MCMV já responde por 83% dos lançamentos no Norte
Minha Casa, Minha Vida concentra lançamentos residenciais no Norte e mostra peso da moradia popular no mercado imobiliário.







O Minha Casa, Minha Vida virou o principal motor dos imóveis novos no Norte. No 1º trimestre de 2026, o programa respondeu por 83% dos lançamentos residenciais da região, com 2.608 unidades MCMV lançadas, segundo estudo da Brain Inteligência Estratégica apresentado pela CBIC em 25/05/2026 e divulgado pelo Poder360/CBIC. No Brasil, o programa representou 50% dos lançamentos e 49% das vendas residenciais no mesmo período.
O dado revela uma dependência regional muito acima da média nacional e contrasta com o Sul, onde o MCMV teve a menor participação nos lançamentos: 18% do mercado regional, com 3.223 unidades lançadas pelo programa. A diferença ajuda a explicar como o mercado imobiliário residencial se distribui de forma desigual pelo país, especialmente nos imóveis voltados à demanda popular.
Mercado imobiliário no Norte depende mais do MCMV
Embora o Norte não lidere em volume absoluto, é a região em que o Minha Casa, Minha Vida tem o maior peso proporcional nos lançamentos. Em unidades MCMV lançadas no 1º trimestre de 2026, o Sudeste ficou na liderança, com 26.877 unidades. Depois vieram Nordeste, com 12.704; Centro-Oeste, com 3.236; Sul, com 3.223; e Norte, com 2.608.
O recorte mostra duas leituras distintas. Em escala, o Sudeste concentra a maior quantidade de lançamentos do programa. Em dependência regional, o Norte se destaca: a cada grupo de lançamentos residenciais novos na região, a ampla maioria estava ligada ao MCMV.
A participação elevada também aparece nas vendas. No 1º trimestre de 2026, o MCMV representou 76% das vendas residenciais no Norte, percentual superior ao registrado no Sudeste, com 56%; no Nordeste, com 52%; no Centro-Oeste, com 34%; e no Sul, com 29%.
Lançamentos caem no Brasil, mas vendas de imóveis sobem
No mercado residencial total, foram lançadas 97.802 unidades no Brasil entre janeiro e março de 2026, queda de 4,9% em relação ao 1º trimestre de 2025 e de 32,1% frente ao 4º trimestre de 2025, segundo a CBIC. Ao mesmo tempo, as vendas residenciais somaram 110.722 unidades, alta de 4,1% ante o mesmo período de 2025, conforme Exame/CBIC.
Esse movimento cria um paradoxo relevante para o setor: os lançamentos recuaram, mas a comercialização avançou. Dentro desse quadro, o Minha Casa, Minha Vida vendeu 54.510 unidades no 1º trimestre de 2026, volume equivalente a 49% das vendas residenciais do período.
Nas vendas MCMV por região, o Sudeste registrou 31.537 unidades no trimestre. O Nordeste somou 11.540; o Sul, 6.717; o Norte, 2.595; e o Centro-Oeste, 2.211. Assim como nos lançamentos, o Norte aparece com participação proporcional elevada, ainda que com menor volume absoluto que as regiões mais populosas e com mercados maiores.
Oferta de imóveis e velocidade de escoamento
A oferta final total do mercado residencial chegou a 350.891 unidades no 1º trimestre de 2026, alta anual de 8,2%. O VGV do mercado atingiu R$ 65,9 bilhões, avanço de 0,5% ante 2025, segundo a CBIC.
No recorte regional da oferta total de imóveis, o Norte voltou a ter a maior participação do MCMV, com 52%. O Sul teve a menor, com 17%. Esse indicador reforça que a presença do programa não aparece apenas nos lançamentos e vendas recentes, mas também no estoque disponível.
A velocidade de absorção também diferencia o segmento. A oferta do MCMV tinha prazo estimado de escoamento de 7,6 meses, abaixo da média geral de aproximadamente 10 meses do mercado residencial, segundo Exame/CBIC. Em termos práticos, o estoque do programa tende a girar mais rapidamente que a média do mercado.
Crescimento regional não foi uniforme
O levantamento da CBIC cobriu 221 cidades, incluindo as 27 capitais e respectivas regiões metropolitanas. No período, o Centro-Oeste foi a região com maior crescimento de lançamentos residenciais, com alta de 38,3%, conforme a CBIC.
No acumulado de 12 meses, as vendas residenciais chegaram a 438.012 unidades no Brasil. O Sudeste respondeu por 223.670 unidades desse total, mantendo o maior peso nacional no volume comercializado.
Juros, novas regras e o papel da demanda popular
O cenário do 1º trimestre foi marcado por juros ainda elevados. O Copom reduziu a Selic para 14,50% ao ano na reunião de 29/04/2026, depois de ter reduzido a taxa para 14,75% ao ano na reunião de março de 2026, segundo o Banco Central.
Depois do trimestre analisado, novas condições do Minha Casa, Minha Vida passaram a ser operadas por Caixa e Banco do Brasil em 22/04/2026. As regras incluíram atendimento a famílias de renda mensal de até R$ 13 mil e teto de imóvel financiável de até R$ 600 mil na Classe Média, de acordo com Agência Gov/Caixa. O Ministério das Cidades também informa que o programa atende famílias urbanas com renda mensal de até R$ 13.000,00 nos termos da Portaria nº 333, de 30/03/2026, e classifica a Faixa 4 como “Classe Média”.
Para o mercado imobiliário do Norte, o dado central é que o MCMV já organiza a maior parte dos lançamentos residenciais. Em um país onde os lançamentos totais recuaram no trimestre, a moradia subsidiada segue sustentando parte relevante da demanda e influenciando onde os novos condomínios nascem.



























