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Justiça condena obra de hotel vazio em Belo Horizonte

Prédio espelhado planejado para a Copa de 2014 segue sem alvará no Centro de BH; sentença envolve fachada do Golden Tulip.

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Um prédio espelhado planejado para ser hotel de luxo na Copa do Mundo de 2014, em Belo Horizonte, voltou ao centro das atenções após decisão da Justiça de Minas Gerais. O imóvel é o Hotel Golden Tulip Belo Horizonte, na Rua Rio de Janeiro, 18, esquina com a Avenida do Contorno, no Centro da capital mineira, também conhecido como “Beira-Rio” por ficar junto ao Ribeirão Arrudas, segundo O Tempo.

Em 19 de maio de 2026, a Justiça condenou a Albuquerque e Oliveira Engenharia Ltda. - EPP por abandono das obras da fachada do hotel, em ação movida pela SPE Cesto Incorporadora S.A., conforme relato do Portal Juristec/TJMG. A decisão é de primeira instância e cabe recurso.

Hotel em Belo Horizonte foi projetado para a Copa de 2014

O empreendimento foi anunciado como um hotel de luxo para operar durante a Copa do Mundo de 2014, mas não entrou em funcionamento e nunca recebeu hóspedes, segundo O Tempo. O investimento divulgado era de R$ 200 milhões, com previsão de conclusão no primeiro trimestre de 2013.

O projeto apresentado em 2011 previa 405 unidades. Desse total, 200 seriam vendidas a investidores por R$ 460 mil cada, enquanto a outra metade permaneceria com o grupo controlador. A proposta incluía apartamentos de luxo de 40 m², diárias estimadas entre R$ 300 e R$ 350, quatro suítes presidenciais e uma suíte real com valor superior a R$ 7 mil.

Imóvel sem alvará afeta leitura do mercado imobiliário em BH

A Prefeitura de Belo Horizonte informou que o imóvel não tem Alvará de Funcionamento e não está autorizado a exercer nenhuma atividade atualmente. A administração municipal também informou que o sistema registra débitos relacionados à regularização da construção, que há cobrança administrativa e que um acordo de parcelamento anterior não foi quitado, de acordo com O Tempo.

No mercado imobiliário de Belo Horizonte, o caso chama atenção porque envolve um ativo de grande porte em área central e uma incorporadora com atividade principal registrada como incorporação de empreendimentos imobiliários. A SPE Cesto Incorporadora S.A. tem CNPJ 04.608.598/0001-57, situação cadastral ativa, capital social de R$ 65.060.287,00 e sede no mesmo endereço do prédio, conforme consulta pública no CNPJ.biz.

Fachada em pele de vidro virou alvo de sentença

A sentença é da juíza Giselle Maria Coelho de Albuquerque, da 15ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte, no processo nº 5027492-11.2016.8.13.0024. Segundo o Portal Juristec/TJMG, a SPE Cesto contratou a Albuquerque e Oliveira em outubro de 2012 para fornecer materiais, fabricar e instalar fachadas em “pele de vidro” e revestimentos em alumínio composto no Golden Tulip Belo Horizonte.

O valor global do contrato, após aditivos, foi fixado em R$ 8.708.271, e a entrega integral estava prevista para 31 de maio de 2013. A sentença registrou que a construtora recebeu R$ 10.026.979,09, valor acima do contrato, e abandonou o canteiro em 9 de junho de 2014.

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Laudo apontou falhas técnicas na fachada

O laudo pericial citado na sentença apontou centenas de inconformidades técnicas, estruturais e estéticas. Entre os problemas listados estavam janelas fora de esquadro ou emperradas e vidros laminados trincados.

O relatório pericial também apontou ausência de componentes obrigatórios de proteção contra incêndio, como lã de rocha e pintura antichamas, além de deficiências nas ancoragens dos módulos da fachada. A condenação fixou multa compensatória de R$ 870.827,10, multa por atraso de R$ 870.827,10 e danos morais de R$ 10 mil, além de indenizações por danos materiais e lucros cessantes a serem apuradas em liquidação de sentença.

História do prédio antecede o Golden Tulip

A trajetória do edifício é anterior ao projeto para a Copa. A Revista Projeto registrou em 2014 que a torre tinha 37 andares, que a história do imóvel começou em 1984 como projeto do hotel Beira-Rio e que a obra original ficou paralisada por mais de duas décadas antes do retrofit para o Golden Tulip.

O vínculo empresarial com a família Vorcaro aparece nos registros da SPE Cesto: Henrique Moura Vorcaro consta como presidente da incorporadora, e Natalia Bueno Vorcaro Zettel aparece como diretora, segundo o CNPJ.biz. A Agência Brasil informou que Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, foi alvo da sexta fase da Operação Compliance Zero e consta na lista de presos preventivos dessa etapa.

A Agência Brasil também informou, em 18 de maio de 2026, que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso na primeira fase da operação em 18 de novembro de 2025 e voltou a ser detido na terceira fase, em 4 de março de 2026. A reportagem informou ainda que a Operação Compliance Zero havia completado seis meses, com seis fases até 14 de maio, 21 prisões temporárias ou preventivas, 116 mandados de busca e apreensão e bloqueios ou sequestros próximos de R$ 27,71 bilhões.

Centro de Belo Horizonte mantém símbolo de abandono

Enquanto a disputa judicial segue sujeita a recurso, o prédio permanece sem autorização para funcionar. O contraste entre o projeto de hotel de luxo, o investimento anunciado e a falta de operação mantém o Golden Tulip Belo Horizonte como um caso emblemático para quem acompanha imóveis, regularização urbana e mercado imobiliário no Centro de BH.

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