Mansão de Cafu em Barueri põe leilão sob suspeita
Imóvel em Alphaville foi arrematado por R$ 20,2 milhões após avaliação de R$ 40 milhões; CNJ abriu investigação sobre o caso.







A mansão atribuída a Marcos Evangelista de Morais, o Cafu, em Alphaville, Barueri, tornou-se um dos casos mais sensíveis do mercado imobiliário de alto padrão ligado a leilões judiciais. O imóvel, avaliado judicialmente em R$ 40 milhões, teve venda oficializada por R$ 20,2 milhões, segundo o UOL, em processo de execução que tramita no Foro de Barueri, na 1ª Vara Cível.
O caso ganhou novo peso em 2026 depois que o Conselho Nacional de Justiça abriu investigação contra o juiz Bruno Paes Straforini, conforme informou o Metrópoles. A apuração foi determinada pelo corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell, em reclamação disciplinar apresentada por Cafu.
Mansão de Cafu em Barueri: imóvel de alto padrão em Alphaville
A casa aparece no processo 1001299-58.2018.8.26.0068, uma execução de título extrajudicial com assunto “Hipoteca”, de acordo com o e-SAJ do TJSP. As partes registradas incluem Vob Cred Securitizadora S/A como exequente, Capi-penta International Football Player Ltda, Marcos Evangelista de Morais e Regina Feliciano de Morais como executados, além de Denys Pyerre de Oliveira como gestor e leiloeiro público oficial.
A dimensão do imóvel ajuda a explicar a repercussão. Segundo o Purepeople, a mansão tem 3.229 m² de área construída, quatro andares, seis suítes, elevador, salas de jogos, cinema para oito pessoas, sala de troféus, saunas, piscinas, academia, churrasqueira, pequeno campo de futebol e vestiário. O UOL também descreveu o terreno como tendo 2.581 m² e listou, entre os itens, seis suítes, piscina, quadra de futebol society, sala de cinema, salão de jogos e sauna.
Leilão judicial em Barueri teve avaliação de R$ 40 milhões
Em 16 de janeiro de 2024, decisão no processo deixou de homologar uma proposta de alienação porque ela não atendia ao valor mínimo pactuado e reafirmou que a avaliação do imóvel era de R$ 40 milhões. O UOL informou que a proposta rejeitada era de R$ 25 milhões, enquanto o edital previa valor mínimo de R$ 35 milhões.
Em 7 de agosto de 2024, nova decisão nomeou Denys Pyerre de Oliveira para conduzir o leilão eletrônico pelo site www.leje.com.br. A decisão fixou a avaliação em R$ 40 milhões, determinou lance mínimo de 50% da avaliação e estabeleceu comissão de 6% sobre o valor da venda.
Em setembro de 2024, segundo o UOL, a Justiça remarcou o leilão para 1º de outubro, com primeira tentativa por R$ 40 milhões e segunda tentativa, se não houvesse proposta, com lance inicial de R$ 20 milhões. A reportagem informou ainda que o imóvel foi levado a leilão por dívida superior a R$ 10 milhões com uma seguradora e que havia penhoras de mais de R$ 20 milhões por outros débitos de Cafu.
Mercado imobiliário e venda por R$ 20,2 milhões
Em janeiro de 2025, o UOL informou que o imóvel não recebeu propostas na primeira rodada de R$ 40 milhões. No segundo certame, houve 15 lances e quatro licitantes, e a venda foi oficializada por R$ 20,2 milhões.
O mesmo relato apontou que uma liminar do STJ impedia a expedição da carta de arrematação, o que travava a entrega das chaves ao comprador. Esse ponto manteve o caso em disputa mesmo após a venda judicial ser oficializada.
Para o mercado imobiliário de Barueri, especialmente no segmento de imóveis de luxo em Alphaville, o processo expõe um tema recorrente em leilões judiciais: a distância entre avaliação, lance mínimo e valor efetivamente obtido em certame. No caso da mansão de Cafu, os valores registrados nas decisões e reportagens mostram uma sequência incomum de propostas recusadas, remarcação e arrematação por cerca de metade da avaliação judicial.
CNJ investiga suspeita envolvendo juiz e leiloeiro
O ponto mais delicado do caso surgiu com a investigação aberta no CNJ. Segundo o Metrópoles, a petição apresentada ao conselho sustenta que Bruno Paes Straforini teria “relação imprópria” com o leiloeiro Denys Pyerre de Oliveira.
A decisão citada pela reportagem menciona documentos que indicariam concentração de mais de 50 nomeações do mesmo profissional na 1ª Vara Cível de Barueri, possível violação da Resolução CNJ nº 236/2016, recusa de pedidos de substituição do leiloeiro, alegação de “confiança pessoal” e comissões acima da praxe de mercado.
O CNJ requisitou ao TJSP a relação de processos e comissões pagas ao leiloeiro Denys Pyerre de Oliveira nos últimos cinco anos. Também solicitou lista de processos em que Bruna Oliveira dos Santos, esposa do leiloeiro, aparece como administradora judicial, segundo o Metrópoles.
Suspeição e afastamento do processo em Barueri
A Folha de S.Paulo informou, em 27 de fevereiro de 2026, que Bruno Paes Straforini pediu afastamento do processo que levou a mansão de Cafu a leilão em outubro de 2024. O e-SAJ registra um incidente de suspeição cível, de número 0000649-47.2026.8.26.0068, instaurado em 5 de fevereiro de 2026 e apensado ao processo principal.
Em 25 de março de 2026, decisão no e-SAJ registrou que Bruno Paes Straforini havia declarado suspeição por motivo íntimo, que foi removido para a 2ª Vara Cível de Osasco e que o processo deveria retornar à 1ª Vara Cível de Barueri.
A Folha também informou que, segundo a defesa de Cafu, o juiz comprou de Denys Pyerre de Oliveira um utilitário Volvo em julho de 2021 e outro veículo Volvo em fevereiro de 2025, sem divulgação dos valores. Em dezembro de 2025, a Folha publicou a versão do juiz de que os veículos foram adquiridos com grande intervalo de tempo, por contratos regulares e pagamento documentado, e a versão da empresa do leiloeiro de que as transferências foram operações regulares, lícitas e documentadas.
O que está em jogo no caso da mansão de Cafu
O processo reúne três camadas de interesse público: a cobrança judicial de uma dívida, a venda de um imóvel de luxo em Barueri por valor inferior à avaliação e a investigação disciplinar sobre a condução do leilão. Até aqui, os registros judiciais e as reportagens indicam que a disputa ainda extrapola a simples alienação de um bem.
O desfecho interessa não apenas aos envolvidos, mas também a quem acompanha leilões, imóveis de alto padrão e transparência no Judiciário. Em Alphaville, onde o mercado imobiliário convive com cifras elevadas e ativos raros, o caso da mansão de Cafu passou a ser um teste de confiança sobre avaliação, concorrência e controle público nos leilões judiciais.
Fontes
- TJSP/e-SAJ - Processo 1001299-58.2018.8.26.0068
- UOL - Justiça rejeita leilão da mansão de Cafu por R$ 25 mi
- UOL - Justiça remarca leilão de mansão de R$ 40 milhões de Cafu
- UOL - Após perder mansão, Cafu tenta liminar contra penhoras
- Purepeople - Fotos da mansão de Cafu e polêmica na Justiça
- Metrópoles - CNJ abre investigação contra juiz que mandou leiloar mansão de Cafu
- Folha de S.Paulo - Juiz acusado por Cafu pede afastamento de ação
- Folha de S.Paulo - Juiz acusado por Cafu comprou dois carros de leiloeiro



























