Manaus cresce e põe 112 mil pessoas em áreas de risco
Expansão urbana pressiona imóveis e habitação em Manaus, onde o SGB mapeou 438 setores de risco alto e muito alto.







Manaus chegou a 2.063.689 habitantes no Censo 2022 e tem população estimada em 2.303.732 pessoas em 2025, segundo o IBGE Cidades. O avanço demográfico, um dos sinais mais fortes de pressão sobre imóveis e infraestrutura urbana na capital amazonense, aparece junto a outro dado crítico: aproximadamente 112 mil pessoas vivem em 438 setores de risco alto e muito alto, conforme atualização divulgada pelo Serviço Geológico do Brasil em 27 de agosto de 2025.
O levantamento do SGB aponta áreas sujeitas a inundações, alagamentos, enxurradas, erosões e deslizamentos. O relatório técnico informa que os 438 setores abrangem mais de 28 mil domicílios e aproximadamente 112 mil pessoas, o equivalente a cerca de 5,4% da população municipal.
Manaus lidera crescimento populacional e amplia pressão sobre imóveis
Entre os municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, Manaus teve o maior aumento populacional absoluto entre 2010 e 2022, segundo a Agência de Notícias do IBGE. A cidade passou de cerca de 1,8 milhão para 2,1 milhões de habitantes, acréscimo de 261,5 mil pessoas em 12 anos.
No mesmo recorte, Brasília ganhou 246,9 mil habitantes e São Paulo, 197,7 mil. A comparação dimensiona o peso de Manaus no crescimento urbano recente do país. A área territorial informada pelo IBGE para o município é de 11.278,893 km² em 2025, e a densidade demográfica registrada no Censo 2022 foi de 181,01 habitantes por km².
Áreas de risco em Manaus avançam nas zonas Norte e Leste
Dos 438 setores mapeados pelo SGB, 362 foram classificados como risco alto e 76 como risco muito alto. Em relação ao mapeamento anterior, de 2019, o órgão informou aumento do tamanho das áreas de risco, do número de moradias e da população exposta: eram 73 mil pessoas em setores de risco alto e muito alto em 2019, ante aproximadamente 112 mil em 2025.
As zonas Norte e Leste concentram a maior quantidade de setores de risco geológico em Manaus. O relatório técnico do SGB aponta 198 setores na zona Norte e 130 na zona Leste.
Bairros concentram mais de 52 mil pessoas vulneráveis
Seis bairros somam 194 setores de risco alto e muito alto, mais de 13 mil domicílios e aproximadamente 52 mil pessoas vulneráveis: Jorge Teixeira, Cidade Nova, Gilberto Mestrinho, Alvorada, Mauazinho e Nova Cidade.
- Jorge Teixeira: 4.597 domicílios em risco e 38 setores de risco.
- Cidade Nova: 2.104 domicílios e 42 setores.
- Gilberto Mestrinho: 2.082 domicílios e 25 setores.
- Alvorada: 1.620 domicílios e 6 setores.
- Mauazinho: 1.561 domicílios e 34 setores.
- Nova Cidade: 1.075 domicílios e 49 setores.
Favelas e comunidades urbanas entram no centro do mercado imobiliário
A pressão habitacional também aparece nos dados sobre ocupação urbana. A Prefeitura de Manaus informou, com base no Censo divulgado em 2023, a identificação de 243 aglomerados subnormais na capital, dos quais 218 estavam setorizados conforme dados do IBGE.
Na mesma publicação, a Prefeitura reproduz a definição do IBGE para aglomerados subnormais: conjuntos de no mínimo 51 unidades habitacionais em terreno de propriedade alheia, em geral com ocupação desordenada, densa e carência de serviços básicos. Para o mercado imobiliário de Manaus, o dado expõe a distância entre a demanda por moradia e a oferta formal de imóveis.
O MapBiomas informou que, no Brasil, a área urbanizada em favelas passou de 53,7 mil hectares em 1985 para 146 mil hectares em 2024, crescimento de 2,75 vezes. Manaus liderava o ranking de áreas urbanizadas em favelas tanto em 1985 quanto em 2024, e a área urbanizada em favelas no município cresceu 2,6 vezes no período. Em 2024, regiões metropolitanas concentravam 82% de toda a área urbanizada em favelas no país.
Habitação em Manaus tenta responder ao déficit
A Prefeitura informou em janeiro de 2025 que o projeto habitacional do Parque das Tribos previa seis condomínios e aproximadamente 5.000 unidades residenciais, com investimento total de R$ 900 milhões, sendo R$ 800 milhões federais e R$ 100 milhões municipais.
Em maio de 2025, a administração municipal também informou o início das obras de um conjunto habitacional na avenida do Turismo, no Tarumã, com 576 moradias pelo Minha Casa, Minha Vida. O empreendimento teria 36 prédios com 16 unidades cada.
A escala do desafio, porém, ultrapassa os empreendimentos anunciados. A Fundação João Pinheiro informa que mantém as séries e tabelas oficiais do déficit habitacional no Brasil. Segundo levantamento da fundação citado por O Liberal, o déficit habitacional do Amazonas passou de 177.239 domicílios em 2022 para 191.082 domicílios em 2023, alta de 7,8%.
O que os dados dizem sobre Manaus
Os números reunidos por IBGE, SGB, MapBiomas, Prefeitura e Fundação João Pinheiro mostram uma cidade que cresceu em população, ampliou sua mancha de ocupações precárias e mantém milhares de famílias em áreas vulneráveis. Para quem acompanha imóveis, mercado imobiliário e política habitacional em Manaus, o ponto central é a convergência entre expansão urbana, risco geológico e déficit de moradia.
O desafio público é transformar crescimento em cidade formal, com moradia segura e infraestrutura. Sem isso, a pressão por habitação tende a seguir aparecendo nos mapas de risco, nas favelas e comunidades urbanas e nos indicadores de déficit habitacional.
Fontes
- IBGE Cidades - Manaus
- IBGE Agência de Notícias - Censo 2022
- Prefeitura de Manaus/Implurb - aglomerados subnormais
- MapBiomas - áreas urbanas em favelas
- Serviço Geológico do Brasil - risco geológico em Manaus
- SGB - Relatório Manaus-AM 2025
- Prefeitura de Manaus - Parque das Tribos
- Prefeitura de Manaus - conjunto habitacional avenida do Turismo
- Fundação João Pinheiro - déficit habitacional no Brasil
- O Liberal - déficit habitacional citado pela FJP



























