Grande Recife dispara 67% em lançamentos de imóveis
MCMV puxou 84,7% das unidades lançadas no 1º trimestre de 2026; São Lourenço da Mata e Paulista lideram a nova oferta.







O mercado imobiliário do Grande Recife abriu 2026 com forte aceleração nos lançamentos residenciais verticais. No 1º trimestre, a Região Metropolitana do Recife somou 1.905 unidades lançadas, alta de 67% ante igual período de 2025, segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica encomendado pela Ademi-PE e publicado pelo Movimento Econômico.
O avanço teve um motor claro: o Minha Casa, Minha Vida. As unidades enquadradas no programa responderam por 84,7% de todos os lançamentos no Recife e na Região Metropolitana no trimestre. No 1º trimestre de 2025, essa fatia era de 64,6%, segundo a Folha de Pernambuco via ADEMI News.
Mercado imobiliário no Grande Recife avança para fora da capital
A Região Metropolitana do Recife é formada por 15 municípios: Abreu e Lima, Araçoiaba, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Goiana, Igarassu, Ilha de Itamaracá, Ipojuca, Itapissuma, Jaboatão dos Guararapes, Moreno, Olinda, Paulista, Recife e São Lourenço da Mata, conforme o PDUI-RMR. No Censo 2022, esse conjunto reunia 3.726.974 residentes, segundo o Observatório das Metrópoles.
O dado que resume a mudança territorial é a distribuição das novas ofertas. São Lourenço da Mata concentrou 36% das unidades lançadas na Região Metropolitana no 1º trimestre de 2026, enquanto Paulista ficou com 28,2%. O Recife respondeu por 25,4% das novas ofertas no recorte metropolitano.
Nos municípios metropolitanos fora da capital, o número de projetos lançados passou de seis para nove entre o 1º trimestre de 2025 e o 1º trimestre de 2026, avanço de 50%. Já o Recife lançou oito empreendimentos no período, o mesmo número registrado um ano antes.
MCMV domina lançamentos de imóveis no Grande Recife
A expansão também aparece no perfil dos produtos. Os apartamentos de dois dormitórios concentraram 83,5% dos lançamentos no 1º trimestre de 2026, contra 74,7% no mesmo trimestre de 2025. O segmento de médio padrão respondeu por 13,9% das unidades lançadas, enquanto o luxo ampliou participação de 0,9% para 4,1% no recorte informado pelo levantamento Brain/Ademi-PE. Os imóveis compactos representaram 0,5% dos novos estoques, segundo a Folha de Pernambuco via ADEMI News.
Lucas Finoti, sócio da Brain Inteligência Estratégica, afirmou que o crescimento dos produtos verticais na Região Metropolitana é sustentado quase integralmente pelo Minha Casa, Minha Vida. A avaliação ajuda a explicar por que o mercado residencial popular passou a dar o tom dos lançamentos no Grande Recife.
Recife vende mais, mas lança menos unidades
Na capital pernambucana, o quadro é diferente. O Recife lançou 1.142 unidades no 1º trimestre de 2026, queda de 21% em relação ao 1º trimestre de 2025. Ao mesmo tempo, vendeu 1.388 unidades entre janeiro e março de 2026, alta de 26% sobre igual período do ano anterior.
O Valor Geral de Vendas no Recife chegou a R$ 628 milhões no 1º trimestre de 2026, avanço de 51% sobre o 1º trimestre de 2025. Nos 12 meses encerrados no trimestre, o Recife acumulou 7.260 unidades lançadas, enquanto o mercado do Recife e da Região Metropolitana comercializou 12.252 imóveis, com VGV vendido de R$ 6 bilhões.
Dentro da capital, Caxangá, Paissandu, Boa Viagem e Parnamirim concentraram a maior parte dos lançamentos no 1º trimestre de 2026. Nas vendas, Imbiribeira liderou com 26,8% das unidades comercializadas, seguida por Várzea e Vasco da Gama.
Preços dos imóveis e estoque no Recife
O preço médio do metro quadrado na capital chegou a R$ 11.215 no 1º trimestre de 2026. Por tipologia, os imóveis de um dormitório tiveram média de R$ 15.648/m²; os apartamentos de dois quartos fecharam o trimestre a R$ 9.295/m²; os de três quartos atingiram R$ 11.442/m²; e as unidades de quatro dormitórios mantiveram média de R$ 12.975/m².
Segundo declaração do presidente da Ademi-PE, Leonardo Queiroz, publicada pelo Movimento Econômico, o reajuste de preços nos 12 meses anteriores ao levantamento foi de 5,1%. O estoque final auditado pela Brain fechou o 1º trimestre de 2026 com 5.836 unidades disponíveis no Recife e 3.963 na Região Metropolitana.
Novas regras do Minha Casa, Minha Vida entram no radar
O Ministério das Cidades informou que, em 22 de abril de 2026, passaram a operar novas condições do Minha Casa, Minha Vida aprovadas pelo Conselho Curador do FGTS e regulamentadas pela pasta. A Faixa 1 passou a atender famílias com renda mensal de até R$ 3.200; a Faixa 2 subiu de R$ 4.700 para R$ 5.000; a Faixa 3 passou de renda máxima de R$ 8.600 para R$ 9.600; e a Faixa 4 foi de R$ 12.000 para R$ 13.000.
Também houve aumento nos limites de valor dos imóveis: na Faixa 3, de R$ 350 mil para R$ 400 mil; na Faixa 4, de R$ 500 mil para R$ 600 mil, conforme o Ministério das Cidades. Em paralelo, o Banco Central informou que, em 29 de abril de 2026, o Copom reduziu a Selic para 14,50% ao ano.
Com lançamentos concentrados em produtos do Minha Casa, Minha Vida, vendas mais fortes no Recife e avanço das novas ofertas em municípios metropolitanos, o Grande Recife chega a 2026 como uma frente relevante do mercado imobiliário residencial popular. O desafio, a partir dos dados disponíveis, é acompanhar se a expansão da oferta fora da capital se sustenta nos próximos trimestres.
Fontes
- Movimento Econômico - Lançamentos imobiliários disparam 67% na RMR puxados pelo MCMV
- Folha de Pernambuco via ADEMI News - Minha Casa, Minha Vida impulsiona mercado imobiliário no Grande Recife
- PDUI-RMR - Região Metropolitana do Recife
- Observatório das Metrópoles - Censo 2022 na RM Recife
- IBGE Cidades - Recife
- Ministério das Cidades - Novas condições do Minha Casa, Minha Vida
- Banco Central do Brasil - Copom reduz a Selic para 14,50% ao ano



























