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Índia bate recorde de locação de escritórios no pós-pandemia

Mercado imobiliário da Índia absorveu 45,5 milhões de pés quadrados no 1º semestre de 2026, puxado por multinacionais e GCCs.

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O mercado imobiliário de escritórios da Índia atingiu no 1º semestre de 2026 o maior volume semestral já registrado pela CBRE: 45,5 milhões de pés quadrados de absorção. O avanço foi de cerca de 10% em um ano na leitura da consultoria e de 9,6% na reportagem da Reuters publicada pelo Economic Times. O desempenho foi divulgado pela CBRE India em 5 de julho de 2026 e repercutido pela Reuters em 6 de julho de 2026.

O resultado consolida a Índia como um dos pontos mais fortes da demanda global por imóveis corporativos no pós-pandemia. O contraste é relevante porque outros mercados de escritórios ainda lidam com recuperação desigual, vacância elevada ou mudança estrutural no uso dos espaços.

Mercado imobiliário da Índia tem recorde também no trimestre

No 2º trimestre de 2026, a absorção de escritórios na Índia chegou a 24,6 milhões de pés quadrados, também o maior volume trimestral já registrado pela CBRE. O número representou alta de 18% sobre o trimestre anterior e de 14% frente ao mesmo período de 2025.

A oferta acompanhou a demanda. As novas entregas de escritórios somaram 21 milhões de pés quadrados no 2º trimestre de 2026, outro recorde trimestral, com alta de 91% em relação ao trimestre anterior e de 18% na comparação anual. No 1º semestre de 2026, as entregas chegaram a 32 milhões de pés quadrados, avanço de 14% em um ano.

GCCs puxam locação de imóveis corporativos na Índia

O principal motor da expansão foram os centros globais de capacidade, conhecidos como GCCs. Segundo a CBRE, eles absorveram aproximadamente 19,6 milhões de pés quadrados no 1º semestre de 2026, o equivalente a 43% da absorção total, com alta de 17% em um ano.

No 2º trimestre, os GCCs locaram cerca de 10,3 milhões de pés quadrados, novo recorde trimestral para esse segmento na série da CBRE. A Reuters informou ainda que o número de negócios de GCCs cresceu 30% em um ano no 1º semestre de 2026 e que esses centros responderam por 53% das transações acima de 100 mil pés quadrados.

A base estrutural ajuda a explicar o peso desse segmento no mercado imobiliário indiano. Segundo o levantamento Zinnov-Nasscom, a Índia reunia em março de 2026 2.117 GCCs, 3.728 unidades, US$ 98,4 bilhões de receita, 2,36 milhões de profissionais e 506 empresas Forbes Global 2000 com centros no país.

Multinacionais, flex e tecnologia sustentam a demanda por escritórios

Ram Chandnani, diretor-gerente de leasing da CBRE India, afirmou à Reuters que multinacionais continuam expandindo operações existentes na Índia por prioridades de longo prazo. Ele citou talento, arbitragem de custos, custo imobiliário e disponibilidade de talentos como fatores de decisão.

As empresas Fortune 500 locaram cerca de 6,8 milhões de pés quadrados no 2º trimestre de 2026, equivalentes a 28% da absorção trimestral total. A Reuters informou que o número de negócios desse grupo cresceu cerca de 34% em relação ao trimestre anterior.

Por setor, operadores de espaços flexíveis lideraram a absorção no 2º trimestre de 2026, com 27% do total. Em seguida vieram empresas de tecnologia, com 21%, e BFSI, sigla em inglês para bancos, serviços financeiros e seguros, com 13%.

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Bengaluru, Pune e Delhi-NCR concentram imóveis de escritórios

A geografia do crescimento também é concentrada. Bengaluru, Pune e Delhi-NCR responderam juntas por 58% da absorção no 2º trimestre de 2026, segundo a CBRE. Nas novas entregas, Bengaluru, Pune e Ahmedabad lideraram tanto no 2º trimestre quanto no 1º semestre.

A participação por origem dos ocupantes mostra uma demanda combinada entre empresas locais e estrangeiras. Empresas domésticas responderam por 46% da absorção no 2º trimestre de 2026 e por cerca de 45% no 1º semestre. Empresas americanas representaram 30% da absorção trimestral, enquanto ocupantes da região EMEA ficaram com 16%.

Edifícios verdes ganham espaço no mercado imobiliário da Índia

O ciclo atual também mostra maior peso de ativos certificados. Segundo a CBRE, imóveis com certificação verde representaram 76% das novas entregas no 2º trimestre de 2026. No mesmo período, 73% da atividade de locação ficou concentrada em edifícios verdes certificados.

Esse dado indica que a expansão do estoque de escritórios na Índia não se limita ao volume. Ela também passa por padrões de ocupação mais alinhados a exigências corporativas de sustentabilidade, especialmente entre grandes empresas e multinacionais.

Índia avança enquanto escritórios globais seguem desiguais

O recorde de 2026 sucede um ano já forte. A CBRE havia registrado 82,6 milhões de pés quadrados de locações de escritórios na Índia em 2025, recorde anual pelo terceiro ano consecutivo, com alta de cerca de 1% em um ano. Naquele ano, Bengaluru, Mumbai e Delhi-NCR responderam juntas por aproximadamente 61% da absorção anual.

A JLL também havia apontado força no início de 2026: 21,5 milhões de pés quadrados de locação bruta no 1º trimestre, o maior volume para um primeiro trimestre em sua série, com alta de 10,2% em um ano. Na leitura da consultoria, GCCs responderam por 45,5% da locação bruta, flex por 25,9%, Bengaluru por 24,8%, Mumbai por 19,5% e Hyderabad por 16,8%. A vacância pan-Índia caiu para 14,7%, menor nível em cinco anos.

Fora da Índia, a fotografia é menos uniforme. Nos Estados Unidos, a CBRE reportou vacância de escritórios de 18,6% no 1º trimestre de 2026, apesar de absorção líquida positiva de 6,9 milhões de pés quadrados. A Savills apontou disponibilidade total de 23,1% no país no mesmo trimestre, abaixo de 24,8% um ano antes, mas classificou a recuperação como desigual entre geografias. A JLL, em relatório global de maio de 2026, descreveu a demanda mundial por escritórios como saudável, porém marcada por divergência regional.

O que o recorde sinaliza para imóveis corporativos

O recorde semestral da Índia mostra um mercado de escritórios sustentado por expansão corporativa, presença de multinacionais, escala dos GCCs e demanda por espaços flexíveis. Para investidores, ocupantes e observadores do mercado imobiliário global, o dado coloca a Índia em posição de destaque em um segmento que ainda busca novo equilíbrio em várias economias.

Embora temas como IPTU pertençam a realidades tributárias locais e não expliquem os números indianos apresentados pela CBRE, a pauta reforça como custos imobiliários, disponibilidade de talento e qualidade dos ativos seguem decisivos para a ocupação de escritórios. No caso da Índia, esses fatores aparecem associados a um ciclo de absorção e entregas em patamar recorde.

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