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Crescimento urbano Itapema

Itapema alarga Meia Praia e mira valorização de imóveis

Obra em Itapema prevê até 60 m de faixa de areia, R$ 60 milhões em investimento e expectativa oficial de alta imobiliária.

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Itapema, no litoral de Santa Catarina, recebeu em 6 de maio de 2026 a Licença Ambiental de Instalação para a alimentação artificial da Meia Praia, uma obra que pretende ampliar a faixa de areia ao longo de 4,75 km de orla. O projeto prevê lançar entre 416 mil e 498 mil m³ de areia, dragada de uma jazida a cerca de 19 km da costa, com ganho de 20 a 60 metros de largura conforme o trecho.

O investimento informado é de aproximadamente R$ 60 milhões. Segundo a Folha de S.Paulo, a obra deve começar em agosto de 2026, durar entre 90 e 120 dias e ser custeada meio a meio pela Prefeitura de Itapema e pelo Governo de Santa Catarina.

Obra na Meia Praia combina proteção costeira e mercado imobiliário

O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina, responsável pela licença, descreve a alimentação artificial como uma medida para enfrentar o avanço do mar e processos erosivos, ampliar a proteção costeira e aumentar a resiliência da orla diante de eventos climáticos.

A intervenção ficará entre os molhes dos rios Perequê e Taboleiro das Oliveiras. A areia prevista para a obra foi descrita pelo IMA como compatível com a areia nativa. A execução deve ocorrer em etapas, com liberação gradual dos trechos.

A justificativa urbana também aparece no discurso da prefeitura. Em material citado pela Folha, o prefeito Alexandre Xepa afirmou que, na alta temporada, turistas e moradores enfrentam falta de espaço na praia porque a faixa de areia diminuiu.

Valorização de imóveis em Itapema entra no centro do debate

Além da adaptação costeira, a obra foi associada por autoridades à valorização dos imóveis. Após a assinatura da licença, o governador Jorginho Mello afirmou, segundo a Folha, que a valorização dos imóveis com a faixa de areia engordada e ampliada “vai aumentar em 40%”.

A estimativa do prefeito é menor, mas ainda expressiva. A Folha registrou que Alexandre Xepa havia estimado, em entrevista ao ND+, que o valor dos imóveis poderia crescer em até 30%. Reportagem do Estadão reproduzida pela ABECIP informou que o investimento estimado em R$ 60 milhões era sustentado pela expectativa de valorização endossada pelo prefeito.

A mesma reportagem reproduzida pela ABECIP registrou que Xepa disse em fevereiro de 2026 que a expansão da praia aumentaria os valores dos imóveis em mais de 30%.

Itapema lidera o FipeZAP no preço do metro quadrado

O pano de fundo é um mercado imobiliário já muito aquecido. No Índice FipeZAP de maio de 2026, Itapema apareceu em 1º lugar entre as cidades monitoradas no preço médio residencial de venda, com R$ 15.226/m².

No mesmo levantamento, Balneário Camboriú registrou R$ 15.215/m², R$ 11/m² abaixo de Itapema. O preço médio ponderado das cidades monitoradas pelo FipeZAP foi de R$ 9.809/m².

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O FipeZAP apontou para Itapema variação mensal de +0,31%, alta acumulada de +2,46% em 2026 e avanço de +6,35% em 12 meses. Para Balneário Camboriú, as variações foram de +0,20% no mês, +1,50% no ano e +2,94% em 12 meses.

Como o índice mede o mercado imobiliário

Segundo a metodologia da Fipe, o FipeZAP calcula variações com base em amostras de anúncios de imóveis nos portais Zap, Viva Real e OLX. Seus índices residenciais acompanham apartamentos prontos em até 56 cidades.

Esse recorte ajuda a dimensionar o peso de Itapema no mercado imobiliário nacional, mas também delimita o que o indicador mostra: preços anunciados de imóveis residenciais prontos, não necessariamente valores efetivos de transação.

Crescimento urbano em uma cidade de 75.940 habitantes

O contraste entre escala urbana e preço dos imóveis é um dos pontos centrais do caso. Itapema tinha 75.940 habitantes no Censo 2022, segundo o IBGE Cidades, com densidade demográfica de 1.304,59 hab./km².

O IBGE Cidades e Estados informa ainda PIB per capita de R$ 50.035,95 em 2023. Em 2024, o município registrou R$ 687.125.064,66 em receitas brutas realizadas e R$ 652.455.476,34 em despesas brutas empenhadas.

O movimento ocorre em um litoral catarinense já marcado por forte valorização. A Folha apontou que quatro das cinco cidades com metro quadrado mais caro no recorte citado em maio ficavam em Santa Catarina: Balneário Camboriú, Itapema, Florianópolis e Itajaí.

Alargamento de praias avança no litoral de Santa Catarina

A obra de Itapema se insere em uma sequência regional de intervenções na orla. A Folha informou que a expansão da faixa de areia na cidade é semelhante à realizada em Balneário Camboriú. A reportagem também registrou que Balneário Piçarras concluiu, em abril de 2026, sua quarta obra de alargamento em menos de 30 anos.

No caso de Itapema, o projeto aprovado une duas agendas que tendem a caminhar juntas no litoral urbanizado: defesa costeira e valorização imobiliária. A licença ambiental autoriza uma resposta física ao avanço do mar; as falas oficiais, ao mesmo tempo, colocam a alta esperada dos imóveis como parte explícita da aposta econômica em torno da nova Meia Praia.

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