Mansão de R$ 3,6 mi expõe fraude fiscal no Tocantins
Operação El Dourado bloqueou imóveis e veículos ligados a investigados por sonegação, fraude fiscal e lavagem de dinheiro.







Uma nova fase da Operação El Dourado, divulgada em 26 de maio de 2026, colocou o patrimônio atribuído ao contador Paulo César Maciel dos Santos no centro de uma investigação sobre fraude fiscal, sonegação tributária e lavagem de dinheiro no Tocantins. Segundo a Polícia Civil do Tocantins, o caso envolve prejuízo superior a R$ 55,9 milhões aos cofres públicos estaduais e levou a Justiça da Comarca de Taguatinga a autorizar bloqueio de até R$ 56,7 milhões em contas bancárias, imóveis e veículos dos investigados.
Entre os bens citados na fase patrimonial estão uma residência de luxo avaliada em cerca de R$ 3,6 milhões, um lote estimado em R$ 800 mil, um flat de aproximadamente R$ 350 mil e três SUVs de alto padrão avaliados em cerca de R$ 105 mil cada. Os bens já alcançados pelas decisões judiciais somam cerca de R$ 5,065 milhões, sem incluir valores em contas bancárias ainda em levantamento, conforme AF Notícias.
Imóveis no Tocantins entram no foco da Operação El Dourado
A investigação é conduzida pela Divisão Especializada de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária, a DRCOT, da Polícia Civil do Tocantins. Na fase patrimonial de maio, a apuração contou também com apoio da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Rurais e Abigeato, a Deleagro.
As medidas autorizadas pela Justiça incluíram bloqueio eletrônico pelo SISBAJUD, sequestro de veículos pelo RENAJUD e restrições em matrículas de imóveis de alto padrão. Para o mercado imobiliário, o caso chama atenção porque os bens apontados pela investigação não aparecem apenas como patrimônio pessoal, mas como possíveis instrumentos de ocultação patrimonial, segundo a apuração policial citada pela reportagem.
A Polícia Civil aponta que a organização teria usado empresas para ocultar patrimônio e movimentações financeiras ilícitas. No caso atribuído a Paulo César Maciel dos Santos, a DRCOT o descreve como líder e operador financeiro central do grupo, responsável por coordenar movimentação de recursos e administrar empresas registradas em nome de terceiros usados como “laranjas”.
Mercado imobiliário, bens de luxo e bloqueio judicial
O conjunto de bens bloqueados ajuda a dimensionar a estratégia patrimonial investigada. A residência de luxo, avaliada em cerca de R$ 3,6 milhões, é o principal imóvel citado. O lote de R$ 800 mil e o flat de R$ 350 mil completam a lista de ativos imobiliários mencionados pela investigação. Também foram citados três SUVs de alto padrão, cada um avaliado em aproximadamente R$ 105 mil.
Segundo o Agora Tocantins, a nova fase da Operação El Dourado mirou o núcleo financeiro da organização investigada. O foco patrimonial é relevante porque, em casos de fraude fiscal e lavagem de dinheiro, o rastreamento de imóveis, veículos e contas bancárias pode indicar como recursos suspeitos foram convertidos em bens de alto valor.
Até 26 de maio de 2026, Paulo César Maciel dos Santos seguia foragido, conforme a reportagem do AF Notícias. A condição de foragido foi registrada no mesmo dia em que a nova fase da operação foi divulgada.
Fraude fiscal no Tocantins começou a ser apurada em março
A primeira fase ostensiva da Operação El Dourado ocorreu em 24 de março de 2026. Naquele momento, a Polícia Civil investigava um esquema de sonegação fiscal, falsidade ideológica e lavagem de capitais ligado ao agronegócio, especialmente a operações com soja e milho, segundo a Agência Tocantins/Secom Tocantins.
A apuração apontou emissão de notas fiscais irregulares para gerar créditos fraudulentos de ICMS. Em uma das empresas investigadas, a Polícia Civil informou movimentação declarada superior a R$ 464 milhões em seis meses, com recolhimento de apenas R$ 39 mil em tributos.
A investigação também apontou empresas de fachada chamadas “noteiras”, sócios em situação de vulnerabilidade socioeconômica e sociedades limitadas unipessoais com capitais sociais declarados de até R$ 10 milhões, integralizados de forma fictícia. Esses elementos, segundo a Polícia Civil, compunham a estrutura usada para dar aparência formal às operações investigadas.
Prisões e estrutura da operação
Na fase de março, a Polícia Civil cumpriu dois mandados de prisão preventiva: um em Unaí, Minas Gerais, contra R.A.G.M., e outro em Palmas, Tocantins, contra P.C.M.S. Uma terceira pessoa foi presa em flagrante por porte ilegal de arma de fogo. A operação envolveu aproximadamente 30 profissionais, entre policiais, peritos e auditores fiscais.
Com a etapa patrimonial de maio, a Operação El Dourado avançou sobre bens que, segundo a investigação, estariam em nome de empresas de fachada ou de pessoas ligadas ao investigado. O bloqueio de imóveis, veículos e contas busca preservar valores para eventual ressarcimento, dentro dos limites autorizados pela Justiça.
O caso mantém o mercado imobiliário do Tocantins no radar da transparência pública: a valorização e a circulação de imóveis de alto padrão podem ser legítimas, mas também passam a ser examinadas quando aparecem associadas a suspeitas de ocultação patrimonial, fraude fiscal e lavagem de dinheiro.



























