Mão de obra pressiona INCC e pesa nos imóveis no Brasil
Mesmo com IGP-10 negativo em junho, custo da construção residencial segue em alta, puxado pela aceleração da mão de obra.







O custo da construção residencial voltou a destoar do movimento geral de preços no Brasil em junho de 2026. Segundo a FGV, o IGP-10 caiu 0,30% no mês, após alta de 0,89% em maio, mas o INCC avançou 0,92%, acima dos 0,86% registrados no mês anterior. O resultado mostra uma pressão persistente sobre obras e imóveis, mesmo em um ambiente de queda no índice geral.
Com o desempenho de junho, o IGP-10 acumulou alta de 3,16% no ano e de 2,15% em 12 meses. No mesmo boletim, a FGV informou que o IPA caiu 0,71% e o IPC subiu 0,56%, enquanto o INCC se manteve positivo e ajudou a limitar uma queda mais intensa do indicador agregado.
INCC no Brasil sobe com mão de obra em alta
O ponto central do dado de junho está na composição do INCC. Entre maio e junho de 2026, o grupo Materiais e Equipamentos desacelerou de 1,29% para 1,08%, e Serviços passou de 0,59% para 0,45%. A Mão de Obra, porém, acelerou de 0,36% para 0,80%, mais que dobrando a taxa mensal.
Essa mudança recoloca o trabalho como pressão relevante nos orçamentos da construção residencial. De acordo com a FGV/IBRE, a queda do IGP-10 foi explicada pelo recuo dos preços ao produtor, especialmente em commodities como café, cana-de-açúcar e combustíveis. Na construção, porém, a elevação da mão de obra e de insumos específicos manteve o INCC em alta.
O que o IGP-10 mostra para o mercado imobiliário
O IGP-10 mede a evolução de preços entre o dia 11 do mês anterior e o dia 10 do mês de referência. Sua composição reúne o IPA-10, com peso aproximado de 60%, o IPC-10, com peso aproximado de 30%, e o INCC-10, com peso aproximado de 10%.
Embora tenha menor peso no índice geral, o INCC tem leitura direta para o mercado imobiliário porque acompanha preços de materiais, serviços e mão de obra destinados à construção de residências no Brasil. A abrangência setorial inclui Materiais e Equipamentos, Serviços e Mão de Obra, enquanto a cobertura geográfica atual contempla Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador.
Custos de imóveis também aparecem no Sinapi do IBGE
O indicador paralelo do IBGE, o Sinapi, reforça a leitura de custos elevados na construção. Em maio de 2026, o índice avançou 0,36%, acumulou 3,26% no ano e 6,93% em 12 meses. O custo nacional chegou a R$ 1.953,08 por metro quadrado, sendo R$ 1.104,59 em materiais e R$ 848,49 em mão de obra.
No Sinapi de maio, a parcela de materiais variou 0,53%, enquanto a mão de obra avançou 0,14%. No acumulado de janeiro a maio, materiais subiram 2,44% e mão de obra subiu 4,34%. Em 12 meses, a diferença ficou mais forte: materiais avançaram 5,01%, contra 9,56% da mão de obra.
Emprego na construção ajuda a explicar pressão nos custos
Os dados do mercado de trabalho também mostram demanda por trabalhadores na construção. Em abril de 2026, o Novo Caged registrou 85.888 vagas formais líquidas no Brasil, resultado de 2.268.655 admissões e 2.182.767 desligamentos. A Construção foi o segundo setor com maior saldo mensal, com 23.525 empregos formais e variação de 0,8%.
De janeiro a abril de 2026, o Brasil criou 699.762 empregos formais, dos quais 143.547 vieram da Construção. Dentro do setor, Construção de Edifícios respondeu por 56.857 vagas, e Obras de Infraestrutura por 46.009 vagas.
Confiança estável, mas falta de trabalhadores pesa
A Sondagem da Construção da FGV/IBRE de maio de 2026 mostrou o Índice de Confiança da Construção estável em 92,6 pontos, com média móvel trimestral em 92,9 pontos. O ISA-CST ficou em 92,3 pontos, o IE-CST em 92,9 pontos e o NUCI da Construção em 77,4%.
Na mesma pesquisa, Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção da FGV/IBRE, associou a piora do ambiente de negócios à falta de trabalhadores e ao aumento dos custos. A sondagem de maio coletou respostas de 720 empresas entre 4 e 22 de maio.
Setor tem peso estrutural na economia do Brasil
A Pesquisa Anual da Indústria da Construção referente a 2024, divulgada pelo IBGE em 10 de junho de 2026, dimensiona o tamanho do setor. O levantamento apontou 191 mil empresas de construção, 2,5 milhões de pessoas ocupadas, remuneração média de 2,1 salários mínimos e R$ 95,6 bilhões pagos aos trabalhadores.
Na PAIC 2024, a Construção de Edifícios empregava 894,8 mil pessoas, equivalentes a 35,7% dos ocupados do setor. Serviços Especializados concentravam 34,4% da mão de obra, e Obras de Infraestrutura reuniam 29,9%.
O valor total de incorporações, obras e serviços de construção chegou a R$ 522,5 bilhões em 2024, dividido em R$ 200,9 bilhões em infraestrutura, R$ 198,9 bilhões em construção de edifícios e R$ 122,8 bilhões em serviços especializados. Nesse contexto, a alta da mão de obra no INCC de junho mostra que a inflação da construção segue relevante para imóveis e para o mercado imobiliário no Brasil, mesmo quando o índice geral de preços recua.



























