INCC desacelera no Brasil, mas construção acumula alta de 6,82%
Índice subiu 0,77% em maio de 2026, abaixo de abril; em 12 meses, custo da construção ainda mostra pressão sobre imóveis.







O INCC-M subiu 0,77% em maio de 2026 no Brasil, abaixo da variação de 1,04% registrada em abril, segundo dados da FGV IBRE divulgados em 26 de maio de 2026. Apesar da desaceleração mensal, o Índice Nacional de Custo da Construção - M acumulou alta de 3,18% no ano e de 6,82% em 12 meses até maio.
O dado mostra alívio no ritmo de avanço dos custos, mas ainda mantém pressão relevante sobre a construção, setor diretamente ligado ao mercado imobiliário e à formação de custos de imóveis. Em maio de 2025, o INCC-M havia subido 0,26% no mês e acumulava 7,17% em 12 meses.
INCC no Brasil: materiais e serviços puxam desaceleração em maio
O principal alívio veio do grupo Materiais, Equipamentos e Serviços, que subiu 1,02% em maio, depois de alta de 1,35% em abril. Dentro desse grupo, Materiais e Equipamentos também perdeu força, passando de 1,40% em abril para 1,08% em maio.
Entre os recortes acompanhados pela FGV IBRE, o subgrupo materiais para estrutura teve desaceleração mais marcada: saiu de alta de 1,82% em abril para 0,99% em maio. O grupo Serviços reduziu sua taxa de variação de 0,97% para 0,50% no mesmo intervalo.
Um dos itens que ajudaram a explicar esse movimento foi aluguel de máquinas e equipamentos, cuja variação passou de 1,87% em abril para 0,32% em maio. O comportamento desses componentes é relevante para a leitura dos custos de obras, especialmente em um ambiente no qual construtoras, incorporadoras e compradores acompanham a evolução dos preços ligados à construção de imóveis.
Mão de obra também perde força no custo da construção
A mão de obra, outro componente importante do INCC-M, variou 0,43% em maio, ante 0,61% em abril. Mesmo com a desaceleração mensal, o índice de Mão de Obra acumulou alta de 8,40% em 12 meses, acima dos demais componentes informados pela FGV IBRE.
No acumulado em 12 meses, Materiais, Equipamentos e Serviços registraram alta de 5,70%. Materiais e Equipamentos acumularam 5,71%, enquanto Serviços tiveram variação de 5,58% no mesmo período.
Esses percentuais ajudam a dimensionar a composição da pressão sobre o custo da construção no Brasil. Ainda que o resultado de maio tenha ficado abaixo do observado em abril, o acumulado em 12 meses mostra que a inflação da construção permanece presente no orçamento de obras e no acompanhamento do mercado imobiliário.
Mercado imobiliário: seis capitais pesquisadas desaceleram
Entre as sete capitais pesquisadas pela FGV IBRE, seis tiveram desaceleração em maio: Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo. Recife foi a única capital com aumento da taxa de variação no mês.
Na leitura mensal de maio, a variação foi de 0,80% em Salvador, 0,44% em Brasília, 0,60% em Belo Horizonte, 0,85% em Recife, 0,96% no Rio de Janeiro, 0,86% em Porto Alegre e 0,77% em São Paulo.
No acumulado em 12 meses, os resultados por capital ficaram em 5,90% em Salvador, 6,66% em Brasília, 5,92% em Belo Horizonte, 6,94% em Recife, 5,86% no Rio de Janeiro, 7,79% em Porto Alegre e 7,38% em São Paulo. Entre as capitais informadas, Porto Alegre apresentou o maior acumulado em 12 meses, seguida por São Paulo.
Itens que mais influenciaram o INCC-M de maio
Entre as maiores influências positivas de maio, a FGV IBRE apontou tubos e conexões de PVC, com variação de 2,82%; massa de concreto, com 1,39%; cimento Portland comum, com 2,51%; blocos de concreto, com 1,08%; e impermeabilizante, com 2,78%.
Na direção oposta, as maiores influências negativas vieram de condutores elétricos, que variaram -0,18%; dobradiças e fechaduras, com -0,16%; e vidros, com -0,03%.
Como o INCC-M é apurado pela FGV
O INCC-M é calculado com preços coletados entre o dia 21 do mês anterior e o dia 20 do mês de referência. A próxima apuração, referente a dados coletados de 21 de maio de 2026 a 20 de junho de 2026, tem divulgação prevista para 25 de junho de 2026.
Para o mercado imobiliário no Brasil, o resultado de maio combina duas leituras: o avanço mensal perdeu intensidade em relação a abril, mas o acumulado de 6,82% em 12 meses mantém o custo da construção como um indicador central para acompanhar obras, imóveis e decisões ligadas ao setor.



























