão preventiva, no âmbito da Operação Janus, conduzida pela Delegacia de Defraudações e Falsificações de João Pessoa, a DDF/JP. De acordo com as informações divulgadas pela investigação, Victor foi intimado a prestar esclarecimentos e acabou preso durante o depoimento na delegacia. Depois, foi encaminhado à Cidade da Polícia Civil e ficou à disposição da Justiça.
Como funcionava o golpe imobiliário em João Pessoa
O ponto central da investigação no mercado imobiliário é a suspeita de que o mesmo apartamento era negociado com mais de um comprador. Segundo o delegado Ademir Fernandes, responsável pela investigação, o empresário vendia uma mesma unidade para, no mínimo, três pessoas. Quem conseguia registrar primeiro ficava como proprietário legal do imóvel.
Os demais compradores só descobriam o problema no momento da transferência, quando constatavam que o apartamento já estava em nome de outra pessoa. A apuração cita como principal caso um edifício no bairro Portal do Sol, em João Pessoa, entregue em 2024.
Esse tipo de fraude atinge um ponto sensível da compra de imóveis: a distância entre a negociação comercial e o registro formal da propriedade. No caso investigado, segundo a Polícia Civil, a disputa se materializava quando mais de um comprador aparecia com expectativa de concluir a transferência da mesma unidade.
Investigação aponta cerca de 50 vítimas e prejuízo milionário
As informações divulgadas pela Polícia Civil indicam que o prejuízo estimado chega a R$ 15 milhões. O Portal Correio informou que o investigado teria feito mais de 50 vítimas; já o g1/Jornal da Paraíba registrou cerca de 50 vítimas.
Segundo o delegado Bruno Victor, as investigações duraram cerca de dois anos e apontam golpes contra vítimas na Paraíba, em Pernambuco e no Rio Grande do Norte. A Polícia Civil atribui ao investigado fraudes na venda de apartamentos, negociação de terrenos, compra e venda de veículos e outros bens.
Entre as vítimas citadas pela Polícia Civil estão a esposa, o sogro, sócios e amigos do investigado. A investigação também apura um prejuízo de aproximadamente R$ 2 milhões atribuído ao ex-sogro do suspeito, além da venda de um apartamento pertencente ao familiar.
Mercado imobiliário, sócios e compradores afetados
Um sócio do prédio chegou a ser investigado, mas foi identificado pela Polícia Civil como vítima. Conforme a apuração, ele teria investido no empreendimento e não recebido o retorno financeiro prometido.
O caso expõe riscos relevantes para compradores de imóveis em João Pessoa, especialmente quando a negociação envolve unidades recém-entregues e múltiplas partes interessadas. Pela investigação, a definição jurídica da propriedade dependia do registro, e não apenas do contrato ou da promessa de venda.
Embora o foco principal seja imobiliário, a Polícia Civil também informou que havia casos envolvendo veículos. Nessa frente, o investigado é suspeito de comercializar automóveis pertencentes a terceiros ou de comprar veículos sem pagar os proprietários.
Operação Janus e próximos passos do caso
A prisão preventiva de Victor Calixto Fernandes ocorreu dentro da Operação Janus. Até as informações divulgadas pelas fontes consultadas, ele permanecia à disposição da Justiça após ser encaminhado para a Cidade da Polícia Civil.
Como se trata de investigação policial, a atribuição dos fatos ainda está no campo da suspeita e da apuração. O que a Polícia Civil afirma, até aqui, é que o esquema teria causado prejuízo milionário e atingido dezenas de vítimas em operações com apartamentos, terrenos, veículos e outros bens.
Para o mercado imobiliário de João Pessoa, o caso chama atenção pelo volume estimado do prejuízo, pela quantidade de vítimas apontada e pela dinâmica descrita na venda de apartamentos: uma mesma unidade negociada com compradores diferentes, com o registro definindo quem ficava legalmente com o imóvel.



























